Classicismo português

 


A Literatura faz parte da Retórico, no modo TRIVIUM, que trata das três operações da mente. É por leio da literatura que se expressa o pensamento. O estudo da Literatura Clássica e seus escritores é fundamental, ou a pedra edificante, que oferta a alma á Retórica.

 

O argumento se sustenta em conhecer pensadores, para assim ter argumentos em uma defesa, pois o conhecimento de escritores literários (românticos, sonetistas, poetas, cronistas, roteiristas, ficcionistas etc.) não só tange ao romantismo atribuído ou ficção, mas toda e qualquer obra expressa ideias e quem se ocupa de ideias e pensamento é a Filosofia. 

O classicismo foi uma sequência do movimento Renascentista ou Renascença, um movimente artístico cultura que teve a Itália como cenário principal, pela qual se revivem a cultura e a arte do mundo greco-romano. O movimento tinha princípio o resgate das artes gregas e romanas.




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O classicismo consiste nesse resgate ao mundo antigo, centrando no homem toda a atividade humana – afastando o teocentrismo, Deus no centro de Tudo – por julgá-lo o ponto final de tudo. É a concepção antropocêntrica em oposição à concepção teocêntrica do mundo, da Idade Média, pela qual Deus é ponto para onde converge toda a atividade humana.

O classicismo coincide com o apogeu português, à época das grandes navegações e descobrimentos eu farão de Portugal a primeira potência política e econômica no cenário europeu. Forma-se uma burguesia enriquecida com o comércio ultramarino, há quem, possa proteger os artistas (os mecenas), perpassa no país uma aura de ufanismo, causada pela euforia e epopeia das grandes navegações.

Características do classicismo

1) conceber a arte como representante objetiva da realidade;

2) imitar os modelos greco-latinos;

3) predomínio da razão sobre a emoção e os sentimentos, como força de equilíbrio e manifestação artística;

4)  grande preocupação em cultivar uma forma perfeita de expressão artística. Por influência renascentista, aprimora-se a técnica e novas formas introduzem-se na literatura portuguesa: o soneto, o ode, a epopeia, a tragédia, a comédia, obras teatrais onde se obedece à lei das três unidades etc.

A arte, além disso passa a ter uma finalidade ética, de aperfeiçoamento do homem e procuram-se as verdades universais e absolutas (manifestação do pensamento filosófico). Há um grande enriquecimento linguístico e amplo desenvolvimento da gramática, pois nessa época se fixa como língua definitiva o português – não passava de um dialeto com moldes da gramática latina. Há nas obras clássicas a coexistência de cristianismo e paganismo.

A nova poética (soneto, ode, tragédia etc.) constituem a medida nova, diferente da medida velha da época medieval, que eram as redondilhas maiores, com motes, refrãos, onde se cantava a vida pastoril (Época do Trovadorismo).

O classicismo, em sua fase quinhentista, vai de 1527, quando, voltando da Itália, Sá de Miranda introduz a medida nova em Portugal, até 1580 com a morte de Camões e o domínio da Coroa Espanhola sobre Portugal.

 

Luís Vaz de Camões (1524?-1580)


Pouco se sabe sobre Camões, os dados biográficos são muito obscuros e repleto de lacunas. O que se sabe é que Camões teve uma vida aventurosa, frequentou a corte, esteve na África e na Índia; foi soldado e sobretudo um homem de extensa cultura e de enorme talento artístico. É considerado o maior nome das Língua Portuguesa.

Cultivou a medida velha, onde predominam temas ingênuos da vida diária e da mulher do povo:


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Cultivou sobretudo a medida nova, onde se distinguem seus sonetos sobre o amor.

As poesias líricas de Camões estão em “Rimas”.

O que se nota no lirismo de Camões é a marca profunda da experiência pessoal, quer no trato com o mundo, quer nas relações afetivas com as mulheres.

Nos sonetos, que são sínteses admiráveis sobre o amor, origem e fim do homem, fatalismo etc., e nas canções se resumem sua arte renascentista: há um aprofundamento metafísico no tratamento dos temas, reflexões pessoais sobre problemas humanos atemporais como a origem, fim do homem, amor, o fatalismo, a condição paradoxal do ser humano, no absurdo da existência humana, no neoplatonismo amoroso e até antecipações barrocas. Eis dois netos, que apontam características do período barroco, ou seja, o dualismo e a presença de antíteses:


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Soneto dedicado a Dinamene, a asiática a quem ele amou e que morreu num naufrágio:


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Como épico, Camões escreveu sua maior obra: Os Lusíadas.

Os Lusíadas compõem-se dez cantos, em oitava rima – estrofe de oito versos –, em decassílabos heroicos, no seguinte esquema: ab, ab, ab, cc. Segue a estrutura clássica: proposição, invocação, dedicatória, narração, epílogo.

O assunto tratado na obra é a viagem de Vasco da Gama às Índias, o tema, a exaltação do povo português. O herói é o povo português. A narrativa se resume no que segue:

Inicia ação quando os portugueses navegam, ao mesmo tempo em que no Olimpo, realizava-se o Concílio dos deuses. Baco, desfavorável aos portugueses, arma-lhes uma cilada em Moçambique e outra em Moçamba. Ambas são desfeitas por Vênus, protetora dos portugueses, que, em compensação, prepara-lhes acolhida favorável em Melinde, cujo rei pede a Vasco que conte a história de Portugal.

A ação cede lugar ao discurso de Gama, que enumera os feitos e as realizações portuguesas, desde Luso e Viriato até a própria viagem da qual é comandante. Destacam-se nesta retrospectiva histórica: a batalha de Salado, o episódio de Inês de Castro, o episódio de Aljubarrota, a conquista de Ceuta, o sonho profético de D. Manuel. No que tange à viagem ganham destaque: o episódio do velho do Restelo, o fogo de Santelmo, o episódio de Veloso, o gigante Adamastor, e por fim, a chegada a Melinde.

Em seguida a esquadra parte para a Índia. Baco provoca uma tempestade que é amainada por Vênus. Enquanto isso conta-se o episódio dos “Doze da Inglaterra”. Finalmente, os portugueses chegam a Calecute, onde Paulo da Gama, irmão de Vasco da Gama, explica ao Catual o significado das armas e bandeiras portuguesas. Uma nova emboscada é tramada por Baco e Vasco da Gama é capturado. É solto pela Catual mediante resgate. Inicia-se, então, o retorno a Portugal.


Baseado  na obra: V.V.A.A. Enciclopédia do Ensino Integrado e Supletivo. Ed. 1ª. Libra, São Paulo. Disponível no acervo da Biblioteca Mística de Motosofia.





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