Introdução ao Latim
Por que estudamos Latim?
Pelo tempo de César, 100 a 44 a. C., os romanos dominavam todos os países (vasto Império Romano) em torno do Mediterrâneo. Finalmente, o seu império se alargou por todo o mundo civilizado, desde a Britânia até o deserto de Saara, desde o Oceano Atlântico até o rio Eufrates. Nunca dantes tão grande número de nações haviam sido governadas por um único povo; nunca no futuro tão grande parte do mundo civilizado haveria de assim unir-se sob um só governo. Espalhados por toda a Europa e também na Ásia Ocidental até os limites do Hindostão.
É sobre esse povo, nos dias de
sua grandeza, que haveis de ouvir, de ler e de estudar sua língua, o latim –
língua sintética e rústica com pronúncia seca e severa – costumes e modos e
principalmente, estudar com afinco o idioma dos antigos romanos, povos
supersticiosos, que tinham como religião o paganismo e crença nos deuses.
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O latim contribui para o conhecimento de línguas modernas
O latim recebeu o seu nome de Látium,
– devido a região ao qual se encontra Roma, na planície do Lácio (latium),
pequeno território ao sul do Tibre, onde Roma estava situada. Quando os romanos
começaram as suas conquistas, espalharam a sua língua não só na Itália, mas
também na França, Espanha e outros países do Mediterrâneo.
Todas as línguas faladas
sofrem contínuas mudanças. O português que falamos hoje não é o mesmo que
falaram os antepassados, há seiscentos anos. Expressões novas, palavras
estrangeiras, termos científicos introduzem-se continuamente em nossa língua.
Contudo, o latim espalhado em
diversos países da Europa foi alvo de muitas mudanças, e ao venver os séculos, tornou-se
francês na França, Sardo, na Sardenha, italiano na Itália, espanhol na Espanha,
português em Portugal, rumeno na Rumânia e Dalmático (língua extinta) e influenciou
diversas outras línguas e deu origem a inúmeros dialetos.
Por isso A. Meillet, sábio filólogo francês, afirma com razão: “Para quem sabe latim, o italiano, o espanhol, o português, o francês são já semifamiliares”.
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O conhecimento das palavras
latinas não só vos fará entender a significação de muitas palavras portuguesas
que antes ignoráveis, senão também vos fará apreciar melhor o verdadeiro
sentido de muitas que antes achavas conhecer. Se adquirirdes agora o hábito de
perseguir até a sua origem latina qualquer palavra nova que encontrardes na
leitura, descortinareis sempre novos horizontes no conhecimento da nossa
própria língua e adquirireis um domínio sempre maior de expressão, que vos será
de suma utilidade mais tarde, porque melhorar o vosso português é melhorar a
vossa eficiência em qualquer profissão.
Além disso, o latim vos fará
compreender nomes, citações; referências que se encontram a cada passo em todos
os autores da nossa literatura. Impossível é apreciar a fundo os grandes
escritores da nossa língua, sem conhecimento de latim. Ele ainda é uma língua
viva e de grande utilidade para entendimento da linguagem, como método lógico,
pois seu estudo exige disciplina e concentração, considerado a matemática das
línguas.
O latim ajuda no estudo das ciências
A ciência jurídica baseia-se
no Direito Romano. Estudar Direito Romano sem conhecer latim é absurdo. É a
mesma coisa que tomar banho sem sabonete.
A maioria dos termos da
medicina e de todas as ciências naturais é de origem latina, e memorizar esses
termos sem lhes penetrar a força íntima, não é digno de um ser racional, e
muito menos de um cientista.
O que o ensino do latim
pretende é ainda aguçar a inteligência, é fortalecer a vontade, é desenvolver o
espírito para, para que se possa chegar aos complexos problemas da ciência,
poder observar, raciocinar, discutir, julgar com critério e emitir com clareza
a vossa opinião – envolve todo o bojo filosófico e as reflexões ao modo de
pesquisa de exclusivo de Ludus Schola denominado de “Filosofia do Latim”. Com o
conhecimento em Latim estará preparado intelectualmente diversas profissões e, para
seguir o regime das Universidades, o método dos professores e apto a aprofundar
em qualquer ciência em suas pesquisas e lucubrações.
