Lógica

 


A Lógica Clássica ou aristotélica é um dos principais ramos da Filosofia e disciplina essencial do Trivium - do latim, via - caminho e tria - três: três caminhos. Utiliza-se da linguagem como expressão do pensamento, ideias e juízos. É uma disciplina autônoma que contribui com outras áreas da ciência, até mesmo no universo da redes de computadores e sistemas lógicos. Apresentamos os principais eixos fundamentais para o entendimento da Lógica, corroborando, é claro, para a construção do discurso (Retórica) coerente e que tenha relação com a verdade.



 

I - INTRODUÇÃO

 

Definição etimológica

O termo Lógica vem do grego Loguiké, que por sua vez, provém de Logos, que significa palavra, razão. Etimologicamente, pois, a Lógica equivale à ciência da razão.

Também é conhecida por Dialética (do verbo grego dialéguestai, que significa disputar), ou seja, a arte de disputar.

Lógica é a ciência do Logos. Por Logos se entende o pensamento, a expressão do pensamento e a relação entre o pensamento e sua expressão. A Lógica estuda, pois, os pensamentos, mas não como atividade do sujeito que pensa mas sim em sua estrutura interna, estuda não que são pensamentos, mas sim como são, ou como devem ser.

Há que diferenciar entre pensamento e pensar. O pensamento é o produto de um processo psíquico; pensar é precisamente este processo. A Lógica se ocupa dos pensamentos em si mesmos. Não tem em conta nem o processo de pensar nem o sujeito que pensa.

Os pensamentos sempre expressam algo, se referem a algo: não há pensamento que seja pensamento de algo. De igual maneira, todo pensamento tem uma forma na qual se expressa. Então no processo do pensamento temos: 

a)    um sujeito que pensa (que produz o pensamento); 

b)    o pensar mesmo como processo psíquico real; 

c)     o pensamento, produz o pensar; 

d)    o objeto do pensamento (aquilo que penso); 

e)    a forma como se expressa o pensamento.) 

a) e b) pertencem à Psicologia; d) corresponde às ciências particulares; e é objeto da Gramática e da Linguística. Cabe ao estudo da Lógica c). Portanto, definição real. A Lógica que estuda a estrutura ou formas do pensamento.

 

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Saiba mais: Gramática Latina

Objeto material e formal da Lógica

De acordo com o visto anteriormente, o objeto material da Lógica são as formas mentais; o objeto formal é a retitude dessas formas.

As formas ou estruturas mentais são: simples apreensão, juízo e raciocínio. Estes três atos da mente constituem o pensar. Ou seja, pensar é apreender, julgar e raciocinar.

Desse modo, se conclui que a Lógica é a ciência normativa do pensamento reto para chegar à verdade.

Se diz normativa porque das normas (leis) a que se deve sujeitar o pensamento para que sua atividade seja correta. A Lógica só tem em conta a legalidade do pensamento (as leis do pensamento) e não (ao menos principalmente) sua correspondência com a realidade.

A Lógica é uma ciência porque é um conjunto de verdades baseadas em princípios e metodicamente sistematizadas. A ciência é um conjunto de conhecimentos acerca de um objeto e em conexão sistemática. E isto é a Lógica.

 

Divisão da Lógica

Há uma Lógica natural e outra científica. A natural, e aptidão inata e espontânea da mente para raciocinar; a científica, é o conjunto de regras, adquirido por reflexão, para pensar corretamente. A científica se divide em formal ou geral e especial ou aplicada. A formal estuda as estruturas fundamentais do pensamento científico.

A Lógica é a ciência de relações, pois, pensar é estabelecer relações. As ciências estabelecem relações, mas a Lógica estuda as relações mesmas. Daí que, contudo, da Lógica geral ou formal, há uma Lógica de cada das ciências enquanto que cada uma delas estabelece uma determinada classe de relações. Ou seja, a Lógica especial é a ciência das estruturas especiais do pensamento em cada ciência; e a Lógica geral é a ciência da estrutura do pensamento.

 

Relação da Lógica com outras disciplinas

Como todas as ciências buscam, de uma maneira ou de outra, a verdade, a Lógica se relaciona com elas porque a Lógicas ensina o modo de proceder com método na investigação da verdade. Por isso, todas as ciências a pressupõe enquanto que as regras próprias de cada ciência é senão aplicações das regras universais da Lógica. Há, portanto, algumas ciências que tem maior afinidade com a Lógica. São a Psicologia, a Teoria do Conhecimento, a Gramática e a Matemática.

1) A Lógica se relaciona com a Psicologia enquanto que as duas estudam as formas do pensamento; mas se diferenciam no que a Lógica estuda unicamente a retitude ou legitimidade das formas mentais, enquanto que a Psicologia estuda a origem, a natureza e o funcionamento do pensamento.

