Translate




Ludus Romanus - Lição de Latim Clássico

 


Morfologia: 2ª declinação; substantivos em –er e –ir; imperativo de esse. Sintaxe: Emprego do aposto; as partículas interrogativas –ne, nonne, num.

 

In pictura est Ludus Romanus. Magister est Orbilius, vir severus. Magister librum et ferulam habet.

In pictura sunt etiam quinque pueri: Alexander, Titus, Catullus, Marcus, Quintus.

Magister Alexandro, puero bono, imperat:

__ Recita, Alexander, e tabella!

Alexander de viris claris recitat. Orbilius Alexandrum laudat.

__ Marce, heri e campo venisti, esne iam paratus?

__ Paratus sum, magister, stilum habeo.

__ Es semper bonus, Marce, et optimus vir eris. Et vos, pueri, este et in schola semper estote optimi pueri, carissimi magistris.

Quinte, ubi est stilus tuus?

__ Stilum non habeo, magister.

__ Puer pessime et piger! Quoties iam te monui!

Et Quintus vapulat...

 

Vocabulário

 

ludus i: a escola, a aula, o jogo, o brinquedo, divertimento

magister, magistri: o mestre

Orbilius, i: Orbílio

vir, viri: o homem, varão

severus, a, adj.: severo

liber, libri: o livro

ferula, ae: a férula, a palmatória, a vara

puer, pueri: o menino

Alexander, dri: Alexandre

Quintus, i: Quinto

recitare, v.: ler em voz alta, recitar

e ou ex, prep.: c. abl.: de

tabela, ae: a tabuinha

de, prep.. c. abl.: de, sobre

clarus, a, adj.: afamado

heri, adv.: ontem

venisti, v.: vieste

iam, adv.: já

paratus, part.: preparado, pronto

stilus, i: o estilo (ferro pontudo com que escreviam nas tábuas enceradas)

pessimus, a, adj.: péssimo

piger, pigra, adj.: preguiçoso

quoties, adv. E conj.: quantas vezes

monui, v.: admoestei

vapulare, v.: apanhar, levar açoites, ser açoitado


Leia também: Regina lacrimat - Lição de Latim Clássico

 


 

Comentário gramatical

 

A grande maioria dos substantivos masculinos da 2ª declinação termina em –us: servus. Há, porém, alguns que terminam em –er e –ir (Conferir Gramática Latina, tábula da 2ª declinação). Exemplo:

Puer, vir

 

Dos substantivos da 2ª declinação terminados em –er uns conversam o e na declinação: nom. puer, gen. pueri; outros o não conservam: nom. liber, gen. libri (Conferir GramáticaLatina e tábulas da 2ª declinação que conservam o e e as que não conservam).

Na oração:

“Magister Alexandro, puero bono, imperat.”

A palavra puero é aposto de Alexandro.

 

O aposto é um substantivo que modifica outro sem o auxílio de preposição. O aposto concorda em caso com o substantivo a que se refere: Alexandro é dativo, por isso puero é consequentemente, dativo. Exemplo:


Alexander, vitor tot regnum atque populorum, irae succubuit.

Alexandre, vencedor de tantos reis e povos, foi vencido pela ira.

 

Na lição Ludus Romanus aparece uma forma nova de pergunta, ao qual difere de cur, ubi e quis, mas que é também empregada em latim, como no exemplo:


Esne paratus, Marce?

Estás preparado, Marco?

 

A partícula interrogativa –ne aparece depois da forma verbal es, fenômeno este que se chama de ênclise, esta partícula enclítica designa uma interrogação em geral, sem indicar se se espera resposta afirmativa ou negativa. Em português a partícula não se traduz.

Quando se espera reposta afirmativa, emprega-se na pergunta latina a partícula nonne. Exemplo:

 

Nonne Marcus est filius Galbae?

Acaso Marco não é filho de Galba?

 

Quando se espera reposta negativa, emprega-se na pergunta latina a partícula num. Exemplo:

 

Num Marcus est filius Aemilii?

Acaso Marco é filho de Emílio?

 



Vida romana: instrução até os 17 anos

 

Nos primeiros séculos da república o menino cresce junto ao pai que lhe ensina a ler, a escrever, a contar e, principalmente, a ser rigoroso consigo mesmo, a cultivar o campo, a defender seus direitos.

Depois da tomada de Tarento, 272 a. C., escolhem-se escravos gregos para mestres dos filhos. Há estabelecimentos de ensino e a instrução se espalha sempre mais.

Na era clássica, podem-se distinguir três graus no ensino:

Ludus – correspondente, mais ou menos, ao ensino primário. O menino frequenta-o desde os sete anos até os doze ou treze. Um escravo de certa idade, o paedagogus, acompanha o menino, levando-lhe as tabuinhas. Por causa do calor do meio-dia, a aula romana começava antes do levantar do sol. Ao meio-dia, os alunos faziam a sesta e, depois dela, continuavam as lições.

A aula era dada na pérgula, espécie de alpendre junto de algum edifício público, ficando os alunos expostos às distrações da vida citadina ao redor. Cada aula tinha só poucos rapazes.

Os alunos aprendiam a ler, silabando os vocábulos e as frases. Para escrever empregavam tabuinhas enceradas e um ponteiro, o stillus.

Ensinava-se ainda a contar, coisa muito difícil para o romano, em razão do sistema duodecimal adotado entre eles. Os alunos contavam pelos dedos, ou servindo-se do ábaco, pequeno quadro para calcular, e cantando: “um mais um são dois, dois mais dois são quatro”...

Os castigos eram severos, sendo os delinquentes açoitados com vara.

Mesmo depois de o menino ter começado a frequentar o Ludus, continuavam a sua instrução em casa. Ele era sempre o amigo íntimo do pai. Deste recebia informações práticas sobre a agricultura, a política ou qualquer empreendimento em que o pai estivesse interessado. Aprendia a cavalgar, a nadar, a lutar e a manejar as diversas armas de guerra.


fonte: VALENTE, Milton. Ludus Primus. Livraria Selbach. Porto Alegre.




Nenhum comentário:

Postar um comentário

MÉTODO DE ENSINO: TRIVIUM ET QUADRIVIUM. LUDUS SCHOLA - ESCOLA COOPERATIVA DE ENSINO (sem fins lucrativos).