O comum é ensinar Latim desde
a tenra infância, começando pela primeira série do grau primário, aperfeiçoar
seus estudos ou aumentar o grau de dificuldade no Ensino Fundamental (extinto
ginásio) e adentrar ao estudo massivo das conjugações verbais no modo passivo –
o latim possui diversas reflexões verbais, diferentes da gramática portuguesa,
algumas flexões verbais descambam até ao modo supino. Quando mais a cedo for, a
inteligência colabora para que a memória seja suficiente e vá se adaptando
gradualmente ao regime e às regras do latim – é uma língua cheia de regras que
exige máxima concentração, foco e pensamento aguçado para compreender suas
normas, que se assemelha a jogo, cujo percurso está escondido inúmeros desafios
que instigam à inteligência a resolver e propor soluções a desafios. O latim é
como uma forma que molda o estado primitivo da inteligência, ao qual necessita
ser lapidada, assim como o aço deve ser malhado, aguçado como lâmina, assim o é
a inteligência, para ser aguda, forte, robusta e sagaz, é justamente esse o
ofício do latim.
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Uma oração latina, por pequena que seja, obriga-vos a pensar, a concentrar-vos, e isto por duas razões: primeira, a colocação das palavras na frase latina obedece mais a leis lógicas e retóricas do que a leis sintáticas; segunda, por ser o latim língua sintética, as desinências dos substantivos, adjetivos, pronomes e verbos indicam a função da palavra na frase e, constituindo essa peculiaridade para o espírito volúvel e ligeiro uma barreira que antes deve ser tomada, obriga-vos ela a comparar palavra com palavra, a ponderar terminação por terminação, a concatenar termo com termo. Esse é o trabalho que afia o aço, que lapida o precioso diamante da inteligência.
A pronúncia do latim
Não existe uma regra que
especifique como latim deve ser falado ou pronunciado, por que, até hoje não se
sabe ao certo como os antigos romanos pronunciavam o latim na Antiguidade –
permanece um mistério. Algumas pesquisas apontam que a pronúncia original do
latim foi baseada na língua Sarda e pronúncia do francês antigo, embora todas
as línguas românicas tenham contribuído de alguma forma. Pode ser lido como se
lê português, sendo que, a única diferença é que no latim todas as letras devem
pronunciadas, mesmo àquelas palavras que contém ll como (puella), mn (omnes),
cc (occasus) e etc. Portanto, nenhum país do mundo fala latim
habitualmente (exceto o país Vaticano, onde é possível sacar dinheiro nos
caixas eletrônicos com instruções em latim).
Existem, porém, três
pronúncias atribuídas ao latim. A
pronúncia Romana – utilizada em Roma atualmente, pois a pronúncia do latim se
assemelha à pronúncia do italiano –, Tradicional e a pronúncia Reconstituída,
estruturada sobre sólidas bases científicas tenta se aproximar ao latim
pronunciado pelos romanos cultos e eruditos na época do reinado de Marco Túlio
Cícero.
Ludus Schola a partir de 2022
passou a utilizar como oficial a pronúncia Reconstituída ou Restaurada, a
pronúncia que mais se aproxima ao latim culto na antiguidade; ao qual os cursos
de latim eram ministrados mediante a pronúncia Romana – este tipo de pronúncia
se adapta perfeitamente à doçura do canto gregoriano, enquanto que a pronúncia
Reconstituída é muito rústica, demasiada sonora e seca. Dessa forma temos
algumas regras quanto à pronúncia científica, que difere da pronúncia do
português e da pronúncia Romana:
- O c tem som de k – embora seja escasso o numero de palavras latinas com k. Por exemplo: Cícero, pronuncia-se kíkero.
- A letra g soa como gu, como na palavra guerra, pronuncia-se guerra; gentes, gúentes – lembrando no latim todas as letras devem ser pronunciadas.
