Califórnia, Estados Unidos, janeiro de 1848. O colono James Marshall busca um local para montar uma serraria. Chega perto de São Francisco. O lugar é bom, tem bosques e um rio, o Sacramento, para transportar os troncos. James se põe a trabalhar.
Dias depois,
junto ao rio, acha uma grande pedra amarela: uma pepita de ouro. Logo, encontra
outra. E outra. E ainda outra. A serraria está esquecida. James descobrira uma
riquíssima jazida de ouro. A notícia se espalha. Gente de toda parte vem tentar
sua sorte. São milhares de pessoas lançando-se à procura da fortuna, tão fácil
ali, ao alcance da mão. Começa a grande corrida ao ouro da Califórnia.
Mas não é de 1848 que o
homem corre atrás do ouro: quatro mil anos antes, os egípcios procuravam-no
lavando as areias do Nilo e o usavam como joias, adornos e, mais que isso, como
símbolo de prestígio e poder. Os antigos viram também que o ouro nem só
reluzia: era um metal resistente e duradouro. E fizeram moedas com ele. A ideia
parece ter sido de Creso, rei da Lídia, na Ásia Menor. E tantas moedas fez,
tantas guardou. Além de ter ideias, Creso era ambicioso: entrou em guerra com
Ciro, rei dos persas. E perdeu. Depois, Alexandre Magno resolveu tomar as dores
– e, naturalmente, a fortuna de Creso. E apoderou-se da fortuna de Ciro: mais
de um milhão de quilos de ouro e prata, mais de 250 mil moedas de ouro – o mais
fabuloso tesouro de que se tem notícia.
O ouro acabou parando nas
mãos dos romanos mas estes não primavam pela economia: gastaram não só o que
tinham pilhado, mas também o ouro que extraíam das minas dos territórios conquistados.
E a tal ponto, que nos últimos dias do Império, nem sabiam como pagar as suas
tropas.
Na Idade Média, o ouro desaparece
da Europa, afastada, pelos muçulmanos, das minas na Ásia e na África. Mas não
desaparece sua procura: os alquimistas – os avós dos químicos modernos – quebravam
a cabeça para achar a “pedra filosofal”, que transformaria tudo em ouro. Eles
nada acharam, mas em compensação os navegantes descobriram a América e a Europa
renasceu com o ouro pilhado pelos conquistadores espanhóis dos astecas e incas,
para os quais nada de especial significava. Calcula-se que 325 mil quilos de
ouro foram tomados pelos espanhóis. O que não se pode calcular é a quantidade
de lendas que corriam nos séculos XVI e XVII sobre o ouro das Américas. “El Dorado” é o mais significativo desses mitos.
Tanto ouro entrando gerou
a teoria de que a riqueza de um país se devia medir pela quantidade de ouro
acumulada nas burras do governo. Só 300 anos depois esse pensamento seria
abandonado. Enquanto durou, porém, expedições bem equipadas cruzavam o Atlântico em busca do metal precioso, ao passo que aventureiros agindo por
conta própria lançavam-se ao mesmo alvo: a riqueza em dois tempos – chegar, apanhar
o ouro e ir-se logo, antes que outros aventureiros, menos bem sucedidos,
resolvessem chegar ao ouro, por via indireta: simplesmente roubando-o.
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| Imagem 02 - acervo Ludus Schola Garimpeiros solitários, primitivos. |
O ouro das Gerais
O Brasil não esteve fora
nem daquelas lendas, nem das expedições. Poucos anos depois da descoberta, a
faixa litorânea, de Cananéia (Estado de S. Paulo) até o Sul, era chamada “a
costa do ouro e da prata”. Parece que não havia muita verdade nessa designação,
pois os caçadores de ouro acabaram por embrenhar-se interior adentro, partindo
dos campos de Piratininga – atualmente São Paulo – nos séculos XVII e XVIII.