2) A Lógica relaciona com a Teoria do Conhecimento porque as duas se referem a atos do entendimento; mas a Teoria do Conhecimento trata da validez e dos limites o conhecimento, a Lógica, ao contrário, só estuda a estrutura do mesmo.

3) Se relaciona com a Gramática porque ambas tratam da linguagem como expressão do pensamento, mas se diferem em que a Lógica tem por objeto estudar o conceito, significado por palavra, no entanto, a Gramática estuda a propriedade e correção dos vocábulos o ofício que desempenham na oração.

4 A Lógica se relaciona com a Matemática porque a duas estudam relações; mas a Lógica estuda as relações do pensamento ou as relações chamadas pensamentos, no entanto, a Matemática estuda as relações abstratas formais, sem levar em conta o pensamento.


Importância da Lógica

Portanto, já dito, a Lógica é a ciência das ciências enquanto que toda ciência está constituída por pensamentos; e a Lógica é um sistema de pensamentos acerca do pensamento. Todas as ciências tem que recorrer ao pensamento; e por isso mesmo se servem da Lógica. Aristóteles a denominou de instrumento das ciências. É certo que se pode raciocinar corretamente sem conhecer a regras da Lógica; mas a Lógica aperfeiçoa a inteligência desenvolvendo a Lógica natural. Dá precisão e firmeza ao nosso entendimento e lhe confere facilidade para pensar com claridade e exatidão. Nos ajuda a descobrir os sofismas, que frequentemente nos aparecem como verdades.

  

A Lógica e as ciências

Toda ciência está feita de pensamentos. Mas a Lógica é um sistema de pensamentos acerca do pensamento. Por isso, o objeto da Lógica não é como o que que estudam as ciências. Estas se valem de pensamentos, mas ninguém estuda o pensamento. É dizer, a Lógica, ciência do pensamento, estuda o que as outras ciências empregam sem estudar: o pensamento.

Como todas as ciências estudam relações particulares, se poderia pensar que todas as ciências pressupõem a Lógica, que é a ciência que estuda as relações mesmas.

No entanto, adverte-se que uma coisa é a Lógica como ciência e outra coisa é o feito lógico. Nenhuma ciência pressupõe a Lógica (ciência), mas toda as ciências pressupõem o feito lógico, porque todas elas se baseiam na Lógica e necessitam, dela quando tratam de justificar a legitimidade das relações que estabelecem.

Os cientistas deram conta que suas investigações implicam no feito lógico, e ao aclará-lo contribuem ao progresso das Lógica. Matemáticos e físicos se dedicaram a estudar a estrutura do pensamento, mas já não como cientistas senão como lógicos.

 

Outras concepções da Lógica

 A Lógica como ciência nasceu na Grécia. Aristóteles afirmava que seu fundador foi Zenão de Eleia (504 a.C). os sofistas contribuíram para a sofisticação dos problemas lógicos. Platão (428-347), ao tratar da natureza das ideias, do conceito de ciência, da relação entre a opinião e o pensamento, preparou o material para a sistematização da Lógica.

Foi Aristóteles (384-322) o verdadeiro fundador da Lógica. No início lhe denominou como Analítica. Deus discípulos depois reuniram os escritos aristotélicos relativos à Lógica e lhe deram o título de Órganon porque acreditavam que a Lógica era um instrumento para chegar ao conhecimento da verdade.

Para Aristóteles a Lógica é “a ciência da demonstração”. O filósofo grego não se limitou a enumerar as leis da dedução, sendo que foi o primeiro a empregar uma espécie de axiomatização.

Para os estoicos, A Lógica é principalmente Dialética, que consiste na “discussão em forma dialogada mediante perguntas e respostas”.

Segundo Santo Tomás de Aquino (1225-1274) e os escolásticos a Lógica é “a arte de dirigir a atividade da razão”.  Por esta razão, é a arte das artes porque dirige o ato da razão de onde advém todas as artes. Para Tomás de Aquino a arte é uma ordenação da razão de modo que os atos humanos se dirijam ao fim que devem obter por meios determinados. E assim usa indiferentemente a palavra arte ou ciência, pois para ele as artes – melhor, as técnicas – são as ciências.

Thomas Hobbes (1588-1679) pensa que a Lógica é o princípio que acende a luz da razão. E se reduz a cálculo, soma ou resto de ideias.

Para Guilherme Leibniz (1646-1716) a Lógica é uma espécie de Álgebra do pensamento, uma arte de invenção e combinação, cuja função consiste em alcançar um catálogo do que se concebe por si e cuja combinação surgem todas nossas outras ideias.

