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A Filosofia Antiga: Breve curso histórico da Filosofia

 


No primeiro período da Filosofia – período de formação – já se busca uma explicação racional das coisas. O objeto de investigação é o mundo externo, ou seja, o macrocosmo. Os gregos antigos estavam preocupados em resolver questões cósmicas, por isso esta inclinação da Filosofia nos primeiros séculos pelas coisas que corresponde ao Universo. Os primeiros filósofos se perguntavam:

como explicar a contínua mudança das coisas? Como se explica a contradição entre os dados dos sentidos, segundo aos quais tudo muda, e o entendimento que assegura que a verdade é imutável? Qual é o princípio constitutivo das coisas?

 

Os Jônios

 

Tales de Mileto (624-548 a.C.) acreditava que o princípio constitutivo de todas as coisas era a água. O mundo havia surgido da água, pois acima e abaixo tudo era água.

Anaximandro (610-547 a.C.) também de Mileto e discípulo de Tales, põe como primeiro princípio de tudo o “ápeiron” – o indefinido, o ilimitado, o indeterminado – que não é uma infinitude abstrata sem uma matéria primordial, indeterminada, imutável, homogênea. Seria uma espécie de nebulosa, equivalente ao caos das antigas cosmogonias.

Anaxímenes (585-528 a.C.) acreditava que o princípio primordial era o ar. Não se trata simplesmente do ar atmosférico senão um proto elemento eterno, vivente, ilimitado, mobilíssimo, que é o princípio da vida de todas as coisas. Desse princípio se origina infinitos mundos e seres, incluindo os deuses.

Se percebe de imediato a especulação dos filósofos Jônios, é já, pelo método, filosófica, mas, pelo seu objetivo, restringe ao físico. É uma solução materialista.

 

Os Pitagóricos

 

Pitágoras (578-497, a.C.) fundou a Escola pitagórica, de caráter filosófico-político-religioso. Para os pitagóricos os números constituía a essência das coisas, e a realidade primeira é o pneuma ilimitadom, que constitui o ser, fora do qual só se dá o não-ser.

As coisas são números extensos e materiais que dão origem a distintas figuras geométricas.


Imagem 01 - Produzido em Canva


A doutrina pitagórica tinha uma finalidade ética e Pitágoras buscava a salvação mediante ritos religiosos e prescritos morais, mas também pela ciência e a música que, para ele, eram meios de purificação. É uma solução racionalista.


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Os Eleatenses

 

O fundador da Escola eleatense, foi Jenófanes de Colofón (570-460) que contrapõe verdade e aparência e afirma que “acerca das coisas não se mais que opinião”. “A verdade, afirmou ele, nenhum homem a conhece ou a conhecerá”. E segundo Sexto Empírico, “Jenófanes duvidou de todas as coisas, dogmatizando somente em dizer que todas as coisas são uma e que esta é Deus.” mas os máximos representantes da Escola foram Parmênides e Zenão.

Zenão de Eleia (540-) polemizou contra os pitagóricos, principalmente defendendo o ser uno, contínuo e indivisível de seu mestre Parmênides. Na verdade, Zenão se propôs a demostrar com o raciocínio ad hominem que ase a doutrina do ser único, contínuo e imóvel, parecia inconcebível, porém, mais inconcebível era a doutrina do ser múltiplo, descontínuo e móvel. São famosos os argumentos de Zenão no que estabelece o absurdo da doutrina contrária a de Parmênides.

A Escola eleatense é um monismo estático, absoluto, que suprime a realidade e os seres do movimento. É uma solução racionalista.

Heráclito (536-470) é considerado por alguns como pertencente à Escola jônica posterior; ao contrário, outros o tem como filósofo independente. É um dos pensadores mais eminentes dos pré-socráticos. “Todas as coisas são uma, isto é sabedoria”, afirma e acrescenta: “Do uno emana todas as coisas, e todas as coisas, o uno”. Nada permanece fixo e estável. Tudo flui – panta rei. Tudo muda e sempre está se fazendo. Este fazer-se (devenir) é a essência das coisas, as quais são e não são por sua vez. O princípio primordial, a realidade primeira e única (o fogo) é como um rio que corre sempre e no qual não podemos tomar banho duas vezes.

 

Os atomistas


Os filósofos da Escola atomista tratam de conciliar a imobilidade e indivisão do ser (atomismo) com a existência do movimento local (mecanicismo).