- Os ditongos que aprecem frequentes nas declinações, como ae e oe soam no latim reconstituído como a-e e o-e. Na pronuncia Romana ostume se reduzir a uma letra, por exemplo, ripae é pronunciado ripé;
- O j soa como i: jam pronuncia-se iam, jurare, iuráre.
- O s tem sempre o som seco de ss, assim como rosae, rossae;
- A letra v soa como como u – uma das letras que mais dificulta a palavra quando aparece – como por exemplo: vinum, uinum; Vaticanus, Uaticánus.
- O x soa como ks, como nos exemplos: excelsum, eks-kélsum; uxor pronuncia-se úksor.
- O u sempre é soado, em qualquer palavra latina, como exemplo clássico eis que temos qui, ao qual é soado como cuí; anguis, angú-is (basta lembrar do antigo trema empregadas às palavras da língua portuguesa: ü;
- O y costuma aparecer bastante em latim como Aegypto, perystilum... e seu som é semelhante à pronúncia do u na língua francesa. O u tem Francês possui a entonação vocálico muito fechada e p y na pronúncia Reconstituída adquire esta mesma entonação vocálica e fechada, mas em latim, a entonação é rústica, como exemplo, mur (muro em francês) pronuncia-se mîr, perystilum, perîs-tilum;
- O z tem som de dz, como Zelusm, dzélus.
- O h em qualquer palavra, no início ou meio deve ser levemente aspirado como, como por exemplo a palavra em Inglês, hat (chapéu); homines, rómines.
- O l não possui som de u, como alto, malta. Assim como o h que deve levemente aspirado, o l soa como a junção de l/r, como exemplo, Al/rtissimus.
Latim não possui acentos. A
maiorias dos livros de gramática latina, acentuam àquelas palavras que
necessitam de acento com o comum acento da língua portuguesa, como por exemplo:
puella, puélla.
Mas o latim antigo ou o que se
aproxima do falado pelos romanos possui dois tipos de acentos que costumam
aparecer em manuais de latim, assim como em livros literários, dois acentos que
indicam se a sílaba é longa ou breve:
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Portanto, recorremos à
Prosódia, que visa estudar a quantidade de sílabas, e ensina o modo de colocar
o acento tônico nas palavras e há algumas regras para determinar num termo de
mais de duas sílabas:
a) Se penúltima for longa, é
ela a tônica. Exemplos:
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b) se a penúltima for breve, a acento tônico recai sobre a antepenúltima, independente da quantidade que seja de sílabas. Exemplo:
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Declinações
No latim, há cinco declinações
com seis casos, divididos em singular e plural, ao qual configura a morfologia
dos substantivos ou as noções fundamentais de análise sintática. O estudo e entendimento das declinações constitui a base sólida para o estudo da sintaxe latina e estudo aprofundado da literatura romana.
Os casos indicam diversas
relações que o nome pode ter no discurso, ao qual se desdobram em:
- Nominativo: responde à pergunta quem? que? É o caso do sujeito. Ex.: Rex bonus est: o rei é bom.
- Genitivo é o caso que responde à pergunta de quem? de que? É o caso do adjunto atributivo. Indica geralmente a relação de propriedade.
- Dativo responde à pergunta a quem? a que? É o caso do objeto indireto.
- Acusativo é o caso que responde à pergunta o que? É o caso do objeto direto: Patriam defendo: defendo a pátria.
- Vocativo é o caso de chamar ou exclamar. Amice, dilige Deum: amigo, ama a Deus.
- Ablativo que responde à pergunta com que meio? quando? donde? É o caso do adjunto adverbial de modo, instrumento, causa, tempo e etc.
Lectio prima – Terrae
Brasília est terra. Lusitánia et Hispánia sunt terrae. Británnia est ínsula magna. Sicília et
Córsica non sunt ínsulae magnae. Itália paene est ínsula; Itália paenínsula est.
Língua nostra est língua Lusitána. Língua Lusitána paene língua Latina est.
Puélla cantat. Puéllae
cantant: Salve Brasília. Pátria nostra!
