A conquista das terras da América foi se desenvolvendo logo após o descobrimento principalmente por aventureiros animados pela sede de riquezas ou pelo amor à glória; ações heroicas e atos de revoltante crueldade assinalaram essa fase da história americana, em que se formaram os dois primeiros grandes impérios coloniais do mundo; o espanhol e o português.
Descobrimentos espanhóis
Depois das viagens de Colombo
várias expedições vieram à América, quase todas em busca de riquezas. O
conquistador do Porto Rico, Ponce de Leon, descobrindo a Flórida, procurava a
Fonte de Juvêncio, cujas águas, pensava ele, rejuvenesceriam os que nelas se
banhassem; Balboa, levado por seu espírito de aventura, descobriu o Pacífico;
Orellana, partindo do Peru, chegou com alguns homens a um afluente do Amazonas
e, passando imensas privações, desceu o grande rio até a foz. A procura do El
Dorado, o lendário país de ricos campos de ouro, deu em resultado a exploração
ou descobrimento de novas terras.
Conquista do México
Fernão Cortez, que tivera a
incumbência de descobrir novas terras para a Espanha, aportou, em 1519, às
costas do México, já antes descobertas. Teve aí notícias das grandes riquezas
do país dos astecas e resolveu conquistá-lo. Desembarcou suas pequenas forças
(cerca de 600 homens, 18 cavalos e 10 canhões), que fizeram evoluções e
exercícios de tiro. Os naturais julgavam os espanhóis “Filhos do Sol”, por motivo
de sua cor branca e ficavam maravilhados à vista dos cavalos, que desconheciam,
e do fragor da artilharia, armas que “tinham preso o trovão”. O soberano
asteca, Montezuma, mandou a Cortez um de seus caciques com presentes
riquíssimos, pedindo-lhe que deixasse sua terra. O chefe espanhol, porém, não
acedeu; mandou queimar os navios em que viera e, auxiliado por alguns índios,
invadiu o país, avançando contra a capital. Bem recebido por Montezuma,
conseguiu Cortez logo apossar-se do governo e, por motivo duma conspiração dos
astecas, aprisionar seu soberano.
Entretanto, o governador de Cuba,
invejoso do êxito de Cortez, mandou ao México uma expedição para prendê-lo; o
conquistador teve de sair da capital para combatê-la; foi vencedor, mas, ao
voltar, empenhou-se em tremenda luta contra os astecas revoltados. Montezuma
morrera atingido por pedradas quando procurava acalmar seus patrícios; e o
audaz conquistador foi obrigado a deixar a cidade, onde perdera dois terços de
sua gente; voltou, porém, a atacar a capital, heroicamente defendida pelo novo
soberano, Quauhtemoc (Guatimozim). Vencido após quase três meses de cerco o
bravo Guatimozim foi posto num leito de brasas para revelar o segredo do
tesouro de Montezuma e mais tarde executado.
Os espanhóis organizaram então a
administração do antigo império dos astecas; a capital foi em grande parte
reconstruída e expedições diversas exploraram o interior do país.
Veja também: Costumes romanos - Indumentária
Conquista do Peru
Quando Balboa descobriu o
Pacífico, teve notícia da existência de um país, mais ao sul, o Peru, cuja
riqueza era prodigiosa; mas o grande explorador foi morto por uma trama de
inimigos; e então, Francisco Pizarro, associando-se a Diogo Almagro, resolveu
partir à conquista da famosa terra.
Com 168 espanhóis apenas, os
arrojados aventureiros invadiram o Império dos Incas; nada puderam fazer 40 000
indígenas com lanças, clavas e flechas, contra as armas de fogo dos espanhóis.
Pizarro apossou-se logo, ardilosamente, do soberano inca Ataualpa (Ataliba),
que entregou, por seu resgate, um tesouro avaliado em milhões de pesos ouro;
mas, depois, sob o pretexto de que o inca se tornara criminoso mandando matar
Huascar, seu irmão e competidor ao trono, o cruel aventureiro, em vez de lhe
dar a liberdade prometida, condenou-o à morte (1533).
Almagro iniciou a conquista do
Chile que foi terminada por Valdívia, o fundador de Santiago, morto durante a
luta sustentada longo tempo contra os espanhóis pelos indômitos araucânios.
Expansão colonial
Feita a conquista de Nova Espanha
(México), do Peru, do Chile, continuou a expansão colonial com as expedições à
América Central, à Colômbia e outras regiões. O Panamá e México, Santiago e
Lima e, mais tarde, Assunção, foram os centros donde irradiaram os novos
conquistadores.
Saiba mais: A América colonial espanhola
Um dos companheiros de Cortez,
Pedro Alvarado, distinguiu-se na conquista da América Central, onde fundou a
cidade de São Salvador; Fernão Soto explorou a região entre a Flórida e o
México; o riquíssimo reino dos Chibchas, na Colômbia, foi conquistado pela
expedição de Gimenez de Quesada.
No sul, durante a guerra contra
os araucânios, as expedições, atravessando os Andes, chegaram ao pampa
argentino; assim vieram a fundar Santiago-del-Estero e outras cidades
vizinhas da cordilheira.
