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Origem da Língua Portuguesa

 


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O português é a continuação do latim. O latim, por sua vez, era um dos ramos de uma grande família linguística que os historiadores chamam de línguas indo-europeias ou áricas, que constituíram transformações de um idioma extinto, falado há cerca de cinco mil anos por um povo que se convencionou chamar árias.

Os especialistas conseguiram provar a existência desse povo misterioso e desconhecido através dos estudos linguísticos, das religiões comparadas e a antropologia.

Durante suas migrações, realizadas em épocas diferentes de sua vida, os árias atingiram a península itálica, onde encontraram certamente povos que falavam outras línguas – línguas faladas na Itália Antiga. Nessa península, o indo-europeu transformou-se em línguas do grupo itálico, que teve como idiomas principais o osco, o úmbrio, o latim.

O latim, que terá uma grande repercussão no mundo antigo, a princípio foi falado por um pequeno povo que habitava o Lácio, de costumes simples e rudes. Com o crescimento político e econômico desse povo, graças à fundação de Roma, o latim suplantou as demais línguas da península itálica, grande parte do sul e do centro da Europa e norte da África. Em determinado momento da história humana, era senhora de uma vastíssima região. Contudo, com o desaparecimento do império romano, não só continuou nessas regiões como ampliou seus territórios através dos mares, na boca dos povos que falavam essa língua transformada em português e espanhol, por exemplo.


Imagem 01 - fonte: pexels.com


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Mas a língua portuguesa é continuação do latim vulgar (sermo vulgaris ou plebaeius) e não do latim literário (sermo urbanus), que era a língua dos escritores e que nós podemos conhecer até hoje através das obras que compõem a monumental literatura latina. O latim vulgar era a língua viva, a língua que os romanos e, posteriormente, os povos conquistados usavam para a comunicação diária, a língua coloquial. Esse foi o latim levado para a vasta região que Roma dominou no mundo antigo. Como se explica, pois, que tal língua, que até o 3.º século da era cristã conservava suas características fundamentais, se tenha diferenciado tanto nas diversas regiões, a ponto de, hoje, não entendermos, sem prévio estudo, os demais membros dessa família, como o francês, o italiano, o rumeno?

A expansão de Roma não se fez numa mesma época. Portanto, as zonas dominadas não receberam o mesmo latim e sim um latim alterado pelos séculos que transcorreram de uma conquista a outra. Esse latim encontrou em cada região povos que falavam outras línguas, um substrato linguístico que marcou profundamente a língua dos conquistadores. Posteriormente entrou um novo e importante fator, que foi o desmembramento do Império Romano. Uma vez desaparecidos os laços que uniam esses povos às atividades culturais e políticas de Roma, cada dialeto se desenvolveu livremente, de acordo com as características de cada região, acelerado ainda pelas invasões dos bárbaros e árabes, que, com seus falares, influíram nas línguas locais, criando o que se costuma chamar um superstrato linguístico.


Imagem 02 - fonte: Canva


Dessa maneira explicamos o surgimento dos romances, conhecidos depois por línguas românicas ou neolatinas.

Antes da invasão romana, vários povos haviam-se fixado na Península Ibérica. A história da Península, antes dessa conquista, encerra inúmeros problemas e, em geral, é confusa. As teorias que existem se apoiam em dados nem sempre claros e homogêneos: restos humanos, mitos, indicações de escritores gregos e latinos, moedas, inscrições em línguas ignoradas, designações geográficas, etc. Ваseiam-se, pois, em dados etnográficos, arqueológicos e linguísticos, nem sempre generosos pela quantidade e qualidade para conclusões positivas. Os iberos, assim os chamavam gregos e latinos, parecem ter sido os mais antigos de que temos notícias, como habitantes da Península.

Depois deles vieram os celtas, representantes da família indo-europeia ou ariana. Neste aspecto, irmãos dos helênicos e dos itálicos. Da união dessas raças surgiu o celtibero. Depois, fenícios e gregos fundaram importantes colônias na Península com finalidades comerciais. Os gregos estabeleceram-se aí por volta de 800 antes de Cristo. No 3.º século antes de Cristo os Romanos entraram na Península, talvez com intuito de refrear a expansão cartaginesa que havia, também, atingido a região. Mas somente no ano de 197 a.C. é que Roma anexa oficialmente a Hispânia como província.

A conquista linguística não foi muito dificultada graças ao parentesco celta com o latim. Além disso, os conquistados acabavam por adotar os costumes dos vencedores, dada a inegável superioridade cultural de Roma. A Península se romanizou. Do esforço romano para isso ficaram obras e monumentos de grande valor realizados pelos conquistadores.


