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A América pré-colombiana I - Os astecas

 


Na América pré-colombiana havia grandes culturas que desapareceram: a dos astecas, no México, com uma escrita hieroglífica, escolas, monumentos, comércio desenvolvido e conhecimentos de matemática e astronomia; a dos maias, principalmente no Iucatan, mais adiantada, e de cujas grandes cidades ficaram ruínas admiráveis; e a dos incas, do Peru, com interessante organização social e notável sistema de estradas, sendo seu império, mais que os dos povos antecedentes, prodigiosamente rico.

 

As grandes culturas indígenas da América

 

No planalto de Anauac (México) floresceu a nação dos astecas. A região era antes habitada por um povo já civilizado, dos nauás, os toltecas, cuja capital se chamava Tula (1). Os belicosos astecas, invadindo o planalto, conseguiram dominá-lo e fundaram, pelo começo do século XIV, a cidade que veio a ser a capital do México (2).

O chefe militar da capital era também o do governo da nação, o “Chefe dos homens”, impropriamente chamado imperador; sua autoridade limitava-se por um tribunal que julgava as questões militares, civis e políticas e por um grande conselho. Havia numerosos funcionários.

A terra não constituía propriedade individual: pertencia à comunidade que, só para os efeitos de cultivo, a dividia em lotes, pelos chefes de família.

A legislação, rigorosa, punia de morte os assassinos, os traidores, os sacerdotes que faltavam aos votos sagrados; eram castigados severamente os ladrões, os que se embriagavam, os que não cultivavam as terras para tal fim recebidas.



IMAGEM 01 - Acervo Ludus Schola. 

A pirâmide de Chichén Itzá (lucatan)

Dentre as ruínas de Chichén-Itzá, que cobrem cerca de km2, destaca-se desta pirâmide, templo de Kukultan: tem 60 metros de lado e 20 de altura.  



Forma de governo


Não havia castas; dividiam-se os astecas em três classes: os sacerdotes, com funções hereditárias, uma certa nobreza e o povo, com os escravos. Os funcionários e militares dispunham de grande prestígio.

Não se conhecia o uso do ferro; as armas usadas eram o machado de cobre, a clava, flechas com pontas de metal e de osso, escudos e uma espécie de espada de dois gumes.


Educação e alimentação dos astecas


A educação das crianças, começada no lar pelas mães, completava-se em escolas. Não se usava o nome de família.

O milho constituía a base da alimentação, empregando-se também cacau, mel e carne de diversos animais. Era comum o uso do fumo e de bebidas fermentadas.

As casas, construídas de pedra ou de adobes (3), eram geralmente baixas e encimadas por terraços.

Os astecas haviam progredido bastante na agricultura: plantavam milho, algodão, fumo e árvores frutíferas e faziam canais para irrigação das terras. Tinham tecidos de algodão e interessantes trabalhos de cerâmica e de ourivesaria.


IMAGEM 02 - Acervo: Ludus Schola

A crus de Palenque

Nas ruínas dum templo da cidade mala de Palenque vê-se uns grande baixo-relevo que se tornou notável pela cruz que nele se encontra; sobre uma cabeça eleva-se grande cruz de braços palmados, entre duas personagens em atitude de oferenda e sacrifício. Aos lados das figuras há numerosas inscrições que não foram ainda decifradas.



 

Não conheciam o uso de veículos nem de animais para transporte: os escravos e necessitados faziam as funções de bestas de carga. Havia casas de comércio, mas era nas feiras periodicamente realizadas em algumas cidades, que as transações atingiam maior vulto.

Tinham uma escrita hieroglífica e escreviam numa espécie de pergaminho (4) recoberto de calcáreo. Nalgumas cidades encontravam-se bibliotecas, mas são raros os livros astecas que puderam ser salvos da destruição ao tempo da conquista (5). Dividiam o ano em 20 meses de 18 dias e mais 5 suplementares. Cultivavam algumas ciências, como a matemática e a astronomia.


IMAGEM 03 - Acervo: Ludus Schola

A pedra do rei Tizoc

Monolito descoberto numa escavação perto da catedral do México, julga-se que servia para nela se depositarem os corações das vítimas sacrificadas ao deus.



São admiráveis os restos de suas grandes cidades, com templos e monumentos, com esculturas, ornatos, e figuras grotescas. Os mais interessantes, os teocalis, são templos em forma de pirâmide de vários andares; o mais famoso é o de Xoxicalco, orientado pelos pontos cardeais e de cerca de cem metros de altura.


Aspectos religiosos


A religião compreendia a adoração das forças naturais divinizadas e dos astros. O culto exigia, todos os anos, horrível sacrifício de centenas de homens, mulheres e crianças aos quais abriam o peito e arrancavam o coração.

O maior dos deuses era o da guerra, o “Colibri do Sul”; o Sol, Tonatiu, o “Espelho Fumegante”, representava-se pelo jaguar e pela serpente.







(1) Atribue-se ao império dos toltecas duração de quatro séculos; depois da invasão dos astecas e destruição de Tula emigraram, segundo parece, para Guatemala, Campeche e outros pontos da costa do Pacífico e do golfo do México. A forma piramidal que distingue a arquitetura mexicana foi por eles criada. De seus monumentos distinguia-se a pirâmide de Xoxicalco, erguida sobre uma base de basalto de 120 metros de altura. Eram interessantes sua escultura e trabalhos de cerâmica. Tinham curiosas pinturas murais em que predominavam as cores rosa, verde, negra, vermelha, branca e amarela; num de seus mais famosos trabalhos, representando a “celebração dos dons da natureza”, notam-se, como nas pinturas egípcias, figuras nas mais diversas atitudes, porém, sempre de perfil. Foram os toltecas os primeiros no México a usar a escrita hieroglífica, atribuindo-se lhes a invenção do sistema de numeração e do calendário que mais tarde foram usados pelos astecas. (M. SOLA, Arte pre-colombiana, 14 e seg.).

(2) Era Tenocticlan, construída numa ilha do lago de Texcoco.

(3) Grandes tijolos secos ao sol e empregados crus.

(4) Também usavam, como os maias, para escrever, um papel feito com fibras de agave americano ou maguei (piteira).

(5) Alguns deles se encontram, salvos pelo zelo de sacerdotes, nas bibliotecas de Bolonha e do Vaticano.





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