A sociedade feudal, girando em torno da posse e exploração da terra, compunha-se de classes bem definidas através de funções específicas:
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| Imagem 01 - Acervo: Ludus Schola Detalhe do afresco de Ambrogio Lorenzetti mostrando o trabalho nos campos. |
Suserania e vassalagem
- nobreza – responsável pelos serviços militares;
- clero – responsável pelos serviços religiosos e educacionais;
- camponeses – responsáveis por todo o trabalho agrícola, construção e reparação de castelos e pontes, drenagem dos pântanos, etc.
O feudo constituía a base de todo o sistema político, social e econômico. Na maioria das vezes, o feudo era uma grande propriedade territorial cujo centro era o castelo, podendo, entretanto, tomar outras formas, como, por exemplo o direito de um senhor de cobrar pedágio de pessoas que utilizassem uma ponte.
Uma das mais importantes
práticas feudais era o “contrato” relacionamento entre Senhor (suserano) e
Vassalo (recebedor de algum benefício). O sistema de suserania e vassalagem
desenvolveu-se na monarquia franca, tornando-se pouco a pouco, a característica
política e socioeconômica mais significativa da Idade Média.
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| Imagem 02 - Acervo: Ludus Schola Pintura do Livro de Horas do Duque de Berry representando o trabalho nos campos em junho. |
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Quase todos os senhores feudais deviam submissão a outro senhor, mas eram por sua vez, suseranos de outros senhores que lhes prestavam obediência e fidelidade. Dessa maneira, um senhor feudal podia ser suserano de vários vassalos, mas também vassalo de outro suserano mais importante do que ele. Somente o cavaleiro, degrau mais baixo da hierarquia dos nobres, não possuía vassalos.
Contrato de Suserania e Vassalagem
1. Vassalo
- fidelidade;
- auxílio militar;
- assistência financeira;
- doação de feudos;
- proteção militar.
Ao ser concebido um feudo
eram estabelecidos contratos escritos ou verbais, implicando proteção e
serviços recíprocos entre suserano e vassalo. Caso as obrigações contraídas não
fossem cumpridas, ou o vassalo morresse sem deixar sucessores, o feudo voltava
ao poder do suserano.
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| Imagem 03 - Acervo: Ludus Schola Miniatura de um manuscrito francês de 1448 |
Atribuições do senhor feudal
O senhor de um feudo
exercia diferentes funções que se assemelham às exercidas modernamente pelo
Estado. Era da competência do senhor feudal:
- administrar a justiça;
- estabelecer os regulamentos a serem seguidos no feudo;
- declarar e fazer guerra;
- cunhar moedas;
- cobrar impostos dos moradores de suas terras e dos mercados em trânsito.
Atribuições dos servos e vilões
Todo o trabalho agrícola
e de construção, reparos, drenagem dos campos, etc., era realizado pelos
camponeses moradores do feudo fossem servos da gleba ou vilões (homem livres).
Os homens livres constituíam um pequeno grupo de pessoas empobrecidas que procuravam
proteção no feudo e sua situação apresentava pouca diferenciação em relação à
do servo da gleba.
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| Imagem 04 - Acervo: Ludus Schola São Francisco pregando aos pássaros, Giotto – Museu do Louvre, Paris. |
++ Napoleão Bonaparte
A vida dos camponeses era
sobrecarregada de trabalho e de obrigações para com o senhor feudal. Existiam
impostos comuns aos servos e vilões acrescidos de impostos especiais para cada
grupo:
Impostos comuns a servos e vilões
- tributo em mercadorias – entrega periódica de uma parte de sua produção ao senhor (talha);
- tributo em trabalho – obrigação de trabalhar gratuitamente durante determinado número de dias semanais nas terras do feudo reservadas ao senhor (corveia);
- pagamento pelo uso dos equipamentos do senhor como o moinho ou o forno (banalidades);
- obrigação de dar hospedagem ao senhor em suas viagens pelo feudo (prestações);
Obrigações específicas do vilão
- pagamento, em dinheiro, de uma quantia anual pelo uso da terra (censo);
- prestação obrigatória de serviço militar.
Obrigações específicas do servo da gleba
- pagamento de imposto por cabeça (capitação);
- pedir autorização para contrair matrimônio (direito de consórcio).
Dependendo a sociedade
quase exclusivamente do trabalho agrícola e sendo os feudos autossuficientes,
as atividades comerciais eram pouco importantes. Os mercadores e artesãos
residiam nas vilas (burgos) em torno dos castelos e estavam sujeitos
inteiramente ao poder do senhor feudal.
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| Imagem 05 - Acervo: Ludus Schola Visita aos enfermos, Mestre de Alkmar – Rijksmuseum, Amsterdam. |
Com a expansão do
comércio a partir do século XI, o grupo dos mercadores começou a desenvolver-se
promovendo o crescimento dos antigos burgos e a formação de novos no
entroncamento de caminhos.
Atribuições da Igreja
Na sociedade medieval, o
clero ocupava o lugar mais importante, com ascendência religiosa e econômica
sobre as outras classes. Era superior à nobreza pela extensão de seus domínios
e pela cultura e ocupava todos os grandes cargos administrativos junto aos reis
e príncipes. Ao lado da assistência religiosa, a Igreja exercia funções
culturais, sociais e jurídicas.
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| Imagem 06 - Acervo: Ludus Schola Os livros na Idade Média eram manuscritos ricamente ilustrados, levando anos a serem confeccionados. |
Culturais
- preservação da cultura clássica nos mosteiros;
- fundação de escolas nos mosteiros;
- ensino universitário.
Sociais
- registros civis;
- assistência aos órfãos, viúvas e doentes;
- fundação de hospitais.
Jurídicas
estabelecimento de
períodos de tréguas devido às constantes disputas entre os senhores feudais
para proteção do trabalho dos campos;
- estabelecimento de um sistema de proteção através do direito de asilo;
- estabelecimento de tribunais que julgavam casos que envolvessem pessoas leigas ou religiosas.
Três grandes líderes
cristãos influenciaram profundamente a cultura medieval através da atuação
direta ou da força de suas ideias:
- Santo Agostinho, cujas ideias desenvolveram no homem medieval a constante preocupação com a salvação eterna;
- São Benedito de Núrsia, iniciador do monasticismo ocidental, que foi em grande parte responsável pela expansão do cristianismo, expansão essa continuada por outras ordens monásticas, como a franciscana;
- Santo Tomás de Aquino, cujas ideias salientaram a importância da fé em todos os setores da vida, justificando, assim, a interferência da Igreja nos assuntos do Estado.








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