![]() |
| Imagem 02 - Acervo: Ludus Schola A América do Sul nos fins do século XVIII. |
Conquista pelos portugueses
Já os portugueses haviam
alcançado, com as viagens dos Corte-Real, regiões setentrionais americanas, da
Terra Nova e do Labrador, quando D. Manoel confiou uma grande esquadra a Pedro
Álvares Cabral, para ir às Índias, cujo caminho marítimo Vasco da Gama gloriosamente
encontrara. Cabral, porém, desviou para o ocidente a rota de seus navios; e
assim atingiu, a 22 de abril de 1500, a terra que se chamou de Vera Cruz, Santa
Cruz e, finalmente, Brasil. Poucos dias depois tomou posse da terra descoberta
para a coroa de Portugal, a quem, todavia, já era pertencente; porque, pelo
tratado de Tordesilhas, todas as terras, até 370 léguas a oeste das ilhas do
Cabo Verde, seriam portuguesas.
A conquista da região descoberta
pelos lusitanos ia ser bem diferente das que os espanhóis haviam encontrado;
pois enquanto estes atingiam a grandes zonas, com as do México e Peru, de já
notável cultura, aos portugueses se deparou imenso território povoado por
tribos selvagens.
Logo no ano seguinte ao
descobrimento iniciaram os portugueses o reconhecimento do extenso litoral, de
mais de 900 léguas, que vai do cabo de São Roque ao de Santa Maria, no Uruguai.
Com outras expedições fundaram-se as primeiras feitorias na costa para combater
os franceses que vinham fazer carregamento do precioso pau-brasil e traficar
com os índios. A obra colonizadora, porém, só se iniciou, realmente, com a
expedição de Martim Afonso de Souza, que levou o reconhecimento do litoral
norte até o Maranhão, fez explorar no sul o estuário do Prata e, em 1532, fundou
a primeira vila do Brasil, São Vicente, e no interior visitou o povoado de João
Ramalho, Santo André da Borda do Campo, mais tarde elevado a vila.
Pouco depois da expedição de
Martim Afonso o rei de Portugal procurou desenvolver o povoamento da colônia, estabelecendo
o sistema das capitanias hereditárias: o território foi dividido em grandes
partes doadas a doze vassalos da pequena nobreza do Reino, os quais, mediante
grandes favores, deviam à sua custa colonizá-las e defendê-las. O sistema,
entretanto, exceto em duas capitanias, não produziu o êxito desejado.
Várias causas concorreram para
isso: a falta da energia e habilidade de muitos donatários, a ausência de
recursos para enfrentar o ataque de estrangeiros, principalmente franceses, e a
atitude do gentio que, benévolo ou pacífico ao tempo do descobrimento,
tornava-se, em geral, hostil.
As capitanias de Pernambuco e de
São Vicente, contudo, prosperaram bastante, alcançando boa situação econômica
com a lavoura de cana e fabricação do açúcar. Em várias outras as vilas
fundadas, todas no litoral, vieram a ser centro de povoamento e de resistência
aos ataques de piratas e corsários.
O rei D. João III, para auxiliar
os donatários em suas dificuldades e prover melhor à defesa da colônia, criou
um governo geral, com sede na Bahia. O primeiro governador aí fundou, em 1549,
a cidade de Salvador que foi assim a primeira capital do Brasil. Com o
governador chegaram de Portugal os primeiros jesuítas, o elemento que
constituiu a grande forca moral da colonização.
![]() |
| Imagem 03 - Acervo Ludus Schola Os Grandes Descobrimentos. |
Leia também: A América pré-colombiana I - Os astecas
O reconhecimento e conquista do
território, entretanto, limitou-se quase só a pontos da orla litorânea de
Pernambuco para o sul, lutando os portugueses contra as tentativas de ocupação
por estrangeiros. A mais notável dessas lutas foi a que terminou pela expulsão
dos franceses do Rio de Janeiro.
Algumas entradas tinham se
efetuado, sem grande êxito, para conhecer o interior; desde o governo de Mem de
Sá, porém, essas investidas começam a ter melhor resultado; o povoamento
cresceu com o desenvolvimento da criação do gado e com a expansão da cultura
algodoeira.
Os principais núcleos da colônia
ficavam no litoral, isolados uns dos outros por longa distância: eram a cidade
de Salvador, na Bahia e as vilas de Olinda, Vitória, Rio de Janeiro, São
Vicente, povoado de Cananeia. Ao findar o primeiro século (1600) o centro mais
distante da costa era São Paulo de Piratininga. Com a passagem de Portugal e
suas colônias para o domínio espanhol, a união das duas coroas favoreceu a obra
da expansão territorial que, para o norte de Itamaracá, já fora iniciada.
Fez-se a conquista do litoral ao sul. E com a expansão das bandeiras paulistas,
principalmente, e a ação das missões religiosas das tropas de resgate, das
entradas, dos droguistas na Amazônia e noutros pontos do território o Brasil
atingiu, aproximadamente, às divisas que ora tem.
Você poderá gostar de:
- As origens da Europa Medieval
- Desenvolvimento histórico da Lógica
- Regina lacrimat - Lição de Latim Clássico





Nenhum comentário:
Postar um comentário