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Em busca do ouro

 


Califórnia, Estados Unidos, janeiro de 1848. O colono James Marshall busca um local para montar uma serraria. Chega perto de São Francisco. O lugar é bom, tem bosques e um rio, o Sacramento, para transportar os troncos. James se põe a trabalhar. 

Dias depois, junto ao rio, acha uma grande pedra amarela: uma pepita de ouro. Logo, encontra outra. E outra. E ainda outra. A serraria está esquecida. James descobrira uma riquíssima jazida de ouro. A notícia se espalha. Gente de toda parte vem tentar sua sorte. São milhares de pessoas lançando-se à procura da fortuna, tão fácil ali, ao alcance da mão. Começa a grande corrida ao ouro da Califórnia.


Imagem 01 - acervo Ludus Schola  
O maior produtor de ouro do mundo é, atualmente, a África do Sul – são 700 000 quilos que saem anualmente de suas minas, mais da metade de todo o ouro que se extrai por ano em toda a face da Terra. Depois vem o Canadá, já com apenas 12% da produção mundial. E depois, os Estados Unidos, a Austrália, Ghana e a União Soviética. Somente no 15.º lugar, surge o Brasil, com sua modesta mas valiosa produção de 5 600 quilos de ouro por ano.


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Mas não é de 1848 que o homem corre atrás do ouro: quatro mil anos antes, os egípcios procuravam-no lavando as areias do Nilo e o usavam como joias, adornos e, mais que isso, como símbolo de prestígio e poder. Os antigos viram também que o ouro nem só reluzia: era um metal resistente e duradouro. E fizeram moedas com ele. A ideia parece ter sido de Creso, rei da Lídia, na Ásia Menor. E tantas moedas fez, tantas guardou. Além de ter ideias, Creso era ambicioso: entrou em guerra com Ciro, rei dos persas. E perdeu. Depois, Alexandre Magno resolveu tomar as dores – e, naturalmente, a fortuna de Creso. E apoderou-se da fortuna de Ciro: mais de um milhão de quilos de ouro e prata, mais de 250 mil moedas de ouro – o mais fabuloso tesouro de que se tem notícia.

O ouro acabou parando nas mãos dos romanos mas estes não primavam pela economia: gastaram não só o que tinham pilhado, mas também o ouro que extraíam das minas dos territórios conquistados. E a tal ponto, que nos últimos dias do Império, nem sabiam como pagar as suas tropas.

Na Idade Média, o ouro desaparece da Europa, afastada, pelos muçulmanos, das minas na Ásia e na África. Mas não desaparece sua procura: os alquimistas – os avós dos químicos modernos – quebravam a cabeça para achar a “pedra filosofal”, que transformaria tudo em ouro. Eles nada acharam, mas em compensação os navegantes descobriram a América e a Europa renasceu com o ouro pilhado pelos conquistadores espanhóis dos astecas e incas, para os quais nada de especial significava. Calcula-se que 325 mil quilos de ouro foram tomados pelos espanhóis. O que não se pode calcular é a quantidade de lendas que corriam nos séculos XVI e XVII sobre o ouro das Américas. “El Dorado” é o mais significativo desses mitos.

Tanto ouro entrando gerou a teoria de que a riqueza de um país se devia medir pela quantidade de ouro acumulada nas burras do governo. Só 300 anos depois esse pensamento seria abandonado. Enquanto durou, porém, expedições bem equipadas cruzavam o Atlântico em busca do metal precioso, ao passo que aventureiros agindo por conta própria lançavam-se ao mesmo alvo: a riqueza em dois tempos – chegar, apanhar o ouro e ir-se logo, antes que outros aventureiros, menos bem sucedidos, resolvessem chegar ao ouro, por via indireta: simplesmente roubando-o.

 

Imagem 02 - acervo Ludus Schola
Garimpeiros solitários, primitivos.


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O ouro das Gerais

O Brasil não esteve fora nem daquelas lendas, nem das expedições. Poucos anos depois da descoberta, a faixa litorânea, de Cananéia (Estado de S. Paulo) até o Sul, era chamada “a costa do ouro e da prata”. Parece que não havia muita verdade nessa designação, pois os caçadores de ouro acabaram por embrenhar-se interior adentro, partindo dos campos de Piratininga – atualmente São Paulo – nos séculos XVII e XVIII.