Imagem 03 - fonte: pexels.com


Quando os bárbaros, no século V d.C, invadiram a Península, a romanização era completa. De origem germânica, os bárbaros, embora vencedores, adotaram o latim vulgar, já bastante alterado e também a civilização romana. Contudo, constitui um elemento perturbador no processo linguístico que lentamente se desenvolvia. Deixaram sua marca de maneira especial nos aspectos da vida que mais se distinguiram: armas e insígnias guerreiras. Os principais povos bárbaros que invadiram a Península Ibérica foram os vândalos, os suevos, que se fixaram na Lusitânia, e os visigodos.

No século VIII, os árabes atravessam as colunas de Hércules (estreito de Gibraltar) e entram na Europa. Os invasores e os visigodos travam luta de morte, às margens do Guadalete, saindo vencedores os árabes, que se apoderam do reino visigótico, destruindo-o para sempre.


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Em virtude da diferença essencial da língua, costumes, religião, raça, jamais os penínsulares aceitaram a dominação muçulmana. A língua oficial era o árabe, mas o povo continuou a falar o romance. Nem por isso a influência árabe no português e no espanhol deixou de ser importante: Somente em 1492, culmimaram as lutas sem tréguas da Reconquista, para expulsar os árabes da Península. Muitos nobres inscreveram seus nomes nessas lutas contra os árabes. D. Henrique de Borgonha, por serviços prestado à causa cristã, recebeu de D. Afonso VI uma filha deste em casamento e o Condado Portucalense, formado de terras entre o Minho e Tejo. Mas caberá ao filho deste conde, D. Afonso Henríques, a glória de proclamar-se rei de Portugal, em 1143, tornando-se independente de Castela.

Nessa faixa de terra, a mais ocidental da Europa, o latim se transformara de maneira diferente das demais regiões da Península.

  

História da Língua Portuguesa


As margens do rio Minho formou-se um dialeto que chamamos “galaico-português”, numa época, homogêneo, constituindo um falar único e só, posteriormente diferenciados entre si, desmembrando-se em duas línguas, o galego e o português. Tais línguas ocupam toda a zona ocidental extrema da península.

No reinado de Afonso III (1.250), o português era falado por toda a região ocupada por Portugal.

Não se pode precisar em que época apareceu a língua portuguesa. Ela não surgiu de repente. Os sons do latim popular que se transformaram em português levaram séculos até atingir o estado atual. Passou por diversas fases. Sabe-se, contudo, que no século IX, a língua já existia, uma vez que em documentos escritos em latim bárbaro (o latim literário deturpado pelos escrivães) já se encontram formas evidentemente portuguesas. É quase certo que o galego-português já existia então e devia ser a forma de expressar-se do povo, ainda que continuasse usando na escrita oficial o latim bárbaro, que sobreviveu durante muitas centenas de anos.

Ao século XII podemos datar inúmeros documentos literários escritos em português, em verso, que é a primeira forma literária de que se serviram nossos antepassados. Desse modo, a língua do povo adquire categoria literária, criando aquela mesma dualidade existente no latim: língua popular e língua literária. Diferenças a princípio apenas perceptíveis, separam a ambas, mas, com o tempo, elas se aprofundam e assim chegam aos nossos dias, uma, a literária, fixada pela escrita; a outra, a popular, modificando-se sempre, freada pela outra em seus excessos, mas, ao mesmo tempo, soprando-lhe vida, ajudando-a em seu caráter expressivo. Durante a época medieval e, sobretudo, no Renascimento a necessidade de traduzir textos latinos para o romance fez com que os autores introduzissem na língua portuguesa inúmeros vocábulos eruditos, artificiais, criados para substituir formas populares ou, mesmo, para preencher lacunas existentes, dando à língua um caráter culto, alatinado.


Imagem 04 - fonte: Canva


+ História da Biblioteca

No séc. XVI a língua adquire feição moderna, a que hoje conhecemos e estudamos. É o século do Renascimento, e, fundamentalmente, a época mais importante para os estudos literários, não só pelos aspectos que possa oferecer para a estilística moderna como pelo conteúdo humanístico existente em obras como as de Camões e Gil Vicente. Segundo Leite de Vasconcelos, a história da língua portuguesa pode ser dividida em três grandes épocas:

  • Pré-histórica: começa nas origens da língua e atinge o século IX, quando surgem os primeiros documentos latino-portugueses. Em suma, abrangeria o latim lusitânico e o romance falado na Lusitânia.
  • Proto-histórica: do século IX ao XII, quando encontramos nos documentos redigidos em latim bárbaro palavras portuguesas que provam a existência da língua nessa época.
  • Histórica: do século XII, do aparecimento do primeiro documento redigido em português, aos nossos dias. Marca a fixação pela escrita de uma língua até então apenas falada.
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Esta época é suscetível de divisão em duas fases:

a) fase arcaica – do séc. XII ao XVI.

b) fase moderna dias. – do séc. XVI aos nossos

Chegado que foi a este ponto, século XVI, o português fixou-se e começou sua expansão fora do território de Portugal.