Vocabulário
lectio, s. f.: a leitura
prima: a primeira
Brasilia: o Brasil
est, v.: é
terra: (um) país
Lusitania: a Lusitânia
et, conj.: e
Hispania: a Espanha
sunt, v.: são
Britamia: A Britânia
insula: a ilha
magna: grande
Sicilia: a Sicília
Corsica: a Córsega
non: não
italia: a Itália
paene: quase
paeninsula:a península
nostra: nossa
lusitania: lusitana,
portuguesa
lingua: a língua
latina: latina
puella: a menina
canta (n) t, v. :canta (m)
salve, v.: salve!
pátria: a pátria
Compreensão gramatical
Tradução da primeira oração:
Brasilia est terra.
O Brasil é um país.
A oração em latim é concisa,
pois somente três palavras correspondem a cinco. Omitiu-se as palavras o
e um, porque em latim não há artigo.
Analisemos a primeira oração:
Sujeito:
Brasilia.
Predicado: est
terra.
Verbo de ligação: est.
Nome predicativo: terra.
O sujeito em latim é expresso
pelo caso nominativo. O nominativo singular dos nomes da Primeira Declinação
termina em –a. Exemplo.:
Brasilia
Tradução da segunda oração:
Lusitania et Hispania sunt
terrae.
A Lusitânia e a Espanha são
países.
Em português as palavras
variáveis indicam o plural pela sua terminação: país, países.
Em latim dá-se o mesmo
fenômeno: terra, terrae.
Tradução da terceira oração:
Britannia est insula magna.
Sujeito:
Britannia
Predicado: est
insula magna.
Verbo de ligação: est.
Nome predicativo: insula
Adjunto atributivo de insula: magna.
O adjunto atributivo é formado nesta oração por um adjetivo, que concorda em gênero, número e caso com o substantivo, a que se refere. Exemplo:
Britannia est insula magna.
Sicilia et Corsica non sunt
insulae magnae.
Conclusão
O adjetivo concorda em gênero, número e caso com o substantivo a que se refere.
Os substantivos da 1ª declinação têm o nominativo singular em –a e o genitivo singular em –ae. A maioria dos substantivos da 1ª declinação são femininos.
Paradigma para terra, terrae – o país:
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| Tabela 1ª declinação. fonte: Canva premium |
a) os seguintes substantivos femininos:
historia: a história
insula: a ilha
magistra: a mestra
patria: a pátria
puella: a menina
schola: a escola
b) os seguintes substantivos masculinos:
agricola: o agricultor
incola: o morador
nauta: o marinheiro
pirata: o pirata
poëta: o poeta
scriba: o escrivão
Alguns substantivos só existem
no plural e são chamados de pluralia tantum. Exemplo:
angustiae: o desfiladeiro
divitiae: a riqueza
insidiae: a emboscada
nuptiae: as núpcias
Athenae: Atenas
Thebae: Tebas
Alguns substantivos, ainda, no
plural apresentam outro significado. Exemplo:
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Lectio Secunda – Christiáni sumus
Marcus, filius Galbae, pagánus
est. Marcus bullam habet. Marcus et Titus bullas habent. Bulla Marci pulchra
est. Romanórum deos Marcus valde timet.
Nos christiáni sumus. Christiáni
Deum verum adórant et deos falsos non timent.
Deus est iustus et benígnus.
Deus dóminus mundi et scientiárum est. Dei
Providéntia
mundum univérsum adminístrat.
Iesus Christus Fílius Dei est.
Quis est servus servórum Dei?