Em meados do século XIX John Stuart Mill (1809-1873) define a Lógica como “a ciência das operações intelectuais que servem para a demonstração da prova”. É dizer, se trata de um processo que vai do conhecido ao desconhecido, e tem por objeto os feitos e não as leis do pensamento.

Immanuel Kant (1724-1804) a Lógica é “a ciência da aplicação legítima do entendimento e da razão em geral”. É, portanto, uma ciência normativa.

Ao contrário, Guilherme F. Hegel (1770-1831) opina que a Lógica é “a ciência do pensamento, de suas determinações e de suas leis”. Ou também: “a ciência dos conceitos fundamentais da mente humana em sai condição a priori e necessária com os que se expressa a estrutura íntima de toda a realidade possível”.

Uma concepção interessante das Lógica, que agora adquire muita aceitação e que sistematicamente apareceu na segunda metade do século XIX, é a Logística ou Lógica matemática. Toma como modelo os procedimentos matemáticos e estabelece uma Lógica formal mais geral e mais completa que a Lógica clássica. Trata de determinar todas as formas possíveis do raciocínio valendo-se de sinais que representam conceitos e juízos.

Para os marxistas a Lógica “estuda os processos do pensamento para descobrir os elementos racionais que os constituem e as funções que os interligam... investiga a execução dos experimentos para determinar suas fases e seu desenvolvimento, o mesmo que suas bases e seus resultados. Igualmente, a Lógica questiona as relações mútuas e as inferências recíprocas que existe entre o pensamento e a realidade representada pelo pensamento.

 

O conhecimento

 O conhecimento, em seu sentido mais amplo, é uma relação. É exercer um ato pelo que o sujeito pensante se representa intencionalmente um objeto. É a união intencional do imanente e do transcendente enquanto que o conhecimento é um processo da mente pela qual o sujeito se refere  a algo que está além dos limites de si mesmo, a algo transcendente.

O conhecimento é a captação de algo, mediante o entendimento ou mediante os sentidos. É o ato vital pelo qual um sujeito se dá conta de algo. Portanto, em todo conhecimento há uma relação entre um sujeito que conhece e um objeto conhecido.

O conhecimento pode ser vulgar, pré-científico, científico e filosófico.

O conhecimento vulgar é o que se realiza de forma espontânea, sem ordem, sem investigar as causas. Conhecimento embasado na opinião (doxa).

Conhecimento pré-científico, quando já se investigam as causas, mas tão somente superficiais, e sem método.

Científico é o conhecimento metódico das coisas por suas causas próximas.

Conhecimento filosófico é o conhecimento das causas por suas causas últimas, por seus princípios fundamentais.

 

Requisitos do conhecimento

Dito isto se deduz para que haja conhecimento é necessário:

1) um sujeito que conhece algo e que é consciente dele;

2) um ato imanente ao sujeito;

3) um objeto ao que se refere ao sujeito;

4) a expressão do conhecimento.

 Para que um objeto seja conhecido não implica uma modificação do objeto causado pelo sujeito que conhece; é mais uma modificação ativa do sujeito cognoscente, provocada pelo objeto conhecido. Que o conhecimento seja modificação do sujeito, é claro; mas é uma modificação tal que, nela, o sujeito assume em si, faz seu, o objeto conhecido mediante uma autêntica oposição ativa do objeto que provoca uma verdadeira modificação do sujeito cognoscente.

Dizemos que o conhecimento é um ato intencional. Os escolásticos usaram a palavra latina intentio para indicar o conceito enquanto se refere a uma coisa diversa de si. Segundo isto, o objeto conhecido, tem ser na mente do que conhece. Este ser ideal, se dá unicamente enquanto o objeto é conhecido. A este ser ideal se chama ser intencional porque indica que o conhecer está ordenada a algo como objeto e em conformidade com ele.

 

Classes de conhecimento

 Há um conhecimento sensível produzido pelos sentidos e representa as coisas individuais e concretas; fica restrito ao fenômeno. E há um conhecimento intelectual produzido pelo entendimento e representado pelos seres imateriais ou coisas materiais, mas de uma maneira imaterial. É o conhecimento intelectual penetra no ser do fenômeno.


A atividade mental

 A mente é uma faculdade inorgânica pela qual conhecemos a essência as coisas. Se chama também entendimento, inteligência, razão.

Com a mente conhecemos o inteligível das coisas; ao contrário, com os sentidos conhecemos as particularidades individuais e concretas.

A atividade da mente se expressa mediante três atos: simples apreensão, juízo e raciocínio.

Pela simples apreensão conhecemos intelectualmente algo sem afirmar ou negar nada. Apreender é perceber intelectualmente, é simplesmente contemplar. Por exemplo, quando penso em árvore não afirmo que existe o que não existe, simplesmente o contemplo na mente.

