Antigo Egito: roupas e casas

 


Quatro mil anos antes de Cristo. Pequenas unidades territoriais ao longo do rio Nilo juntam-se em dois estados, um do Norte e outro do Sul. E a história conta que, por volta do ano 3 000 a.C., o faraó Menés, do reino do Sul, unifica as duas regiões e assume o título de “rei do Alto e Baixo Egito”. 

A partir dessa época, o Egito faraônico conheceu trinta dinastias: dez no Antigo Império, que durou até 2200 a.C.; sete no Médio Império até cerca de 1 570 a.C.; duas no Novo Império que começou com a 18.ª dinastia e se manteve até 1 181 a.C., quando guerras civis levaram o Egito à decadência, à invasão e domínio estrangeiro durante onze dinastias.

Através da evolução histórica, modificam-se hábitos e costumes. E as formas de vestir e morar decorrem de vários fatores: clima, grau de civilização, de organização política e econômica, regras morais e senso estético.



IMAGEM 01 - Acervo Ludus Schola.
O pátio da casa de um nobre egípcio.


Como se vestiam os egípcios no tempo dos faraós? Os trajes variavam de acordo com o clima, trabalho, posição social.

O clima muito seco e quente exigia roupas leves e a prática da agricultura aconselhava roupas sumárias. Vestiam linho e algodão, em apenas um pano, formando um saiote (figura ) que ia da cintura aos joelhos. As mulheres usavam uma longa túnica, até os tornozelos, sem mangas e sem decotes. O pano era geralmente branco, no tempo do Antigo Império. Nas pessoas humildes, este modo de vestir permaneceu inalterado por muitos séculos. Só entre os ricos a moda ganhou colorido, pregas, bordados, aplicações, mas sempre mantendo relativa simplicidade.




 

As roupas do Antigo Império

 

No Antigo Império os faraós vestiam-se como o povo, mas logo passaram a ajustar o pano de forma a obter uma prega triangular na frente (figura 2), que passou a ser bordada e mesmo laminada a ouro, para caracterizar sua alta posição. À medida que as classes sociais se foram estruturando, surgiram diferenciações mais acentuadas na maneira de vestir. As partes do corpo foram sendo cobertas, primeiro por uma longa saia, de tecido finíssimo e transparente, que ia até a metade da perna sobre o pano primitivo (figura 3).

Durante o Médio Império, os ricos já não se vestiam para abrigar o corpo, mas com propósitos ornamentais. Quanto mais colorida a vestimenta, maior significação social. A tal ponto que algumas cores eram especialmente reservadas às altas classes e determinadas combinações de cor eram de uso exclusivo da realeza. Aos simples panos primitivos seguiu-se a kalasiris, túnica longa e reta, com mangas curtas, largamente pre-gueada (figura 4). As roupas dos faraós já eram suntuosas, muito coloridas, luxuosas e com vários panejamentos (figura 5), correspondendo ao período de maior riqueza, o Novo Império.

A vestimenta feminina também foi enriquecida de cor (figura ), pregas, franjas (figura 7), e a nobreza adotou corpetes finamente bordados, trabalhados em ouro e cobre (figura 8). As mulheres, frequentemente, usavam sobre a túnica uma veste transparente, ajustada no busto e na cintura. No Novo Império as mulheres passaram a descobrir o colo, que era então coberto por grandes peitilhos, moda que também atraiu os homens. É quando aparecem os adornos caros, os cosméticos, os unguentos perfumados e as pinturas, usados por homens e mulheres indistintamente. Não havia diferença de material ou de desenho para as joias de homem e de mulher, e ambos usavam colares, pulseiras (nos braços e nas pernas), brincos e anéis, além de faixas muito trabalhadas em pedraria.



IMAGEM 02 - Acervo Ludus Schola
As roupas que os antigos egípcios usavam no Novo e Médio Império.





Nos tempos primitivos, todos usavam cabelos longos. Os membros da realeza prendiam o cabelo numa espécie de rabicho. O povo continuou a usar longos cabelos, mas os nobres passaram a raspá-los, usando peruca com rabicho. Durante o Novo Império, nobres e sacerdotes usavam perucas muito elaboradas, de cores variadas, e as mulheres, que já usavam peruca sobre os cabelos curtos, passaram a raspar a cabeça e a expô-la nua, adotando perucas inteiras para algumas ocasiões. As crianças sempre rasparam parte da cabeça, em geral o lado esquerdo, trançando o cabelo no lado direito. As meninas também usavam a trança do lado direito, embora nem sempre raspassem a cabeça. As perucas eram de uso exclusivo dos adultos.

