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O Simbolismo português

 


Surgiu na França com Jean Moréas, Verlaine, Mallarmé, Rimbaude e passou-se a Portugal, em 1890, através de Eugênio de Castro com sua obra Oaristos.

Reagindo contra o objetivismo parnasiano, os simbolistas propugnam por uma poesia, que é a expressão das camadas mais profundas do subconsciente humano. Como as descobertas do mais íntimo do “eu” são de difícil revelação, os poetas as sugerem, utilizando para tanto de uma linguagem metafórica, onde predominam os símbolos da coisa que se quer expressar, ao mesmo tempo em que, por meio de aliterações, cadências, ritmos bem estudados, faziam a poesia aproximar-se da música. Tal poesia era de elite, continuando popular, por ser mais fácil, o parnasianismo.

Eugenio de Castro (1869-1944) publicou Oaristos, em cujo prefácio expõe a doutrina estética do simbolismo, e Horas. O restante de sua obra é de uma poesia tradicional, clássica.

 

O Sonho

 

Na messe que enloirece, estremece a Quermesse;

O sol, celestial girassol, esmorece…

E as cantilenas de serenos sons amenos

Fogem fluidas, fluindo à fina flor dos fenos...

As estrelas com seus halos

Brilham com brilhos sinistros…

Cornamusas e crótalos,

Cítolas, cítaros, sistros

Soam suaves, sonolentos,

Sonolentos e suaves

Em suaves, lentos lamentos

De acentos

Graves...

Suaves...

Flor! enquanto na messe estremece a Quermesse;

E o sol, o celestial girassol, esmorece,

Deixemos estes sons serenos e amenos;

Fujamos, Flor! à flor destes floridos fenos...

Soam vesperais as Vésperas…

Uns com brilho de alabastros,

Outros loiros como nêsperas,

No céu pardo ardem os astros.

Como aqui se está bem. Além freme a Quermesse.

__ Não sentes um gemer dolente que esmorece?

Beijos se beijam, Flor! à flor dos frescos fenos...

As estrelas com seus halos

Brilham com brilhos sinistros…

Cornamusas e crótalos,

Cítolas, cítaras, sistros

Soam suaves, sonolentos,

Sonolentos e suaves

Em suaves, lentos lamentos

De acentos

Graves...

Suaves...

Três horas da manhã. Desperto incerto… e essa Quermesse?

E a flor que sonho? e o sonho? Ah! tudo isso esmorece!

No meu quarto uma luz como lumes amenos…

Chora o vento lá fora, à flor dos flóreos fenos.

 

(Eugênio de Castro, Obras Poéticas)


 Leia também: O Romantismo Português


Antonio Nobre (1867-1900), que publicou Só, deixando inéditos Despedidas e Primeiros Versos.

Camilo d’Almeida Pessanha (1867-1926), um dos maiores nomes da literatura portuguesa e o maior dos seus simbolistas, tendo integrado também a geração das revistas Orfeu e Centauro, iniciadoras do Modernismo português. Em Pessanha se realizam todas as virtualidades do simbolismo. Obras: Clepsidra (poesias) e China (estudos e traduções sobre a cultura desse país, que o poeta muito bem conheceu).


Imagem 01 - Acervo Ludus Schola
Teixeira de Pascoaes

A margem do movimento simbolista, podemos apontar ainda Teixeira de Pascoaes (Joaquim Teixeira de Vasconcelos) 1877-1952, que lidera o movimento renovador da Renascença Portuguesa e cria o Saudosismo, expressão poética com que procurou caracterizar o gênio da raça portuguesa e cuja concepção o revela na afirmação de sua doutrina nacionalista; Florbela de Alma da Conceição Espinca (1894-1930), cujo drama íntimo e a exposição sincera das inquietações e impulsos amorosos de natureza erótica, colocam-na ao de Sóror Mariana Alcoforado. Obras: Livro de Mágoas, Livro de Sóror Saudade, Charneca em Flor.

Na prosa, embora o romance retrate apenas aspectos culturais do fim do século e não sejam simbolistas; pois o simbolismo é na poesia, destacam-se Raul Brandão (1867-1930), com Pescadores e As Ilhas Desconhecidas; Jaime de Magalhães Lima; Carlos Malheiro Dias e Antero de Figueiredo. No teatro, Júlio Dantas, com A Ceia dos Cardeais (comédia).

 


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