Para Empédocles de Agrigento (490-435) o ser é eterno e indestrutível. Está composto por quatro elementos distintos, dos quais surgem todas as coisas e também os deuses. Os elementos são: o fogo, o ar, a água e a terra. Junto com os quatro elementos, Empédocles assinala duas forças cósmicas eternas e antagônicas: o Amor e o Ódio que atuam sobre os elementos unindo-os e separando-os alternativamente em um processo cíclico necessário. Da mistura e separação dos elementos, pela ação do Amor e o Ódio, saem todas as coisas, que se mudam sem cessar, mas sem jamais alterar a lei que rege o processo cíclico.

Demócrito de Abdera (472-370) afirmava que o vazio (não-ser) penetrou no ser desintegrando-se em infinitos corpúsculos invisíveis (átomos) que são sólidos, compactos, homogêneos, indestrutíveis. Os átomos são o elemento positivo do ser e se mistura entre si em combinações infinitas e transitórias, dando, portanto, a origem a infinitos mundos e a infinitas classes de corpos.

Os corpos se formam por agregação de átomos, e se destroem por sua desintegração; mas os átomos são indestrutíveis. Todos os corpos se compõem dos mesmos elementos, mas se distinguem por ordem e posição dos átomos.


Imagem 02 - Produzido em Canva


A alma é material e se compõe de átomos esféricos. O seres vivos provém, por geração espontânea, ou seja, da lama. O conhecimento é um acontecimento puramente mecânico. As qualidades sensíveis das coisas existem se há qualidades comuns, tais como peso, figura; mas quando se trata de qualidades próprias tais como cor, odor, sabor e etc, são puramente subjetivas, ou seja, resultam em nossos sentidos pelo choque dos átomos.


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Anaxágoras de Clazomene (500-428) foi o primeiro que abriu uma Escola de Filosofia em Atenas. Enfrenta o problema da unidade e multiplicidade das coisas. “Como é possível – se pergunta – que possa nascer cabelo do que não cabelo, e carne do que não é carne?” Admite o princípio Parmênides: “do nada, nada sai. Tudo sai do ser”, e pelo mesmo motivo, a solução de Anaxágoras é: “Tudo está em tudo.” Nada muda; há somente união e separação de elementos pois a matéria é divisível até o infinito e cada coisa está constituída por uma parte de todas as coisas. Os elementos não são quatro, como afirmava Empédocles, mas são tantas quantas são as diferentes espécies de coisas.

No princípio, tudo estava em plena confusão de elementos que existiam desde toda a eternidade, indistintos, compactos; mas a Mente comunicou ao caos um movimento mecânico que se foi propagando e produziu um movimento acelerado de rotação em forma de redemoinho. A Mente é só uma força cósmica.

Encontramos nesses filósofos uma solução física.


Os sofistas

 

 A palavra sofista significou sábio, mas posteriormente passou a significar “charlatão”, “traficante em sabedoria aparente, como afirmava Aristóteles. Os sofistas cobravam para ensinar. Os sofistas, portanto, não constituíam uma Escola filosófica, seguindo direções muito variadas, mas possui entre si muitos traços comuns. Os sofistas iam de cidade em cidade comunicando seu saber mediante determinada quantia; falavam de todos os temas, a favor ou contra e eram hábeis em ganhar uma disputa oral, em tribunais principalmente. O que caracteriza os sofistas são: relativismo, subjetivismo, ceticismo, indiferença moral e religiosa, oportunismo político, frieza e pobreza intelectual, venalidade.

O mais famoso e eminente dos sofistas foi Protágoras de Abdera (481-411). Nada está fixo nem estável, afirma Protágoras, assim mesmo, só podemos conhecer os fenômenos que impressionam nossos sentidos. Se nada está fixo e se cada qual percebe a realidade a sua maneira, pois, para ele não pode haver uma verdade universal, assim como há tantas verdades como há tantos indivíduos. Cada um é a norma de sua verdade; o que é verdade para um, não é para outro, ao qual Protágoras afirma que “o homem é a medida de todas as coisas, daquelas na medida em que são e das que não são enquanto não são.”

Outro dos sofistas é Gorgias de Leontini (484-376) que professava um ceticismo total. Aqui estão os seus “três capítulos”: 1º Nada existe. 2º Se existir o ser, não o podemos compreender, não poderíamos comunicar aos demais nosso conhecimento”. Esta atitude radical pode ser um simples exercício retórico ou dialético, mas de todas as formas é evidente que naquela época havia chegado a crer que não conhecemos mais que as aparências;

Com os sofistas temos uma solução psicológica.

 

 

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