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O nascimento da Europa Moderna

 


A organização feudal foi, pouco a pouco, sendo modificada à medida que se processava o desenvolvimento comercial e, em consequência, o crescimento das cidades e da economia urbana.

 

Por outro lado, os reis, contando com o apoio dos comerciantes, passaram, progressivamente a centralizar a administração e a justiça em suas mãos, enfraquecendo o poder dos senhores feudais.

As cruzadas, movimento de expansão do cristianismo em direção ao Oriente iniciado no século XI, influenciaram o renascimento comercial europeu, uma vez que o contato direto com a Ásia Ocidental abriu novas perspectivas para o desenvolvimento econômico da Europa Medieval. Novas rotas foram estabelecidas e o comércio à longa distância exigiu, em decorrência da insegurança dos caminhos e dos transportes, o aparecimento das letras de câmbio, do sistema de crédito e do seguro marítimo.


Imagem 01 - Acervo: Ludus Schola
Entrada dos cruzados em Constantinopla, Delacroix - Museu do Louvre, Paris.


Apesar das cruzadas não terem conseguido sucesso no estabelecimento de reinos cristãos no Oriente Próximo, houve a introdução na Europa de produtos asiáticos, técnicas de fabricação de vidro e refinamento de costumes com a introdução de hábitos orientais.


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A expansão do comércio medieval foi determinada, portanto, pelas atividades de importação de artigos de luxo do Oriente. Os italianos distinguiram-se nessas atividades e a partir do século XIII, introduziram na Europa arroz, laranja, damasco, figos, passas, perfumes, remédios, pau-brasil e algodão. Em troca levaram para o Oriente madeira de construção, armas e tecidos de lã. Entre as mais importantes cidades italianas encontravam-se Gênova, Pisa e Veneza que possuíam o controle do mercado asiático.


Imagem 02 - Acervo: Ludus Schola


No norte da Europa, o comércio caracterizava-se pela grande influência da Hansa alemã. Nos países germânicos, as hansas eram, de início, sociedades de auxílio mútuo, religiosas ou mercantis. Pouco a pouco, as hansas agruparam-se em associações comerciais mais poderosas e alcançaram grande poder.

A Hansa alemã era uma liga de mercadores que dispunha do apoio militar das cidades associadas. Reunia as cidades germânicas do norte da Europa, chefiadas por Hamburgo e Lubeck, tendo o controle das comunicações entre o Mar do Norte e o Mar Báltico. Depois de terem grande força comercial, começaram, em fins do século XIV, a perder seu poderio.

 

Desenvolvimento Econômico e Urbanização

 

Em consequência do renascimento comercial, as vilas aumentaram, cresceram e transformaram-se em importantes centros econômicos. A população urbana ocupava-se em fabricar tudo que fosse necessário à vida diária e às atividades comerciais, sendo a instituição básica das cidades a corporação de ofício. A princípio, as corporações incluíam tanto comerciantes como artesãos, mas com o desenvolvimento das atividades manufatureiras eles separaram-se em corporações distintas. As corporações cuidavam de:

 

·        monopolizar o mercado local para seus membros;

·        assegurar um sistema econômico estável, limitando o número de oficinas de cada profissão;

·        proporcionar a seus membros vida confortável, baseada no trabalho.

 

A procura cada vez maior de mercadorias importadas ampliou as relações comerciais e incentivou as atividades manufatureiras, uma vez que muitos artesãos passaram a confeccionar imitações dos produtos orientais. Todo esse progresso econômico determinou o aumento do poder dos comerciantes ­— burgueses — que, progressivamente, foram se, libertando dos empecilhos impostos pelo sistema feudal, principalmente do julgo dos senhores. As cidades, enriquecidas e fortalecidas pelo comércio e atividades manufatureiras, conseguiram libertar-se do domínio feudal através de guerra contra seu senhor, proteção do rei ou compra de sua liberdade.


Imagem 03 - Acervo: Ludus Schola
O movimentado Porto de Nápoles - Museu Nacional, Nápoles.



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A Transição para um Novo Mundo

 

As instituições e modos de vida da Idade Média foram sendo substituídos no momento em que:

 

·        a economia europeia deixou de ser predominantemente agrícola com o desenvolvimento das atividades comerciais e manufatureiras;

·        uma pequena mas poderosa classe de comerciantes expandiu suas atividades e apoiou o rei em sua obra de fortalecimento do Estado;

·        as cidades multiplicaram-se, cresceram de importância e conquistaram privilégios, libertando-se do jugo dos senhores feudais;


Imagem 04 - Acervo: Ludus Schola
Cidade Medieval Middelburg - Antigos Museus Nacionais, Berlim.


·        os camponeses começaram a abandonar os campos, adquirindo liberdade quer por iniciativa de seus senhores necessitados de ajuda para as cruzadas ou por iniciativa própria devida a crises e dificuldades lutas entre senhores, epidemias, principalmente a Peste Negra, e fome;

·        os senhores empobreceram-se devido ao esforço das cruzadas, lutas constantes internas, abandono dos campos pelos camponeses e libertação das cidades, perdendo grande parte de seus poderes anteriores;

·        os reis, contando com o apoio, principalmente econômico, dos burgueses, aumentaram seus poderes com a organização de exércitos nacionais e centralização da administração e justiça em suas mãos.

 

Os Estados nacionais – origens e significações

 

As relações de vassalagem entre senhores feudais e reis impediram que houvesse uma completa dissolução do Estado na Alta Idade Média (Séc. V ao Séc. XIII). Apesar dos senhores terem se tornado de fato independentes, reconheciam o rei como teoricamente o suserano mais importante e eram unidos à Coroa pelo vínculo da vassalagem.


Imagem 05 - Acervo: Ludus Schola
Catedral de Notre-Dame, exemplo de arquitetura gótica da Idade Média.


A consciência dos deveres que a vassalagem criava levou os senhores feudais a prestarem certos serviços ao rei e evitou muitos atos hostis contra a Coroa.

Os reis, baseando-se nessa dependência criada pelo laço vassálico, conseguiram impedir a perda completa de seus poderes. Foram, como vimos, progressivamente retirando do senhor feudal suas prerrogativas mais importantes e fortalecendo o poder real.

No final da Idade Média, começaram a surgir Estados Nacionais através da formação de um governo centralizado nas mãos do rei cuja autoridade abrangia todo o território e era reconhecida como legal pelo povo. Língua, cultura, e ideais comuns auxiliaram a formação desses estados nacionais.


Imagem 06 - Acervo: Ludus Schola
Catedral de Notre-Dame, Paris, século XII.


No cenário político da Europa Ocidental apareceram os primeiros estados nacionais —Inglaterra, Portugal, França, Espanha e Suíça. Outras regiões continuaram, por maior ou menor tempo divididas em principados, reinos e repúblicas, como a Alemanha e a Itália que somente se transformaram em nações no final do século passado.

 




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