Em meados do século XIII os incas (1), da raça dos aimarás, conseguiram dominar a região mais ou menos correspondente ao Equador, Bolívia e Peru atuais, organizando um império de caráter teocrático. O imperador era o Inca, “Filho do Sol”, chefe absoluto, militar e religioso. Manco-Capac, segundo a tradição, foi o primeiro inca e Cuzco a capital do seu império (2).
A terra dividia-se em
lotes, pelas famílias, que deviam plantá-los, cabendo-lhes, porém, apenas um
terço da colheita: o resto pertencia ao Inca e à classe sacerdotal; quando,
porém, as colheitas eram más, o estado socorria os necessitados com os cereais
depositados em cada povoado. O trabalho era obrigatório. Não havia moeda e o
comércio fazia-se com a troca de produtos ou gêneros.
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| IMAGEM 01 - Acervo Ludus Schola Vasos incas Interessantes produtos de cerâmica inca, representando expressões diversas. |
O resto pertencia ao Inca
e à classe sacerdotal; quando, porém, as colheitas eram más, o estado socorria
os necessitados com os cereais depositados em cada povoado. O trabalho era
obrigatório. Não havia moeda e o comércio fazia-se com a troca de produtos ou
gêneros.
Os incas ou quichuas não
sabiam escrever. Tinham numeração de base decimal e, como auxiliar da memória
de fatos e datas, usavam os quipos, cordões de várias cores com um
sistema de nós: o segredo de seu uso era dos sábios ou sacerdotes.
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| IMAGEM 02 - Acervo: Ludus Schola Ruínas da cidade incaica ou pré-incaica de Machu Picchu, descobertas em 1911 nos Andes do Peru. |
O império possuía
importante sistema de estradas, quatro das quais, em grande parte calçadas,
seguiam a direção dos pontos cardeais; a de Cuzco a Quito (3) era de mais de
300 léguas. As pontes, as mais das vezes, tinham o tabuleiro suspenso a cabos
de cordas de pita, presos a pilares de pedra, ao modo das congêneres modernas.
As ruas da cidade
cortavam-se perpendicularmente; mas as construções das casas e palácios, como
as decorações, eram inferiores às dos maias ou dos astecas.
Foram os incas o único
povo americano que conseguira domesticar um animal para transporte: o lhama; domesticaram
também a vicunha e o pato. Progrediram na agricultura, e empregavam o guano
como fertilizante de suas terras. Sabiam fazer lindos e delicados tecidos de
pita e trabalhos de prata e ouro; sua cerâmica era muito interessante.
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| IMAGEM 03 - Acervo Ludus Schola Cordéis de diversas cores com vários nós, usados pelos Incas como meio mnemônico
(auxiliar da memória). |
Em sua religião, depois
da adoração de animais sagrados, preponderou o culto de Inti, o Sol, cujo filho
era o Inca; contavam-se vários deuses mais: a Lua, Vênus e outros planetas, as Plêiades,
o fogo, o arco-íris, etc. Havia um corpo de sacerdotisas, as “Virgens do Sol”,
por sete anos dedicadas ao culto do fogo sagrado. O culto, de complicado rito,
tinha sacrifícios até humanos: estes, porém, pouco frequentes nos últimos
tempos (4).
Leia o texto seguinte e recite voz alta com a finalidade de aguçar a oratória e a arguição.
Eldorado
A consagração do novo
Zipa ou cacique dos chibchas, da Colômbia, fazia-se segundo um rito ao qual,
provavelmente, se deve a origem da lenda do Eldorado.
O herdeiro do supremo
cargo da tribo sujeitava-se durante alguns anos a longa iniciação, com provas
rigorosas, reclusão e outras privações. Declarado capaz das funções régias
dava-se a consagração.
O novo Zipa devia
sacrificar a seu deus na laguna de Guatavita. A cerimônia realizava-se numa
grande balsa de junco vistosamente enfeitada; havia nela quatro braseiros nos
quais se queimavam perfumes; em torno da vasta laguna postava-se uma multidão
de indígenas com seus mais ricos adornos de plumas e ouro. Logo que na balsa do
príncipe se acendiam os braseiros, inúmeros outros eram ateados pelas margens,
obscurecendo o céu a fumaça que se levantava. A esse tempo, o herdeiro era
untado com uma terra pegajosa e sobre seu corpo atiravam ouro em pó, que o recobria
inteiramente. Entrava, então, na balsa com os grandes chefes da tribo e punham-lhe
aos pés um monte de ouro e de esmeraldas para o sacrifício ao deus; ao partir a
embarcação atroavam os ares os gritos, roques de buzina e tambores da turba;
chegando à balsa ao meio do lago, a um sinal de bandeira cessava o alarido; o
índio dourado fazia seu sacrifício deitando ao lago o tesouro que levava aos
pés, e os chefes que o acompanhavam igualmente atiravam às águas seus adornos
de ouro. A balsa voltava à margem e as festas continuavam, com grande ruído,
sendo então reconhecido o novo Zipa como senhor da tribo. (Cf. RODRIGUEZ
FRESLE).
(1) Não se pode afirmar
com exatidão a parte que cabe a cada um dos povos Inca, Aimará e Quichua na
notável civilização pré-incaica, isto é, que existiu antes dos Incas na região
mais ou menos correspondente ao Equador, Bolívia e Peru atuais. Parece, porém,
ter havido em época remota, na região costeira, centros de civilização dos
Incas, que depois fundaram as notáveis cidades de Quito e Chinchan; os quichuas
e aimarás dominaram a zona do planalto até o Titicaca.
(2) Havia no Império
quatro províncias governadas por chefes chamados “curacas”, cada uma delas
compreendia vários distritos de dez marcas ou vilas (centúrias) de dez clãs
(decúrias) de dez famílias.
(3) O sábio naturalista
HUMBOLDT assim se referiu a essa estrada: “...é maravilhosa e não desmerece das
mais importantes vias romanas que vi em França, Espanha e Itália”.
(4) Outras civilizações,
de menor importância, existiam na América pré-colombiana. Uma das mais notáveis
foi a dos Chibchas, que habitavam a Colômbia, formando cinco reinos, dos quais
era Bogotá o principal. Entre as classes em que se dividiam os chibchas a
sacerdotal tinha a primazia. Sua religião exigia o cruel sacrifício de crianças
ao principal deus, Bochica, o Sol. O soberano de Bogotá era o Zipa, cuja
sagração se fazia por interessante cerimonial que deu origem à lenda do
Eldorado. Os chibchas construíam casas de madeira com teto cônico de palha;
trabalhavam admiravelmente o ouro e a prata, e sabiam lapidar o cristal de
rocha. Os calchaquis, habitantes do noroeste argentino, utilizavam-se da pedra
para construção de muros e tinham interessante cerâmica.










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