As sandálias sempre foram muito simples: apenas uma sola de couro presa ao pé por tiras também de couro. Geralmente distinguiam-se as classes pelo colorido das sandálias e pelas pedras aplicadas. Só no Novo Império as sandálias passaram a ser fechadas, subindo pelo tornozelo como botas. Os sacerdotes e os nobres usavam também botas de peles, uma inovação devida às mulheres, a quem se atribuem também os primeiros sapatos de salto, em madeira, de uso exclusivo das senhoras da nobreza. Em casa, normalmente, os egípcios andavam descalços.

 

A moda de morar bem

 

Quanto às habitações egípcias, as primitivas casas eram feitas com juncos ligados com lama do Nilo. Ainda no Antigo Império passaram a fazer tijolos, secos ao sol, com a mesma lama. Com eles construíam as casas cobertas de junco e ramos de palma. Os camponeses ficaram morando em casas assim, mas os negociantes ricos, funcionários reais e nobres passaram a morar em casas de várias peças, feitas de tijolo e cobertas de madeira. A pedra, no Antigo Império, só foi usada como material de construção para levantar os templos e as pirâmides – túmulos para os faraós. Os templos, como as pirâmides, eram inteiramente desproporcionais às dimensões do homem. Quando um egípcio entrava num templo devia sentir-se diminuído, esmagado pelo colosso da residência das divindades. Além do tamanho, o que distinguia a casa dos faraós era a cor, principalmente o interior, que era vivamente pintado. Mas a pedra, material nobre, era utilizada apenas como base para pilares, batentes e soleiras de portas. Os pilares e as colunas eram de madeira. Outro detalhe: todas as residências senhoriais são cercadas por um muro, que esconde um jardim e uma piscina que precedem a moradia. Um pequeno pórtico de quatro colunas, encima do por capitéis com folhas de lótus e de papiro esculpidas ou pintadas, assinala a porta de entrada. A porta é adornada com baixos-relevos que informam quem mora ali, o que faz, quanto ele é rico e qual é o seu sangue.



Já na primeira dinastia os egípcios faziam camas, cadeiras e arcas de madeira com encaixe de bronze, cobre e marfim. As cadeiras eram esculpidas, altas, de espaldar reto. E logo ganharam braços almofadados. Para assentos e colchões usavam fibra de papiro e tiras de couro. As mesas eram redondas e pesadas, de um bloco só. As roupas eram guardadas em baús e as joias em cofres marchetados. Não usavam travesseiro, mas uma armação de madeira recurvada, que sustentava a cabeça. O que era bem cômodo.
IMAGEM 03 - Acervo Ludus Schola.
Já na primeira dinastia os egípcios faziam camas, cadeiras e arcas de madeira com encaixe de bronze, cobre e marfim. As cadeiras eram esculpidas, altas, de espaldar reto. E logo ganharam braços almofadados. Para assentos e colchões usavam fibra de papiro e tiras de couro. As mesas eram redondas e pesadas, de um bloco só. As roupas eram guardadas em baús e as joias em cofres marchetados. Não usavam travesseiro, mas uma armação de madeira recurvada, que sustentava a cabeça. O que era bem cômodo.






No Médio Império as casas mais simples tinham um pátio em frente à entrada, uma sala que servia de dormitório e duas despensas. As casas maiores tinham pátios, e os vários aposentos se abriam para eles.

Os cômodos maiores possuíam tetos de tijolo em forma de abóbada, e os menores eram cobertos com palha fixada sobre vigas de madeira; todas as portas eram de madeira e arqueadas; o fogo acendia-se num lado do dormitório, entre tijolos que sustentavam as vasilhas. As grandes mansões tinham sempre um jardim interno, um pátio aberto com colunas circundando uma piscina central, em pedra, e um outro pátio coberto para o qual se abriam passagens para os blocos destinados à família, às visitas, cozinha, serviços e despensa. O dono da casa tinha o seu próprio apartamento e as mulheres viviam num compartimento especial, separado do resto da casa, que incluía sala, quarto e banheiro. As grandes casas não faltavam salas de banho, vestiários, mais de uma cozinha. A casa inteira, com 50 quartos ou mais, tinha uma única passagem para a rua. As janelas eram pequenas e fechadas por grades. Os ricos tinham, às vezes, um segundo andar, com celeiros sobre o teto e um terraço acortinado para tomar ar ao crepúsculo. À noite a iluminação era feita por lâmpadas rasas, de pedra ou argila, contendo óleo vegetal e um pavio de linho. A decoração interior era muito cuidada, muito colorida e muito rica, baseando-se principalmente em motivos florais e na representação da vida e da obra do dono da casa.

No Novo Império passou-se a usar mais pedra na construção das casas, especialmente nos palácios. O palácio de Amenotep III, em Tebas, tinha todos os muros e tetos pintados em cores vivas; os frisos e rodapés eram ilustrados com figuras de dança, rosetas, cabeças de touro, plantas, flores, pássaros voando, animais selvagens. Os assoalhos eram pintados para parecerem tanques cheios com plantas e os tetos imitavam o céu, com desenhos de nuvens e aves.




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