Por volta do ano 220 a.C. muita gente já achava que a Terra era redonda, mas ninguém sabia dizer qual a medida de sua circunferência. Inconformado com esse estado de coisas, um cidadão grego chamado Eratóstenes resolveu sanar a falha. Mas, se era inconformado, era também comodista.
O Grego que mediu a terra
E, além de comodista, astrônomo, de modo
que tratou de solucionar a questão sem ter que sair de casa, utilizando-se do
Sol. Tantos cálculos fez, que acabou descobrindo um sistema adequado, graças ao
qual pode estabelecer que o globo terrestre tinha 40 000 km de circunferência.
Passados mais de 2000
anos, os estudiosos foram conferir os cálculos de Eratóstenes e tiveram uma surpresa:
a nova medição, realizada com equipamentos de precisão e modernos sistemas de
cálculo, resultou numa cifra praticamente idêntica à do sábio. Ou seja: 40 070
km.
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| Créditos da imagem: acerco Ludus Schola Esquema da medição da Terra feita por Eratóstenes |
Quem era Eratóstenes?
Eratóstenes nasceu em Cyrene,
uma colônia grega do Norte da África, por volta do ano 276 a.C. Brilhante desde
moço, estudou com os melhores professores do seu tempo e tão famoso se tornou,
que o faraó Ptolomeu III do Egito lhe deu a direção da Biblioteca de Alexandria, bem como o cargo de preceptor de seu filho.
Praticamente não havia
assunto pelo qual Eratóstenes não se interessasse: filosofia, história,
gramática, poesia, geografia e matemática, tudo o atraía e sobre cada um desses
assuntos ele escreveu trabalhos de grande valor. Astronomia e números, porém,
eram seus temas prediletos e, como toda a ciência grega de então sofria a
influência das ideias de Pitágoras, Eratóstenes formou-se pela linha
pitagórica, a qual admitia teorias muito avançadas para a época. Aceitava, por
exemplo, que a Terra fosse uma esfera solta no espaço, girando em conjunto com
várias outras ao redor de um núcleo central de fogo (como propunha a ideia de
muitos filósofos da natureza na antiguidade) – numa antevisão do sistema que só
bem mais tarde Copérnico enunciaria.
Para os pitagóricos, a explicação do mundo estava nos números. E por eles Eratóstenes pautou toda a sua carreira. Ao escrever um tratado sobre geografia, dividiu o globo em paralelos e meridianos, fazendo de localização geográfica – um trabalho matemático sistema que continua em uso até hoje. Mostrou também, nessa obra, que era possível chegar-se à Índia partindo da Espanha. E sugeriu ainda a existência de terras habitadas no Ocidente conforme Colombo provaria mil e setecentos anos depois, ao chegar à América.
Resolução do problema números primos
Lidar com números primos
(divisíveis apenas por si mesmos e pela unidade) era um problema sério para os
matemáticos de Alexandria. Eratóstenes decidiu resolvê-lo e de fato o fez,
criando uma tabela de eliminações progressivas, com a qual se tornou fácil
determinar se um número era primo ou não. Amplamente usado a partir de então,
seu método ainda hoje consta dos manuais de aritmética, nos quais
aparece como “o crivo de Eratóstenes”.
Com uma quantidade
admirável de descobrimentos e inovações a seu crédito, Eratóstenes viveu até os
80 anos. E não esperou que a morte viesse convocá-lo: preferiu o suicídio e
deixou-se morrer de inanição.





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