Vocabulário
octavus, a: oitavo
Marcus, i: Marco
filius, i: o filho
paganus, i: o pagão
bulla, ae: a bula
Titus, i: Tito
timere, v.: verbo
nos, pron.: nós
christianus, i: o cristão
sumus, v.: somos
verus, a, adj.: verdadeiro
adorare, v.: adorar
falsus, a, adj.: falso
iustus, a, adj.: justo
benignus, a, adj.: benigno
dominus, i: o senhor
mundus, i: o mundo
scientia, ae: a ciência
Providentia, ae: a Providência
universus, a, adj.: todo
administrare, v.: administrar
Iesus Christus: Jesus Cristo
quis, pron.: quem
servus, i: o escravo
Compreensão gramatical
O nominativo singular dos nomes da segunda declinação termina em –us; o nominativo plural em –i. Exemplo:
servus, servi
O genitivo singular dos nomes
da segunda declinação termina em –i; o genitivo plural termina em –orum.
servi, servorum
O acusativo singular dos nomes
da segunda declinação termina em –um; o acusativo plural em –os.
servum, servos
A 3ª pessoa singular e plural do presente do indicativo dos verbos da 2ª conjugação termina em –et, –ent.
timet, timent
O verbo concorda com o sujeito
em número e pessoa. Havendo mais de um sujeito no singular, deverá o verbo
estar no plural. Exemplo:
Marcus et Titus bullas habent.
Os substantivos da segunda
declinação terminam no nominativo singular em
–us, –er, –ir e –um.
Paradigma para os terminados em –us: servus, servi – o escravo
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| Tabela 2ª declinação. fonte: Canva premium |
Segundo este paradigma se
declinam:
amicus: o amigo
discipulus: o aluno
fluvius: o rio
gladius: a espada
populus: o povo
ventus: o vento.
· Os substantivos filius: o filho, genius: o gênio, tem o vocativo em –i: filii, geni.
·
Declinação de Deus:
Singular: nom. Deus, gen. Dei,
dat. Deo, acus. Deum, voc. Deus, abl. Deo.
Plural: nom. di (dii, dei),
gen. Deorum (deum), dat. Dis (diis, deis), acus. Deos, voc. Di (dii, dei) abl.
Dis (diis, deis).
Paradigmas para terminados em –er: puer, pueri – o menino
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| Tabela 2ª declinação - terminados em -er fonte: Canva premium |
Segundo este paradigma se
declinam:
gener, generi: o genro
sígnifer, signíferi: o
porta-bandeira
socer, soceri: o sogro
vir, viri: o homem
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| Tabela 2ª declinação. - terminados em -e fonte: Canva premium |
Segundo este paradigma se
declinam:
aeger: o enfermo
ager, agri: o campo
arbiter, arbitri: o árbitro
culter, cultri: a faca
magister, magistri: o mestre
minister, ministri: o ministro
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| Tabela 2ª declinação - neutros fonte: Canva premium |
Se declinam conforme o modelo
anterior, os seguintes substantivos:
bellum: a guerra
consilium: o conselho
exemplum: o exemplo
praemium: a recompensa
templum: o templo
verbum: a palavra
Lectio tertia – De família Scipionis
In pictúra est Scípio, senátor
Románus. Cornélia est uxor Scipiónis atque mater Lésbiae, Stellae et Titi.
Scípio in África fuit et leónes vidit.
__ Leo, ait Scípio, rex
bestiárum, in desértis locis vivit. Leónes intérdum venatóres occídunt. Iubae
sunt ornaméntum leónum. Nota ferócitas leónis. Procónsul noster magnum leónem
cepit.
In pictúra étiam Stellam et
Lésbiam vidétis. Cycnum et Lésbiae et Stellae pater áttulit. Puellae sunt laetíssimae
et cycnum spectant.
Vocabulário
lectio: a leitura
quartus decimus: décimo quarto
Scipio, onis: Cipião
senator, oris: o senador
uxor, oris: a esposa
matyer, matris: a mãe
leo, onis: o leão
ait, v.: diz
rex, regis: o rei
bestia, ae: a fera
desertus: deserto, abandonado
vivere, v.: viver
venator, oris: o caçador
occidere, v.: matar
iuba, ae: a juba
ornamentum: o ornamento
ferocitas: a ferocidade
proconsul: o procônsul
cepit, v.: capturou
cycnus: o cisne
et... et, conj.: tanto... como
pater, patris: o pai
attulit, v.: trouxe
spectare, v.: observar
Compreensão gramatical
Os nomes da terceira declinação terminam em o nominativo singular das maneiras mais diversas.