A história de Minas Gerais, no Brasil Colônia, é a história da extração do ouro. Descobertas as
jazidas na Serra do Espinhaço, a economia brasileira, com base na
cana-de-açúcar, deslocou-se do Nordeste para o Centro. Brasileiros, de um lado,
e portugueses, de outro, mais de uma vez engalfinharam-se pela posse do metal:
a longa Guerra dos Emboabas e, mais tarde, o próprio episódio da Inconfidência
estão ligados à questão do ouro.
O ouro da Bacia
Ainda hoje, quase toda a
produção de ouro do Brasil vem de Minas Gerais. Isto é, a produção legalmente registrada.
Mas, ao que parece, na bacia do Tocantins encontram-se imensas reservas
auríferas. Infelizmente não está determinada a quantidade de ouro que ali se
extrai, mas sabe-se que os 50 quilos mensais registrados como manda a lei não
passam de uma pequena amostra do que pode existir nesse local.
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| Imagem 03 - acervo Ludus Schola Um exemplo de mina aurífera. |
O ouro, passando de mão
em mão até chegar à Inglaterra, ajudou a conduzir aquele país à Revolução Industrial, na segunda metade do século dezoito, mudando todos os aspectos do
mundo inteiro. Depois, novo surto ocorreu em 1848, com as descobertas da
Califórnia e, mais recentemente, no Alasca, na África do Sul e na Austrália.
Hoje, a África do Sul é o
maior produtor de ouro (cerca de 700 mil quilos por ano): de lá se tiram 2/3 de
todo ouro do mundo. Depois, vêm o Canadá, os Estados Unidos, a Austrália e
Ghana. No Brasil, a produção de ouro cai de ano para ano; e quase tudo (5600 kg
em 1963) vem de Minas Gerais, sobretudo da mina de Morro Velho, perto de Belo
Horizonte, uma das mais profundas do mundo. A mina mais rendosa acha-se em
Rand, na África do Sul, da qual se tiram 14 gramas de ouro por tonelada de
minério tratado.
Este metal, porém, já não
circula como antigamente: é guardado nos cofres dos governos para garantir, teoricamente,
o papel-moeda emitido. Na maioria dos países, as pessoas só possuem ouro já
trabalhado, quer dizer, em forma de joias, adornos etc.
Por que o ouro é tão
valioso assim? A rigor, não há uma resposta satisfatória. Talvez por ser um dos
mais resistentes e o mais maleável dos metais: nem água, nem ar, nem corrosivos
o afetam; pode ser transformado em folhas com a espessura de um décimo-milésimo
de milímetro; 30 gramas de ouro podem ser convertidas num fio de 56 quilômetros
– e esse fio não se partirá; um cubo de ouro de 30 cm de lado pesa 500 quilos.
Nas joias, o ouro é puro aos 24 quilates. Um anel de 18 quilates tem, para cada
18 partes de ouro, seis partes de liga, geralmente a prata.
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| Imagem 04 - acervo: Ludus Schola A extração de ouro. |
Mas, afinal, como é que
se acha ouro? O garimpeiro, solitário ou em pequenos grupos, peneira o cascalho
às margens do rio. Esse processo utiliza-se da bateia; que é o nome da grande
peneira usada para girar de modo tal que a areia, muito leve, é carregada pelas
águas, e o ouro – se houver – fica. As grandes jazidas, porém, estão nas
vertentes das montanhas: as águas, ao descer, levam consigo pedacinhos de
rochas auríferas. Outro sistema de garimpo é encher uma grande calha de madeira
com areia aurífera. Um violento jato d’água carrega a areia na descida. As
pepitas, mais pesadas, depositam-se no fundo da calha em fendas especialmente
talhadas para isso. E há, por fim, a extração do ouro de minas abertas na rocha,
com o uso de modernos aparelhos e vagões para o transporte do material obtido.
O ouro que se encontra na rocha, junto com outros minérios, forma as jazidas
primárias. Mas, neste caso, para separar o ouro dos outros elementos são
necessários métodos químicos relativamente complexos.





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