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Em cada semente, uma planta

 


Em tempo de primavera, às vezes podem-se ver no campo tufos brancos tão leves que flutuam no ar. São sementes de choupo ou salgueiro, saídas dos frutos em que amadureceram, e que o vento leva para longe da planta-mãe.

Muitas não sobrevivem. Mas as sementes que caem em solo favorável, nele se fixam e germinam, dando origem a uma nova planta. Esse fenômeno a germinação é uma das mais surpreendentes funções da natureza. Por minúscula que seja, até do tamanho de uma partícula de pó, uma semente pode fazer brotar uma planta grande e forte. Além disso, é portadora de todas as características da planta-mãe: forma e tamanho das folhas, flores, frutos e novas sementes para novas germinações.

 

Para fazer brotarem novas plantas, diversos processos

 

Os vegetais pluricelulares, presos ao solo onde nasceram, dispõem de recursos para assegurar a disseminação das sementes e assim perpetuar a espécie. O vento, a água e os animais tornam-se auxiliares involuntários nessa tarefa. Já o homem contribui deliberadamente para a dispersão das sementes, escolhendo em que lugar e de que maneira se deve plantá-las.

Há plantas que se valem de dispositivos especiais para arremessar as sementes para longe de si, evitando que elas morram amontoadas sob sua própria sombra. Assim, podemos identificar alguns “viajantes” logo que os frutos chegam à maturação: “miolinhos” de cardos, “penugem” de gladíolos, “hélices” de pinheiros.


Imagem 01 - Acervo: Ludus Schola


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Uma semente fica madura quando seu embrião está completamente formado e tem reservas nutritivas acumuladas.

Em geral, a semente atinge a maturação ao mesmo tempo que o fruto que a contém. Neste caso, desprende-se por si ou é disseminada por animais e pelo homem, como acontece com os frutos comestíveis. Algumas sementes, porém, em condições propícias de ambiente, são capazes de germinar antes que o fruto amadureça: é por exemplo o caso do trigo, feijão e centeio. Também é possível que o fruto amadureça, caia ou seja colhido quando as sementes ainda não estão no ponto de germinar, isto é, com seu embrião incompleto. Neste caso, verifica-se uma maturação tardia das sementes, que, por exemplo, é de mais ou menos dois anos na maioria das rosáceas de frutos carnosos, como a pereira e o pessegueiro.


Imagem 02 - Acervo: Ludus Schola


 

A planta em miniatura

 

Uma semente tem duas partes distintas: tegumentos e amêndoa. Os tegumentos formam o episperma e geralmente são dois: um mais externo – a testa e outro interno – o tégmen. Os tegumentos constituem a casca da semente. A amêndoa contém o embrião e, às vezes, tecidos de reserva chamados albúmen ou endosperma.

O embrião já contém, em suas três partes, a futura planta em miniatura: a radícula formará a raiz; a plúmula ou gêmula, da qual vai crescer uma pequena haste que, ao contrário da raiz, se erguerá do chão para o alto em busca de ar e luz; e o hipocótilo, parte que liga a plúmula à radícula, constituída de células sempre jovens e ativas, que permitirá o alongamento da haste (ou talo). Além disso, o embrião tem um ou dois corpos foliares, os cotilédones.

Substância-base das reservas alimentícias destinadas à nutrição do embrião, o albúmen pode estar nos cotilédones (exemplo: feijão) ou fora deles (exemplo: trigo). O albúmen das sementes pode conter amido ou óleo e às vezes é córneo, quase pétreo.


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Da semente à plântula

 

Calor, umidade e oxigênio são os fatores ambientais para que uma semente germine e desenvolva uma jovem plantinha chamada plântula. Em primeiro lugar, a semente absorve água. Complexas reações dão-se no embrião, que se torna quimicamente ativo. Começa a divisão celular, e as células adicionais assim formadas constituem as partes da plântula. A matéria e a energia para esse crescimento provêm do albúmen, que, sob a ação das enzimas, se transforma em compostos solúveis na água, logo absorvidos pelo embrião. A semente incha (intumesce) e com isso o tegumento envolvente se parte.


Imagem 03 - Acervo: Ludus Schola


Há dois tipos de germinação, segundo a disposição dos cotilédones da semente durante o processo germinativo: as plântulas com semente epígea desenvolvem-se carregando a semente para fora da terra (por exemplo, mamona e feijão); as plântulas com semente hipógea são aquelas em que a semente permanece na terra (milho, aveia, trigo). Os nomes vêm do grego: epígea significa “sobre a terra” e hipógea, “sob a terra”.

 

A vitalidade da semente

 

Apesar da aparente rigidez, uma semente madura continua a respirar e guarda pequena porcentagem de água. A vida existe em estado latente, pronta a manifestar-se assim que as condições do meio o permitam. Mas a vitalidade de uma semente, e, portanto, sua capacidade de germinar, não é eterna: tem um prazo que varia de espécie para espécie.


Imagem 04 - Acervo: Ludus Schola


Algumas sementes morrem se não germinarem logo depois de destacadas da planta: cafeeiro, salgueiro, ameixeira. Outras conservam anos a fio sua faculdade germinativa: as leguminosas, por exemplo. As sementes que contêm reservas oleosas (mamona, linho, algodão) perdem rapidamente a vitalidade: o oxigênio do ar decompõe as gorduras, transformando-as em ácidos que matam as células do embrião. As sementes com substâncias amiláceas (trigo, milho, arroz, feijão) mantêm-se por mais tempo. A de trigo, por exemplo, só chega a perder totalmente a vitalidade após o sétimo ou o oitavo ano.

 

Imagem 05 - Acervo: Ludus Schola

 

Eis a marcha de uma germinação com semente epígea, no caso a mamona.

1 – Uma semente de mamona começa a germinar em solo úmido. Ao absorver a água através dos tegumentos, o conteúdo da semente intumesce tanto que os tegumentos se partem e surge a plântula. Por uma das fendas sai então um pequeno filamento: a radícula, que cresce para baixo, enterrando-se no solo.

2 – A radícula cresce, ramifica-se e em seguida torna-se a raiz principal ou primária.

3 – O hipocótilo se alonga, sai da terra em direção ao solo, trazendo a semente ainda quase inata. Os cotilédones, enquanto isso, absorvem substâncias nutritivas do albúmen e distribuem entre as diversas partes da plântula necessitadas de alimento. Com o consumo progressivo do albúmen, os cotilédones terminam sua primeira função e começam a abrir-se para realizar a segunda: transformar-se nas primeiras folhas.

4 – Entre os dois cotilédones aparece a plúmula. Neste caso, eles são as duas primeiras folhas da planta: antes avermelhados, tornam-se verdes. Isso denuncia a presença da clorofila, com a qual a plântula já é capaz de realizar a fotossíntese, podendo iniciar assim uma vida independente.



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