Scipio, senator, rex,
ferocitas, passer, etc.
Por isso junto com a forma do nominativo
o vocabulário sempre registra a do genitivo.
Suprimindo-se desta a
desinência –is, própria do genitivo, obtém-se a parte invariável do vocábulo, à
qual se devem ajuntar as outras desinências.
Os nomes da terceira
declinação dividem-se em duas grandes categorias:
os imparissílabos e os parissílabos.
- Os
imparissílabos têm maior número de sílabas no genitivo singular que no nominativo.
- Os
parissílabos têm número igual de sílabas no nominativo e no genitivo singular.
O
nominativo plural dos nomes masculinos e femininos da terceira declinação
termina em –es.
A
desinência do genitivo plural dos imparissílabos cujo tema termina em uma
consoante, é –um.
O
acusativo singular termina em –em, o Plural, em –es.
A
Conjunção Coordenativa copulativa ET significa “e”, mas a expressão
“et... et” significa “tanto... como”.
Os substantivos da 3ª declinação têm várias desinências no nominativo. Enquanto que o genitivo singular termina sempre em –is. Tirando-se esta desinência -is, obtém-se o tema da palavra.
O substantivo é imparissílabo,
quando apresenta mais sílabas no genitivo singular, que no nominativo: miles,
militis. É parissílabo, quando tem igual número de sílabas no nominativo e
no genitivo singular: vulpes, gen. vulpis.
Os imparissílabos, cujo tema
termina em uma só consoante, têm -e no ablativo singular, -um no genitivo
plural, -a no nominativo, acusativo e vocativo plural dos neutros.
Paradigma para os masculinos e
femininos: rex, regis, m.: o rei
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| Tabela 3ª declinação. fonte: Canva premium |
Paradigma para os neutros:
corpus, corporis, n.: o corpo
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| Tabela 3ª declinação - neutros fonte: Canva premium |
Segundo este paradigma se
declinam os seguintes termos:
a) masculinos:
amor, amoris: o amor
consul, consulis: o cônsul
homo, hominis: o homem
lapis, lapidis, a pedra
mile, militis: o soldado
pes, pedis: o pé
b) femininos:
arbor, arboris: a árvore
imago, imaginis: a imagem
laus, laudis: o louvor
legio, legionis: a legião
lex, legis: a lei
oratio, orationis: o discurso
c) neutros:
caput, capitis: a cabeça
carmen, carminis: a poesia
facinus, facinoris: o crime
fulgur, fulguris: o raio
tempus, temporis: o tempo
vulnus, vulneris: ferida
Fazem o genitivo plural em –ium:
a) imparissílabos:
dos, dotis: o dote – dotium (e
dotum)
fraus, fraudis: a fraude –
fraudium (e fraudum)
lis, litis: a demanda – litium
mus, muris: o rato – murium
nix, nivis: a neve – nivium
vis: a força – virium
b) imparissílabos ao
qual o tema termina em mais de uma consoante:
mons, montis, m.: o monte – montium
dens, dentis, m.: o dente –
dentium
ars, artis, f.: a arte –
artium
urbs, urbis, f.: a cidade –
urbium
os, ossis, n.: o osso – ossium
cor, cordis, n.: o coração -
cordium
c) parissílabos:
navis, navis, f.: a nau – navium
caedes, caedis, f.: a matança
– caedium
nubes, nubis, f.: a nuvem –
nubium
collis, collis, m.: a colina –
collium
ensis, ensis, m.: a espada –
ensium
hostis, hostis, m.: o inimigo –
hostium
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Lectio quarta – Hóminis sensus
__ Quinte, narra mihi
oppugnatiónem Troiae!
__ Non narro!
__ Si non narras, vápulas.
__ Non narro!
Tum Orbílius Quintum ad
quintam columnam alligavit et...
Quot singúltus, quot gémitus,
quot fletus ex parte Quinti! Quot risus ex parte aliórum discipulórum!