O juízo é o ato mental pelo qual afirmamos, negamos algo acerca da essência percebida previamente. Na apreensão somente contemplamos uma essência; no juízo afirmamos ou negamos sua existência. Por exemplo: O cajueiro é grande.

O raciocínio é o ato mental pela qual, da afirmação de uma ou várias proposições, passamos a afirmar outra em virtude do conhecimento de sua conexão necessária.


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II – Lógica do conceito

 

A ideia

 A ideia e seu signo


Ideia é a representação mental e abstrata de um objeto. É a percepção intelectual de uma essência.

A ideia é o resultado da simples apreensão, é o termo do ato mental que capta uma essência. Se chama ideia porque a semelhança do objeto expressada na mente.

Também se chama conceito porque a mente concebe em si o objeto. Verbo mental porque é como uma palavra interna, pela qual a mente se diz do objeto.

Se dão vários atos apreensivos. Os principais são:

a) A atenção é o ato pelo qual a mente se concentra num objeto, ou o ato pelo qual se dirige a um objeto com preferência dos demais.

b) Abstração é a atividade pela qual a mente separa uma parte de um todo.

c) Reflexão é o ato pela qual a mente se volta sobre si mesma. Pode ser: 1) psicológica e 2) ontológica.

É reflexão psicológica se a mente considera seu próprio ato, como uma modificação do sujeito; é reflexão ontológica se a mente considera o próprio ato como representação do objeto.

  

Diferenças entre ideia e imagem

 É muito importante diferenciar a ideia da imagem. Ideia e imagem se diferenciam do seguinte modo:

1) A imagem é produzida pela imaginação ou fantasia que é uma faculdade material e orgânica. A ideia é produzida pela inteligência – do latim interlegere: ler dentro – que é uma faculdade imaterial. Um animal possui imagem, mas não ideias.

2) A imagem é particular e concreta. A ideia é universal e abstrata. Tenho imagem deste homem como o todo que faz dele e não de outro; ao contrário tenho ideia de homem. Tenha-se em conta que ideias particulares, mas propriamente não são a junção de uma ideia abstrata com várias imagens que a fazem aplicável a um só objeto.

3) a imagem é a reprodução de uma sensação; a ideia é independente intrinsicamente da sensação. Por exemplo, contemplo o pôr do sol, em seguida, por meio da imaginação, reproduzo as cores percebidos no pôr do sol; ao contrário, pela ideia, capto não este ou aquela cor senão a cor em geral.

 

Divisão das ideias

 A ideias podem dividir-se desde diversos pontos de vista. E assim temos que as ideias se dividem:

A Por razão de sua origem, em primitivas e derivadas. Ideia primitiva é a que se adquire por influência do objeto mesmo. Exemplo: Rosa.

Pode ser direta e reflexiva. Direta, se o representado é algo externo. Exemplo: árvore. Reflexiva, se o representado é algo interno: Exemplo: tristeza.

Ideia derivada é a que forma a mente não tendo presente o objeto mesmo recorrendo a outras ideias. E pode ser: arbitraria, se forma al arbítrio do sujeito. Exemplo: a ideia de sirene. Discursiva, se forma mediante o raciocínio. Exemplo: a ideia de alma.


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b) Por razão d sua perfeição subjetiva as ideias que podem ser obscuras e claras. As claras, podem ser confusas e distintas.

Por perfeição subjetiva se entende a maior ou a menor claridade com que o sujeito capta o conteúdo da ideia.

Ideia escura é aquela pelas qual não podemos distinguir um objeto de outros. Exemplo: animal racional respectivo ao homem.

Ideia clara confusa é aquela pela qual captamos um objeto distinto de outro, mas não precisamente aquele em que se distingue. Exemplo: a ideia que o jardineiro tem das plantas.

Ideia clara distinta (detalhada) é aquela pela qual conhecemos o objeto com tal claridade que conhecemos suas propriedades. Exemplo: a ideia que o botânico tem das plantas.

 

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c) Por razão d sua perfeição objetiva: extensão e compreensão.

Por perfeição objetiva se entende a maior ou menor claridade com que a realidade está representada na ideia.

Um objeto pensado está na mente como uma essência abstrata. E pode apresentar dois aspectos: compreensão e extensão. A compreensão é o conjunto de notas (características) ou perfeições que constituem uma ideia (essência). Exemplo: a ideia homem “compreende” contém, as perfeições de substância, vivente, sensitivo, inteligente, etc.

A extensão é o conjunto de indivíduos ao que se aplica uma ideia. Exemplo: a ideia homem se aplica a todos que tenham natureza humana.

A compreensão de uma ideia é, pois, o conjunto de caracteres essencialmente contido nela; sua extensão, o conjunto de sujeitos (reais ou não) aos que a tal ideia se pode aplicar.

