Apesar das expedições guarda-costas e da de Martim Afonso, o imenso litoral do Brasil continuava exposto aos estrangeiros, que traficavam com os silvícolas, e faziam carregamentos de pau-brasil.
Os portugueses, preocupados com as Índias, não dispunham de recursos para novas expedições. Era, entretanto, cada vez mais séria a possibilidade duma ocupação do território pelos franceses.O sistema de capitanias
Para resolver a dificuldade,
decidiu D. João III empregar no Brasil o sistema de capitanias. hereditárias.
Assim, foi o Brasil dividido em quinze porções de desigual tamanho, de 30 a 100
léguas de costa, independentes entre si, doadas a particulares, que deveriam
colonizá-las e defendê-las à sua custa. Os donatários tinham privilégios, os
quais os tornavam como que senhores da terra. Podiam exercer a justiça, bem
como dar sesmarias a quem quisessem; não podiam ser suspensos nem condenados
antes de ouvidos pessoalmente pelo rei. Eram reservados ao monarca o monopólio
do pau-brasil, o quinto dos metais e pedras preciosas, o direito de cunhar
moedas e o dízimo de todos os produtos.
Das capitanias, apenas duas
prosperaram: as de São Vicente e de Pernambuco.
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| IMAGEM 01 - Acervo Ludus Schola |
A Capitania de São Vicente
Doada a Martim Afonso de Sousa, não teve a direção de seu donatário, que voltara para a Europa. Foi
administrada pelo padre Gonçalo Monteiro. Um dos primeiros povoadores da
capitania, Brás Cubas, fundou a vila de Santos, que tinha melhor porto, e
conseguiu prosperar, enquanto São Vicente decaía. Desenvolveu-se a cultura da
cana-de-açúcar, do arroz, do trigo, de árvores frutíferas europeias, e
estabeleceram-se engenhos; a capitania prosperou.
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A Capitania de Pernambuco
Coube a Duarte Coelho, que veio
com a família e numerosos colonos. Fundou logo a vila de Olinda (1535) e mais
quatro núcleos de povoação; o diligente donatário desenvolveu a cultura da
cana-de-açúcar e de cereais; estabeleceram-se vários engenhos, que vieram a ser
fonte de grandes riquezas. Duarte Coelho, aliado aos Tabajaras, venceu os
agressivos Caetés e conseguiu fazer prosperar sua capitania, de todas a mais favoravelmente
situada para o desenvolvimento do comércio.
As outras capitanias não
prosperaram, como já dissemos.
As dificuldades do regime
Várias causas impediram que o regime
das capitanias produzisse o efeito desejado. Faltavam recursos à maior parte
dos donatários, que também não tinham os meios precisos para combater agressões
do gentio ou de estrangeiros. O criminoso que fugisse duma capitania não podia
ser preso e castigado noutra; isso favorecia a impunidade e provocava gerais
queixas. E não havia uma autoridade moral capaz de combater os maus exemplos,
desordens e vícios.


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