Tum plagósus Orbílius novam
incépit lectiónem.
__ Atténdite, púeri! Hódie
sensus hóminis arguméntum lectiónis erunt. Puer post somnum noctis óculos áperit
et statim videt, audit, tangit, gustat, ólfacit: sensus exércet.
Quot sunt motus ánimi puéruli
spátio paucárum horárum! Vere puéruli risum et fletum in uno sácculo habent, ut
dicit antiquórum proverbium.
Quot sunt étiam actus ánimi
viri! Hómines exércent visum, auditum, gustum, tactum, odorátum, uno verbo séntiunt,
sensus exércent.
Habent appetítus, afféctus, ímpetus.
Exércent intelléctum et voluntátem. Admirábilis est vita animórum et motus animórum
vere innúmeri sunt.
Vocabulário
vicesimus, a, um, adj.:
vigésimo
homo, hominis: o homem
sensus, us: o sentido
si, conj.: se
tum, adv: então
columna: a coluna
quot, adj. indecl.: quantos
singultis, us: o soluço
gemitus, us: o gemido
fletus, us: o choro
pars, partis: a parte
risus, us: o riso
alius, a, um adj.: outro
plagosus, a, um, adj.:
espancador
incepit, v.: começou
argumentum, i, n.: o
argumento, a matéria
statim, adv.: imediatamente
audire, v.: ouvir
tangere, v.: tocar
gustare, v.: gostar, sentir
gosto
olfacere, v.: cheirar
exercere, v.: exercer
motus, us: o movimento
puerulus, i: o menino
paucus, a, um, adv.: pouco
hora, ae: a hora
vere, adv.: verdadeiramente
sacculus, i: o saquinho
ut, conj.: como
dicere, v.: dizer
proverbium, i, n.: o provérbio
actus, us: o ato
visus, us: a vista
auditus, us: o ouvido
gustus, us: o gosto
tactus, us: o tato
odoratus, us: o olfato
sentire, v.: sentir
appetitus, us: o apetite, o
desejo
affectus, us: o afeto
impetus, us: o ímpeto
intellectus, us: o
entendimento
voluntas, atis: a vontade
innumerus, a, um, adj.:
inúmero
Compreensão gramatical
· O nominativo singular dos nomes da 4ª
declinação termina em –us (como os da 2ª declinação); o nominativo plural
também termina em –us. Exemplo:
Senatus populusque
Romanus.
Quot sunt motus animi!
· O acusativo singular da 4ª declinação termina
em –um; o acusativo plural em –us. Exemplo:
Hominus auditum
exercent.
Homines appetittus
habent.
· A 3ª pessoa do singular do presente do indicativo dos verbos da 4ª conjugação termina
em –it; a 3ª pessoa Plural em
–iunt. Exemplo:
Puer audit.
Homines sentiunt.
· Orações condicionais são as que exprimem uma
condição da qual resulta a consequência expressa na frase principal. Exemplo:
Si non narras,
vapulas.
Os substantivos masculinos e femininos da quarta declinação terminam em –us, os neutros em –u.
Paradigma para os masculinos e femininos: ritus, ritus, m.: o rito
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| Tabela 4ª declinação. fonte: Canva premium |
Paradigma para os neutros: genu, genus, n.: o joelho
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| Tabela 4ª declinação - neutros fonte: Canva premium |
Segundo este paradigma se
declinam:
a) masculinos:
actus, actus: o ato
equitatus, equitatus: a
cavalaria
exercitus, exercitus: o
exército
fluctus, fluctus: a onda
fructus, fructus: o fruto
sensus, sensus: o sentido
b) femininos:
anus, anus: a mulher velha
manus, manus: a mão
nurus, nurus: a nora
socrus, socrus: a sogra
c) neutros:
cornu, cornus: o chifre
gelu, gelus: o gelo
Lectio quinta – Roma post opugnam Cannensem
Quamvis insígnia sint facínora
exércitus nostri, ait Scípio in sua narratióne, tamen nunquam securi sumus.