Eis a lei lógica: a compreensão e a extensão das ideias se relacionam em razão inversa. A maior compreensão de uma ideia, menor extensão e vice-versa: a maior extensão, menor compreensão. Exemplo: a ideia de “criança mexicana”, tem maior compreensão que a ideia “criança” e esta tem maior extensão que a ideia “criança mexicana”.

1) Por razão da compreensão, as ideias podem ser concretas, abstratas, positivas e negativas.

Ideia concreta é a que significa uma perfeição e o sujeito que a possui. Exemplo: sábio, bom.

Ideia abstrata é que significa só a perfeição sem o sujeito. Exemplo: sabedoria, bondade.

Nota. Uma ideia sempre é abstrata, mas se diz concreta quando implica u sujeito ainda que seja indeterminadamente.

Ideia positiva é a que representa uma realidade ou perfeição real. Exemplo: árvore, ciência.

Ideia negativa é a que representa negação da realidade. Exemplo: obscuridade.

2) Por razão da extensão das ideias podem, ser: particulares, universais e transcendentais.

Ideia particular é a que se aplica a um só indivíduo, mas de uma maneira indeterminada. Exemplo: algum homem, qualquer livro.

Ideia universal é a que se aplica a muitos unívocos e distributivamente, é afirmar, cada um deles e em mesmo sentido. exemplo: homem, animal.

Para expressar as ideias particular e universal, tem eu usar o singular e não o plural pois a ideia não é uma soma de indivíduo senão uma essência abstrata, um tipo de ser.

Tem que afirmar: algum gomem e não alguns homens; todo homem e não todos os homens. As palavras algum e todo são uma espécie de expoente que indica em que extensão se toma uma essência.

Ideia transcendental é a que aplica a todas as coisas, não univocamente senão analogicamente. É dizer, lhes predica essencialmente, mas com diferente perfeição. Há quatro tipos de ideias transcendentais: ente, uno, verdadeiro e bom.

Não confunda a ideia universal com a ideia transcendental. A ideia universal, se aplica a muitos indivíduos (não a todas as coisas), ou também pode se aplicar a todos os indivíduos de uma espécie, mas somente de uma espécie e nenhuma maneira a todas as coisas. ´por exemplo, cão é uma ideia universal que se aplica a todos os indivíduos que pertencem à espécie cão. Em contrapartida, a ideia transcendental se aplica absolutamente a tudo, de qualquer espécie ou gênero que seja. Toda ideia é, de seu, universal, mas se pode particularizar e singularizar. Neste caso aplicamos a ideia a um dos inferiores que estão contidos nela. Por exemplo, a ideia de árvore representa a todas as árvores, mas se aplicamos a alguma árvore sem determinar qual, particularizamos a ideia, e se a aplicamos a esta árvore determinada, simplesmente singularizamos a ideia.

Esquematicamente, as ideias por sua perfeição objetiva se dividem em:


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d) Por suas relações mútuas, as ideias podem ser: idênticas e diversas.

Ideias idênticas são as que representam o mesmo objeto. E podem ser formalmente idênticas e materialmente idênticas.

Formalmente idênticas são as que tem a mesma compreensão. Exemplo: homem e animal racional, tem o mesmo objeto formal.

Materialmente idênticas, as que tem o mesmo objeto material, ou seja, as que não tem a mesma compreensão. Exemplo: ao referir-se alguém a um papel que está mostrando, pode dizer: “este papel” ou “esta folha’ e ambas as ideias são idênticas enquanto significam o mesmo objeto material.

Ideias diversas são as que expressam coisas distinta. Exemplo: árvore, sol.

Podem ser: conciliáveis e inconciliáveis.

A ideias conciliáveis são ideias diversas que podem encontrar-se em um mesmo objeto. Exemplo: brancura, dureza.

Inconciliáveis são as que não podem encontrar simultaneamente no mesmo objeto: redondo, quadrado.

A inconciliáveis podem ainda ser: contraditórias, contrárias, privativas e relativas.

Contraditórias são aquelas das quais uma nega exatamente o que outra ideia afirma. Geralmente se formam antepondo a palavra “não” à ideia. Exemplo: material, não material.

Contrárias são as ideias das quais uma só nega o que a outra afirma senão que também afirma algo próprio. Seu significado se opõe. Exemplo: branco, negro; bom, ruim.

Privativas são aquelas na quais uma indica uma perfeição e a outra indica a falta (privação) daquela mesma perfeição em quem deveria ser mantido. Exemplo: visão, cegueira.

Relativas são as ideias que expressam perfeições, das quais uma afirma referência, mútua e necessária, à outra. Exemplo: pai e filho; maior e menor. Direita e esquerda, etc.