  

Domínio da Língua Portuguesa

 

Com a expansão marítima dos portugueses no séc. XVI e o descobrimento e colonização de novas terras, a língua portuguesa foi levada a outros continentes, como África, Ásia, América. Dessa maneira a romanização, em certo sentido, continuava agora levada a mundos desconhecidos na boca da gente lusa.

O fenômeno da implantação do português não se processou de maneira idêntica em todos os lugares conquistados e colonizados pelos lusos.

De acordo com a resistência dos idiomas, que os portugueses encontraram, os resultados foram os mais diversos. Em algumas regiões o português sofreu poucas alterações, em outras, deformações sensíveis, como consequência do forte substrato indígena. Isso sucedeu de modo especial na África e na Ásia, onde os dialetos crioulos patenteiam a luta travada entre duas culturas.

Desse modo, pode-se ter uma ideia de como a história dos descobrimentos e das conquistas portuguesas está intimamente ligada à história da expansão da língua portuguesa, como observou o filólogo Schuchardt.

De acordo com a divisão de Leite de Vasconcelos, os dialetos do português se dividem em três grupos:

  • os continentais: falados no continente europeu.
  • os insulares: falados nas ilhas europeias.
  • os ultramarinos: falados em outros continentes.

Uma língua que se dilatou tanto forçosamente teria que enriquecer seu vocabulário. Dessa maneira, são inúmeros os termos asiáticos, africanos e americanos que o português incluiu no seu léxico.

Territorialmente só o inglês e o espanhol possuem maior área que o nosso idioma.

 

Os dialetos:

I. Continentais,

a) interamnense entre o Douro e o Minho.

b) transmontano Trás-os-Montes.

c) beirão na Beira Alta e na Beira-Baixa.

d) meridional sul de Portugal.

II. Insulanos,

a) açoriano - Açores.

b) madeirense - Madeira.

III. Ultramarinos,

a) dialeto brasileiro Brasil.

b) indo-português, que compreende:

1. dialeto crioulo de Diu.

2. dialeto crioulo de Damão.

3. dialeto crioulo de Mangalor.

4. dialeto crioulo de Cananor.

5. dialeto crioulo de Malê.

6. dialeto crioulo de Cochim.

7. dialeto crioulo norteiro (Bombaim, Beçaim, etc.).

8. português de Goa.

9. português da Costa de Coromandel.

c) dialeto crioulo de Ceilão.

d) dialeto crioulo de Macau.

e) malaio-português:

1. dialeto crioulo de Java.

2. dialeto crioulo de Malaca e Singapura.

f) português de Timor.

g) dialeto crioulo do Arquipélago de Cabo Verde.

h) dialeto crioulo da Guiné.

i) dialetos crioulos do Golfo da Guiné (Ilha de São Tomé, Príncipe e Ano Bom).

j) português das costas de África (Angola, Moçambique, Zanzíba Mombaça, Melinde, Quíloa).

O português do Brasil difere muito do de Portugal no léxico, o qual foi enriquecido com os termos tupis-guaranis, principalmente; e americanos. Embora tenha alguma variação na sintaxe, muita na fonética, o sistema linguístico é o mesmo de Portugal, a ponto de ainda não poder constituir-se em língua brasileira.

 

As demais línguas românicas ou neolatinas


1. galego – falado na Galícia.

2. catalão – falado na Catalunha e no extremo sul da França.

3. espanhol (ou castelhano) – falado na Espanha, Filipinas, Africa e América Espanhola.

4. provençal – falado no sul da França, Tunísia, Argélia, Congo.

5. francês – falado na França, parte da Bélgica, Suíça, Mônaco, Canadá, Caiena (antiga Guiana Francesa), Haiti.

6. rético – falado no cantão dos Griões, na Suíça, no Tirol e Friul.

7. italiano – falado na Itália, Sicília, Córsega, San Marino.

8. sardo – falado na Sardenha (Língua extinta).

9. rumeno – falado na Romênia.

Até 1898, na Dalmácia, região correspondente à Iugoslávia, falava-se o dalmático, hoje língua morta.





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