Muito pouco ou quase nada se sabe sobre a vida de Hipácia de Alexandria, o que torna seu pensamento um mistério. O que restou foram apenas poucos fragmentos sobre a sua filosofia e alguns tratados feito por estudiosos posteriores ainda mantidos em latim.
Algumas fontes apontam que Hipácia foi filósofa, astrônoma e matemática. Sua origem era egípcia de ascendência grega (JEREMY WEATE, 1999).Alexandria, no entanto, cultivava
não somente a cultura helênica, como também a semita, fazendo de Alexandria a
maior cidade judia do mundo antigo. Algumas fontes sustentam que foi em
Alexandria que se traduziu a Bíblia para o grego.
Ptolomeu I criou uma biblioteca,
sendo considerada a maior biblioteca antiga. Mais tarde foi incendiada pelos
invasores, sendo este fato histórico, considerado o maior crime contra a
cultura da Antiguidade.
Leia também: Epicuro e Zenão - História da Filosofia Antiga
Segundo Will Durant faz menção de
grandes e renomadas universidades existentes no oriente, como em: Alexandria,
Atenas, Antioquia e Constantinopla, ao qual ensinavam e eram versadas em
medicina, filosofia, literatura e retórica. Alexandria abrigava também centro
de estudos de alquimia, o que séculos mais tarde deu origem à Química. Os
alquimistas se debruçavam com afinco sobre as investigações, empregando métodos
com rigor e exigências experimentais fidedignas sobre quaisquer outros
estudiosos da antiguidade.
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| Imagem 01 - Acervo: Ludus Schola A filósofa, matemática e astrônoma Hipácia de Alexandria em sua biga. |
Sobre Hipácia, era filha de Theo,
que era matemático e professor universitário. Hipácia nasceu durante o
turbulento reinando de Valens, entre 370 e 380 a.C. Após a morte de Juliano em
363, Alexandria perdeu a tranquilidade mediante os grupos que se formavam,
dando à cidade um aspecto politeísta, causando sérias confusões de rua.
Os ensinamento de Matemática e
Geometria foram lhe transmitidos pelo pai, Theon, ilustre e exímio matemático.
A matéria preferida de Hipácia era a Geometria, sendo mais tarde caracterizada
como a “geômetra”. A Geometria, para Hipácia, passou a ser o portal de ingresso
para o território sagrado da filosofia.
Hipácia fazia da filosofia a sua
religião e suas dissertações a torna a “verdadeira iniciadora dos mistérios da
filosofia”.
Veja também: O filósofo que mediu a circunferência da Terra
O ensino da filosofia na época de
Hipácia estava em decadência e restava à Hipácia a velar pela chama hesitante
do conhecimento. Hipácia tinha um carisma pessoal e único, contando com o
brilho de sua retórica e arguição, alguns se ajuntavam para ouvi-la fielmente.
Infelizmente nada sobrou dos textos de Hipácia e sua doutrina filosófica. O
maior parte se perdeu com o incêndio da biblioteca de Alexandria.
De acordo com Hermínio Miranda,
na obra Guerrilheiros da Intolerância, elucida o papel da pensadora na
sociedade antiga pagã, marcada por conflitos, arruaças políticas e religiosas:
“ Hipácia foi a professora por excelência. Gostava tanto de
filosofia que parava na rua para explicar aspectos mais difíceis das ideias de
Platão ou Aristóteles a qualquer pessoa que pedisse esclarecimentos ... ela se
portava com uma dignidade e autoconfiança que inspiravam “respeito e admiração
universais”.
Hipácia acreditava que a origem
de toda a realidade estava fundada em “o Uno”, e seu objetivo era se aproximar
de “o Uno” compartilhando seus conhecimentos com um grupo seleto de
admiradores. A este pequeno grupo de estudantes, Hipácia os ensinou a se
libertar do mundo da matéria, focando seus objetivos em encontrar a parte
divina e nobre da natureza humana, ou seja, a alma, ao qual Hipácia argumentou
filosoficamente que a alma é “o olho enterrado dentro de nós”.
Hipácia estava acima da
feminilidade para seus alunos e quando um deles se distanciou do caminho quanto
à busca ao “Uno”, a mestra teria exibido ao discípulo enamorado seus ‘panos
menstruais’ alegando: “Isto sou eu”. Textos em latim afirmam que os ânimos dele
serenou e tornou-se um aluno modelo a partir de então.
A beleza terrestre, dizia ela, é
apenas uma ilusão e, que a verdadeira beleza estada contida em “o Uno”, a
origem de toda a realidade. Embora algumas fontes asseguram que Hipácia
mantinha os costumes da religião pagã, sendo a crença no “Uno” a busca pela
perfeição Divina e sua realeza, princípio também sustentado no paganismo e sua
crença nos deuses, o mesmo que os anjos.
A morte de Hipácia de Alexandria
ocorreu, segundo defende alguns autores, por questões políticas e religiosas, o
fato foi que, a sociedade cristã tinha inveja da relação entre o prefeito da
cidade com Hipácia, onde esta era lhe a melhor conselheira. Diante do cenário
ao qual se encontrava a cidade, vitimada pelo ódio e fanatismo dos cristãos,
as más-línguas soaram que os problemas que enfrentavam era culpa de Hipácia e
suas magias negras.
A ira cresceu e uma revolta
assomou a população, sobretudo de uma legião de católicas fanáticas que não
esperavam o momento oportuno e tramaram uma emboscada para Hipácia, comandada,
segundo algumas fontes por Pedro. Ao sair da biblioteca, Hipácia foi atacada
por uma malta de cristãs fanáticas e intolerantes, a arrancaram de sua biga
esquartejando a professora com conchas afiadas – alguns estudos apontam que foram
cacos de telhas – espalhando partes do seu corpo pela cidade. Depois juntaram
as partes e atearam fogo, crueldade que sucedeu numa tarde de 415. Outras
fontes apontam que foi ao sair de casa, o que permanece um mistério a exatidão de onde Hipácia teria saído para o encontro com a morte.



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