 

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III - O Juízo
 

O juízo é o ato central do conhecimento humano. Se diferencia do conceito e do raciocínio. O conceito é somente princípio do conhecimento porque se reduz a formar conteúdos sem relacioná-los com o ser; ao contrário, o juízo é o conhecimento pleno porque relaciona os conteúdos com o ser e é uma expressão da existência dos conteúdos. O raciocínio é o alto pela qual que a mente, da afirmação de uma ou várias proposições passa afirmar outra em virtude da captação de sua conexão necessária, portanto, o conceito é preparação do juízo e o raciocínio é seu desenvolvimento.

 

Definição do juízo

 Etimologicamente juízo vem do latim iudicium (do verbo iudicare, julgar) porque assim como em um processo o juiz pronuncia a sentença, nosso entendimento, quando julga, emite uma sentença.

Juízo é o ato mental pela qual afirmamos ou negamos o ser das coisas. Este ser que afirmamos ou negamos é real, ideal ou imaginário.

Também pode-se definir o juízo como sendo o ato do entendimento pelo qual afirmamos ou negamos a identidade de duas ou mais ideias. No primeiro caso, o juízo é afirmativo: João é justo; no segundo caso, é negativo: a mentira não é boa.

Todo juízo tem uma função existencial enquanto relaciona a essência com o ser, ou seja, ao julgar os objetos expressamos que lhe convém o ser. No conceito captamos simplesmente uma essência; no juízo a referimos ao ser porque o juízo é a redução do ente ao ser.

 

Natureza do juízo

O juízo afirmativo indica identidade entre dois conceitos. Esta identidade pode ser material ou formal.

Se dá identidade material quando a compreensão do sujeito e do predicado é diferente: Tomé é músico. A identidade material significa que o predicado está contido entre as notas que constituem a compreensão do sujeito o que o sujeito é um dos inferiores da extensão do predicado.

Há identidade forma (ou identidade de compreensão) quando a compreensão do sujeito e do predicado é a mesma. Exemplo: o homem é animal racional.

A simples apreensão comparativa, não é todavia o juízo senão que se necessita a afirmação (ou negação). Então, a simples apreensão já nos dá o conteúdo no ser. Por isso mesmo, os conceitos de sujeito e predicado, que formarão o juízo, não estão presentes à mente como dois conceitos senão como conceitos relacionados, como unificados por um nexo; e isto é o que afirma o juízo ao ver esse nexo e ao referi-lo à realidade.

A síntese é de três ideias: ideia-sujeito, ideia-predicado, ideia-qualidade. Por exemplo: este livro é branco. Livro, ideia-sujeito; branco, ideia-predicado; brancura, ideia-qualidade.

Claro que nem todos os juízos são como o anterior, mas em todo caso no juízo se dá:

a) apreensão de duas ideias;

b) comparação subjetiva;

c) afirmação ou negação de identidade.

 

Elementos do juízo

Os elementos do juízo são: sujeito, predicado e nexo lógico verbal ou cópula de ligação. Os dois primeiros são o elemento material. O nexo verbal é o elemento formal. Nos juízos existenciais não há predicado explícito, mas vai implícito no verbo. Desse modo, “Cipião existe”, equivale a “Cipião é alguém a quem lhe corresponde o ser”, o “Cipião tem (ou é) ser”.

Sujeito é aquilo de quem se predica algo.

Predicado é o que se predica do sujeito.

O nexo verbal expressa a relação necessária com o ser.

Na Lógica todos os verbos se reduzem ao verbo ser (já proposto nos tratados de Aristóteles sobre a Lógica).

 

Divisão do juízo

O juízo se divide atendendo a diversos pontos de vista. Ou seja, por razão da qualidade; por razão da matéria; por razão da extensão; por razão do modo como se conhece o nexo; por razão da modalidade. 

a)Por razão da qualidade essencial os juízos são afirmativos ou negativos. Exemplo: Marcus é músico; Titus não é pedreiro.

Por razão da qualidade acidental os juízos são verdadeiros ou falsos. Exemplo: dois e dois são quatro; o círculo é quadrado. “No juízo afirmativo, o predicado convém ao sujeito; no negativo, o predicado não convém ao sujeito”. Juízo verdadeiro é o que está de acordo com a realidade; falso, é o que não está de acordo com a realidade.

b) Por razão da matéria dos juízos são: necessários, impossíveis, possíveis e contingentes.

O juízo é necessário se o nexo entre sujeito e predicado não pode ser de outra maneira. Exemplo: o círculo é redondo.

O juízo é impossível s o predicado necessariamente rejeita o sujeito. Exemplo: o círculo é quadrado.

O juízo é possível s o predicado não convém atualmente ao sujeito, mas pode converter-lhe. Marcus é filósofo (quando apenas está estudando Filosofia).