A história de Minas Gerais, no Brasil Colônia, é a história da extração do ouro. Descobertas as jazidas na Serra do Espinhaço, a economia brasileira, com base na cana-de-açúcar, deslocou-se do Nordeste para o Centro. Brasileiros, de um lado, e portugueses, de outro, mais de uma vez engalfinharam-se pela posse do metal: a longa Guerra dos Emboabas e, mais tarde, o próprio episódio da Inconfidência estão ligados à questão do ouro.

 

O ouro da Bacia

Ainda hoje, quase toda a produção de ouro do Brasil vem de Minas Gerais. Isto é, a produção legalmente registrada. Mas, ao que parece, na bacia do Tocantins encontram-se imensas reservas auríferas. Infelizmente não está determinada a quantidade de ouro que ali se extrai, mas sabe-se que os 50 quilos mensais registrados como manda a lei não passam de uma pequena amostra do que pode existir nesse local.

 

Imagem 03 - acervo Ludus Schola
Um exemplo de mina aurífera.


O ouro, passando de mão em mão até chegar à Inglaterra, ajudou a conduzir aquele país à Revolução Industrial, na segunda metade do século dezoito, mudando todos os aspectos do mundo inteiro. Depois, novo surto ocorreu em 1848, com as descobertas da Califórnia e, mais recentemente, no Alasca, na África do Sul e na Austrália.

Hoje, a África do Sul é o maior produtor de ouro (cerca de 700 mil quilos por ano): de lá se tiram 2/3 de todo ouro do mundo. Depois, vêm o Canadá, os Estados Unidos, a Austrália e Ghana. No Brasil, a produção de ouro cai de ano para ano; e quase tudo (5600 kg em 1963) vem de Minas Gerais, sobretudo da mina de Morro Velho, perto de Belo Horizonte, uma das mais profundas do mundo. A mina mais rendosa acha-se em Rand, na África do Sul, da qual se tiram 14 gramas de ouro por tonelada de minério tratado.

Este metal, porém, já não circula como antigamente: é guardado nos cofres dos governos para garantir, teoricamente, o papel-moeda emitido. Na maioria dos países, as pessoas só possuem ouro já trabalhado, quer dizer, em forma de joias, adornos etc.

Por que o ouro é tão valioso assim? A rigor, não há uma resposta satisfatória. Talvez por ser um dos mais resistentes e o mais maleável dos metais: nem água, nem ar, nem corrosivos o afetam; pode ser transformado em folhas com a espessura de um décimo-milésimo de milímetro; 30 gramas de ouro podem ser convertidas num fio de 56 quilômetros – e esse fio não se partirá; um cubo de ouro de 30 cm de lado pesa 500 quilos. Nas joias, o ouro é puro aos 24 quilates. Um anel de 18 quilates tem, para cada 18 partes de ouro, seis partes de liga, geralmente a prata.


Imagem 04 - acervo: Ludus Schola
A extração de ouro.


Mas, afinal, como é que se acha ouro? O garimpeiro, solitário ou em pequenos grupos, peneira o cascalho às margens do rio. Esse processo utiliza-se da bateia; que é o nome da grande peneira usada para girar de modo tal que a areia, muito leve, é carregada pelas águas, e o ouro – se houver – fica. As grandes jazidas, porém, estão nas vertentes das montanhas: as águas, ao descer, levam consigo pedacinhos de rochas auríferas. Outro sistema de garimpo é encher uma grande calha de madeira com areia aurífera. Um violento jato d’água carrega a areia na descida. As pepitas, mais pesadas, depositam-se no fundo da calha em fendas especialmente talhadas para isso. E há, por fim, a extração do ouro de minas abertas na rocha, com o uso de modernos aparelhos e vagões para o transporte do material obtido. O ouro que se encontra na rocha, junto com outros minérios, forma as jazidas primárias. Mas, neste caso, para separar o ouro dos outros elementos são necessários métodos químicos relativamente complexos.




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