Strages in planítie apud Cannas exemplum et praeclaríssimum, et causa fuit
trepidatiónis in urbe Roma.
Senátus, custos rei públicae,
statim ac audívit stragem Cannénsem, non abscóndit perníciem rei públicae imminéntem:
tum salus rei públicae cura supréma fuit ómnibus cívibus. Segnitiéi paucórum
succéssit alácritas ómnium.
Senes, venerábiles canítie et
graves, fácie, memorábant cívibus sériem victoriárum antiquórum patrum.
Iúvenes constituébant novas ácies
et máxima rábie optábant oppónere arma colluviéi Afrórum et purgáre campos Itáliae
scábie barbariéi.
Matrónae et vírgines implorábant
a diis victóriam progeniéi Martis. Puéruli, inter spem et metum, spectábant effígies
avórum in átriis. Servi quoque tum fidem servavérunt.
Vocabulário
Cannensis, e, adj.: de Canas
quamvis, conj.: embora
tamen, conj.: contudo
nunquam, adv.: nunca
securus, a, um, adj.: seguro
strages, is: a derrota
planities, ei: a planície
apud, prep. c. acus.: junto de
Cannae, arum: Canas
exemplum, i, n.: o exemplo
praeclarissimus, a, um, adj.:
famosíssimo
trepidatio, onis: a
perturbação
senatus, us: o senado
statim ac, conj.: logo que
audivit, v.: ouviu
abscondit, v.: escondeu
pernicies, ei: a ruína, a
destruição
res publica, rei publicae: a
república
imminens, entis, part.:
iminente, próximo
salus, salutis: a salvação
civis, is, o cidadão
segnities, ei: a preguiça
successit, v.: sucedeu
alacritas, atis: a alacridade
senex, senis: o ancião
venerabilis, e, adj.:
venerável
canities, ei: as cãs
facieis, ei: a face
memorare, v.: memorar, lembrar
series, ei: a série
constituebant, v.: constituíam
acies, ei: a linha (de
soldados)
rabies, ei: a raiva
optare, v.: optar, desejar
opponere, v.: opor
colluvies, ei: a torrente (de imundice)
Afer, Afri: o africano
purgare, v.: purgar, limpar
scabies, ei: a sarna, a lepra
barbaries, ei: a barbárie
progenies, ei: a progênie, a
raça, a estirpe
spes, spei: a esperança
effigies, ei: a efígie, a
imagem
qtrium, i, n.: o átrio
quoque, adv.: (posposto à
palavra que realça): também
fides, fidei: a didelidade
Compreensão gramatical
De todas as palavras da quinta
declinação, só dies e res têm singular e plural completo, as
outras palavras tem somente os casos do singular e o nominativo e acusativo
plural.
Quando a mesma coisa é
expressada pelo nome próprio e pelo respectivo nome comum, coloca-se o nome
próprio, e latim, no mesmo caso do nome comum.
Urbs Roma: a
cidade de Roma
In urbe Roma: na
cidade de Roma
Os substantivos da quinta declinação terminam em –es no nominativo singular e –ei no genitivo.
Declinação de dies, diei: o
dia
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| Tabela 5ª declinação. fonte: Canva premium |
Segundo este paradigma se
declinam:
a) no singular e plural:
res, rei: a coisa
b) no singular e nos casos –es do plural:
acies, aciei: a fileira
effigies, efigiei: a imagem
facies, faciei: a face
series, seriei: a série
spes, spei: a esperança
species, speciei: a beleza
Importante: o –e em –ei da
terminação é longo, quando precedido de vogal; breve, quando
precedido de consoante: diei, fidei.
Todos os substantivos da
quinta declinação são femininos, exceto dies que, no plural, sempre é masculino
e no singular pode ser masculino ou feminino; meridieis é sempre
masculino.
Dies é masculino, quando indica
dia: período de 24 horas: é feminino quando indica uma data fixa: certa die, praestituta
die, constituta die: em dia determinado; exspectata dies: o dia
esperado.




















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