O juízo é contingente se o predicado convém ao sujeito, mas pode não lhe convier. Exemplo: Titus é rico.

c) Por razão da extensão, os juízos são universais, particulares, singulares e indefinidos.

Um juízo é universal quando leva uma partícula que indica universalidade (todo, nenhum). Exemplo: todo homem é racional.

Particular, quando se refere a uma parte indeterminada da extensão de um universal. Exemplo: alguns homens são sábios.

Singular, se refere a um só indivíduo. Exemplo: Platão foi um renomado filósofo.

Indefinido, se não leva sinal nem de universalidade nem de particularidade. Exemplo: o homem é mortal. Mas em matéria necessária, um juízo indefinido equivale a um juízo universal. Desse modo, “o homem é mortal”, equivaler a “todo homem é mortal”. E na matéria contingente o indefinido equivale a um particular: “o sábio é humilde”, equivale a “alguns sábios são humildes”.

d) Por razão do modo como se conhece o nexo dos juízos são analíticos e sintéticos.

Analítico ou a priori é aquele no que o nexo entre sujeito e predicado se conhece somente por análise, ou seja, antes da experiência. Ao analisar o sujeito e predicado se descobre que o predicado pertence à essência do sujeito ou que é uma propriedade que necessariamente emana da essência ou é que aquele cujo sujeito já possui implicitamente ao predicado. Exemplo: o triângulo é uma figura.

Se o predicado pertence à essência então o juízo analítico se chama constitutivo. Exemplo: o ser racional é capaz de pensar. Se o predicado é tão só propriedade da essência, o juízo se chama consecutivo. Exemplo: o homem é capaz de rir.

Juízo sintético ou a posteriori é no que o nexo entre sujeito e predicado se conhece a partir da experiência. Exemplo: o fogo queima.

E por razão da modalidade dos juízos são problemáticos, apodíticos e assertórios.

Juízo problemático é o que expressa que algo pode ser ou não ser. Exemplo: é possível que haja habitantes em Marte.

Juízo apodítico é o que enuncia algo como absolutamente necessário ou absolutamente impossível. Exemplo: o triângulo tem três lados; dois e dois são quatro.

Juízo assertório é o que simplesmente enuncia um fato, diz simplesmente é ou não é. Exemplo: Colombo descobriu a América.



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IV – O Raciocínio

Quando expressamos nossos pensamentos, não emitimos juízos isolados. Ordinariamente, um juízo provoca outro juízo entre os quais se dá uma relação. Este encadeamento de juízos no qual um deles se deduz de outro é o raciocínio. Partimos de algo conhecido (primeiro juízo e chegamos a algo novo, a algo eu talvez não conhecíamos).

O conceito é elemento do juízo. O juízo é uma relação enunciativa entre conceitos. O raciocínio é uma relação entre juízos. Assim como o juízo não é qualquer relação entre conceitos, pois se não enuncia não é juízo; assim o raciocínio não é qualquer relação entre juízos.

O raciocínio é uma relação em que um dos juízos (que se chama conclusão) se deriva de outro ou de outros (chamados premissas). Simbolicamente se pode representar assim o processo do raciocínio: A = B, B = C, logo A = C. Se afirmarmos que “todos os metais são bons condutores de eletricidade, o cobre é metal, logo o cobre é bom condutor de eletricidade”, encontramos entre duas ideias uma relação que antes desconhecíamos.

Nem toda relação entre juízos é um raciocínio. Se dissermos “o cão é um anima e o metrô é um veículo” há relação entre os juízos, mas não há raciocínio. Para que haja raciocínio, se necessita que um juízo seja consequência de outro. Então, para que exista raciocínio deve haver duas condições:

1º) que entre os juízos haja ordem lógica, de modo que primeiro se deem as premissas e depois a conclusão;

2 que haja conclusão, é dizer, que não se trata de um processo arbitrário, sem que a conclusão resulte da relação que há entre os juízos. Por isso, entre as premissas e a conclusão deve existir conexão de verdade. Enquanto, para que o raciocínio exista, a conclusão tem que ser distinta das premissas.

Portanto, se deduz que o raciocínio, como ato da mente, consiste em passar de uma verdade conhecida a uma verdade desconhecida.

Assim o raciocínio é o ato da mente pela qual uma verdade conhecida se deduz outra verdade desconhecida. Ou também: é o ato pela qual a mente de um conhecimento dado deduz um conhecimento novo.

 

Matéria do raciocínio

 A matéria, é afirmar, aquilo de onde se forma o raciocínio, é dupla: matéria remota e matéria próxima. Se analisarmos um raciocínio encontramos imediatamente juízos e depois encontramos ideias. Os juízos são a matéria próxima do raciocínio, e as ideias são a matéria remota, pois, os juízos são constituídos de ideias.

