A habilidade do cavaleiro, a agilidade do cavalo. A segurança do homem, o porte elegante do animal. A coragem de um, a obediência do outro. A conjugação desses elementos todos faz da equitação um esporte nobre e bonito, um espetáculo de inteligência e destreza. O hipismo resulta de uma longa aproximação entre homens e cavalos, iniciada há cerca de 5 000 anos, quando, pela primeira vez, povos asiáticos domesticaram esses animais.
Os espectadores prendem a
respiração. Só se ouve o galope ritmado. O cavaleiro se inclina, há tensão nos
músculos de seu rosto, mas os olhos estão confiantes, E agora! O cavalo sobe;
por um breve momento nenhuma de suas patas toca o chão. O obstáculo é vencido. Aplausos
bem educados saúdam montador e montaria. Esta é uma cena que se repete muitas
vezes num espetáculo de equitação ou hipismo, esporte apreciado por milhares de pessoas em
todo o mundo, e cuja beleza resulta de longo e meticuloso do homem e do cavalo.
Os primeiros povos a
domesticar o cavalo foram os assírios, etruscos, medas e hititas, desde uns 3
000 anos antes de Cristo. Graças ao cavalo, os pastores hicsos conseguiram
derrotar a infantaria egípcia e conquistar o país. Perdendo a guerra, os
egípcios ganharam, contudo, a técnica de criar cavalos. E tantos criaram que,
ao tempo de Moisés, seu número chegava a 50 mil. Assim mesmo, não conseguiram
reter os judeus que fugiam a pé. Mas estes também acabaram gostando de cavalos
e o rei Salomão chegou a construir verdadeiras cidades-estábulos.
Entretanto, criadores mesmo
foram os gregos, a ponto de formularem corretamente os princípios dessa
técnica, como o fez Xenofonte, quatro séculos antes de nossa era. Em matéria de
domar cavalos, toda a antiguidade greco-romana se baseou naquelas lições,
preciosamente conservadas pelos bizantinos e mais tarde revividas na Itália do
século XIII. Também na Grécia surgiram as primeiras corridas de cavalo,
introduzidas nos XXXIII Jogos Olímpicos, em 648 a.C.
Exercícios por esporte
Na Idade Média, os exercícios
equestres reaparecem em 920, na Alemanha, difundindo-se em seguida na
Inglaterra e França e logo nos demais países europeus, como esporte elegante
reservado aos senhores feudais. Sem cavalos, não teriam sido realizados os mais
concorridos divertimentos medievais: os torneios (disputas entre cavaleiros que
tratam de desmontar o adversário); as incursões (reconstituição de memoráveis
batalhas) e os carrosséis (movimentos coreográficos de grande número de
cavaleiros e cavaleiras).
Nesses exercícios, porém,
contava mais a habilidade do cavaleiro que o grau de adestramento da montaria.
A equitação propriamente dita, envolvendo o treino sistemático do animal, só
começaria mais tarde, no século XIII, em Nápoles, onde foi organizada uma academia
para esse fim.
No entanto, só mesmo no século
XVII o cavalo passou de fato a ser levado em consideração, com a escola
francesa de La Broue e Pluvinel, os quais, seguindo a orientação do velho
Xenofonte, se preocuparam com o equilíbrio do porte do animal, treinando-o em
pistas especiais e com a ajuda de pilares demarcatórios.
A escola da liberdade
Duas escolas dominaram a
equitação no século XVIII: a francesa, que dava grande importância ao
adestramento para exibição, e a inglesa, de objetivos mais “práticos”: preparar
o animal para corridas, caça à raposa, etc.
Da fusão de ambas nasceu a
escola moderna, desenvolvida principalmente pelo capitão italiano Federico Caprilli que, diga-se de passagem, morreu por ter caído de um cavalo, em 1907,
com a idade de 40 anos. Caprilli e seu sucessor francês, coronel Danloux, introduziram
a técnica de saltar obstáculos com o corpo para diante e não para trás.
Atualmente todos os cavaleiros montam à Caprilli. Caprilli acreditava que todo
treinamento devia basear-se nas possibilidades e necessidades do animal,
determinadas por sua estrutura física. Suas teorias –expostas num livrinho de
27 páginas – revolucionaram a equitação. Os cavaleiros aprenderam então que não
devem ir contra os movimentos espontâneos da montaria mas acompanhá-los,
deixando-a livre para expandir suas energias de forma natural, apenas
orientando a direção.
Hoje em dia, os criadores
preocupam-se não apenas com o treinamento adequado, mas também com a seleção de
raças mais aptas a participarem de competições. E o esforço compensa, mesmo do
ponto de vista financeiro.
A arte de domar
Nem só com chicote se governa
um cavalo. Há outros sistemas mais adequados e menos violentos. Por exemplo:
Mãos –
empunhando as rédeas, o cavaleiro transmite sua vontade ao animal, com
movimentos sutis, aos quais o cavalo bem treinado responde imediatamente. As
rédeas são um verdadeiro meio de comunicação entre jóquei e cavalo.
Pernas –
servem para o cavaleiro manter-se "em contato" com a montaria,
impor-lhe o passo e impulsioná-la. Com a pressão da perna esquerda, por
exemplo, o cavalo desloca a parte posterior do corpo para a direita e
vice-versa. Com a pressão de ambas, o cavalo avança e mantém a marcha uniforme.
Peso do corpo – certas
mudanças na posição do cavaleiro facilitam alguns movimentos da montaria. O bom
montador sabe que seus movimentos devem sempre preceder a ordem correspondente.
Prêmio e castigo – é o
melhor recurso. O afago representa para o cavalo uma grata recompensa. Deve
estender-se do colo ao costado e às costelas, onde foi exercida a ação dos
joelhos ou do chicote.
Leia também: A História do circo
As provas do concurso
Um concurso hípico – ao qual
só se admitem cavalos selecionados e que já tenham cinco anos – constitui-se de
diversas provas:
A prova de obstáculos é a mais
emocionante. A forma dos obstáculos que o cavalo deve saltar varia muito, em
largura e altura. Há o oxer – varas paralelas; estacionista – varas
dispostas verticalmente; cancela – também vertical; tríplice – em
sentido ascendente; quádrupla – três varas paralelas, com quatro varas, no
mesmo sentido. Existem ainda: muro, rolo, testeiro, rústico
e rio.
Na prova de apresentação e
porte levam-se em conta o equilíbrio do cavalo em marcha, sua forma de
deter-se, a postura no alto, docilidade ante as ordens do cavaleiro, etc.
O adestramento é uma
série de exercícios que demonstra o preparo do animal: entrada na pista,
cumprimento aos jurados, avanço lateral e diagonal, vários tipos de trote e
galope, passagem por determinados lugares e partida a galope.
Existem ainda provas como
longos percursos com obstáculos naturais no campo.







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