 

A forma do raciocínio

 A forma do raciocínio é o que dá o seu caráter distintivo. E o que caracteriza ao raciocínio é que um juízo se deduz legitimamente de outros. E para que um juízo se deduza legitimamente de outros necessita que haja entre eles ilação ou nexo. A forma, pois, do raciocínio é o nexo entre os dois primeiros juízos e o terceiro.

A forma do raciocínio se cama consequência, que não se deve confundir com o consequente ou conclusão. La conclusão é o terceiro juízo deduzido de outros dois.

A consequência é a relação necessária entre os três juízos que constituem o raciocínio.

Por esta razão, há que distinguir entre retitude e verdade no raciocínio. É reto o raciocínio quando há consequência, ou seja, quando o nexo entre dois juízos é tal que, admitidos eles, é necessário admitir o terceiro ou o consequente.

É verdadeiro o raciocínio se cada um dos juízos está de acordo com a realidade.

A consequência não é verdadeira nem falsa senão legítima ou ilegítima, se dá ou não se dá.


Imagem 09 - fonte: Canva premium
 

Classes do raciocínio

Duas são as formas principais do raciocínio: dedução e indução.

O raciocínio dedutivo é o ato pela qual a mente deduz legitimamente um juízo particular de um juízo universal:

 

Todo homem é mortal,

Sócrates é homem,

Logo, Sócrates é mortal.

 

O raciocínio indutivo é o ato pela qual a mente deduz um juízo universal de um juízo particular:

 

este metal A é dilatável pelo calor;

este metal B é dilatável pelo calor;

este metal C é dilatável pelo calor;

logo, todo metal é dilatável pelo calor.

 

Percebe-se claramente que a indução vai do particular ao universal e que a dedução vai do universal ao particular. Ao afirmar que a indução vai do particular ao universal, entende-se que vai das espécies aos gêneros; então é melhor afirmar que a indução vai do especial ao geral. E aqui está implicado o próprio da indução: passar do singular, que é o objeto dos sentidos, ao universal, que é objeto da inteligência.

A dedução vai do geral ao especial, ou seja, de uma proposição universal a uma proposição particular ou a uma proposição singular. Mas isto não é sempre assim, como se constatará ao tratar dos modos do silogismo. Então o que diferencia e caracteriza as duas classes de raciocínio, é que enquanto a indução passa do nível sensível ao nível inteligível. Portanto, a dedução e a indução se diferenciam em respeito á natureza do antecedente: a dedução procede do universal; a indução procede do singular.

 

A expressão do raciocínio

Assim como a palavra é a expressão da ideia, e a proposição o é do juízo, assim a argumentação é a expressão do raciocínio, ou a atividade mental em que uma proposição se infere de outras com as quais tem conexão.

 

Princípios do raciocínio

 O raciocínio dedutivo se apoia imediatamente nos seguintes princípios:

1º Princípio de identidade: duas ideias que convém com uma terceira, convém entre si.

2º Princípio de discrepância: duas ideias, das quais uma convém com uma terceira e a outra não convém com a mesma terceira, e de modo nenhum convém entre si.

Aristóteles enuncia princípios anteriores na seguinte forma:

De identidade: “todo o que se afirma de um sujeito, tomado universal e distributivamente, deve afirma-se de todos os seus inferiores separadamente”.

De discrepância: “todo o que se nega de um sujeito tomando distributivamente, se deve negar de todos seus inferires tomados separadamente.”

Estes enunciados aristotélicos podem ser esquematizados assim:


Imagem 10 - fonte: arte desenvolvida por Ludus Schola

 

 Quando se diz: “todo homem é animal”, se afirma que o homem é um inferior à ideia “animal” e que está contido na extensão de “animal”.

Há que notar que quando se diz que os extremos se identificam com o meio, se trata de uma identidade material e não de uma identidade formal, como expresso no exemplo:


Todo homem é mortal.

Titus é homem.

Titus é mortal.


A identidade entre “homem” e “mortal” e entre “Titus” e “homem”, é material pois todo o significado pelo predicado se dá no sujeito, sem excluir os outros inferiores da extensão do predicado.

A identidade será formal quando o sujeito e o predicado tenham exatamente a mesma extensão e a mesma compreensão; ou quando a compreensão das ideias é a mesma. Exemplo:


O homem é animal racional: identidade formal.

Titus é homem: identidade material.


A consequência pode ser material e formal. A consequência formal se dá em virtude da forma e vale em qualquer matéria. A consequência material é a que se dá de fato, mas por razão da matéria de que se trata. Desse modo, o consequente está contido no antecedente, mas não porque tem guardado a devida forma senão porque assim o pede a matéria, de tal modo que trocando a matéria já não existe consequência. Exemplo:


Titus é substância.

Portanto, é animal.


Existe, portanto, consequência material, não formal. 




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