Didelphis marsupialis (latim)
cheira mal. Além disso, é feio.
E desajeitado. Lerdo e estúpido. Glutão. Assassino
de galinhas. Seu nome comum até virou pejorativo:
gambá. E não há mesmo quem simpatize com o pobre.
Mas o que vem a ser um gambá? O gambá é, antes de
tudo, um fraco. Como de resto todos os marsupiais — grupo
de
mamíferos — diferentes dos outros, porque seus
espécimes ao nascer estão muito mal preparados para a
vida. Por isso, as fêmeas possuem no abdômen uma
bolsa de pele o – marsúpio - onde os filhotes se
abrigam
até que possam enfrentar o mundo.
A lei do mais forte para os filhotes
O gambá é o representante por excelência dos marsupiais
americanos. Do tamanho de um gato, sua cauda é comprida,
preênsil, escamosa e sem pelos: ideal para seu dono subir
em árvores. As fêmeas, após uma gestação breve, dão à luz
de
3 a 16 filhotes - pequenas massas gelatinosas sem olhos
nem orelhas e um arremedo de cauda. Dura é a vida do
gambazinho: mal nasce tem que se arrastar até a bolsa
materna e agarrar uma teta, que só largará quando chegar
o tempo de assumir as responsabilidades da independência.
Ora, a mãe-gambá tem no máximo 13 tetas e, às vezes,
mais filhotes. Então, é a lei do mais forte: quem não
conseguir a sua, morrerá de fome.
"O que não mata, engorda"
Boêmio e voraz, o gambá adulto circula pela noite
em busca de comida, na crença de que
“o que não mata, engorda" — é um animal omnívoro.
Tudo lhe serve: frutas, legumes, cereais, raízes, ovos,
insetos, aves, peixes e rãs. Sempre que pode, invade
os galinheiros onde mata mais aves do que pode
comer — só para lamber o sangue. Embriagado,
nem consegue fugir quando o dono do galinheiro
chega e encerra sua vida estranha e atribulada.
Cuíca, catita, guaiquica, chichica, jupati.
Eis como são conhecidas no Brasil algumas
espécies de marsupiais da família Didelfídeos,
pouco ou bem menores que o gambá. Interessante e
bonita é a cuíca-d ‘água (Chironectes minimus),
adaptação
anfíbia da ordem marsupial: seus dedos das patas
traseiras são unidos até a ponta por uma membrana,
tal como nos animais nadadores. Ao contrário do gambá,
não se aproxima dos lugares habitados. Até que prefere
os regatos calmos e solitários, em cujas margens cava
um buraco de meio metro onde passa o dia. À noite sai
para caçar peixinhos, insetos aquáticos e caranguejos.
Prudente, corre de volta ao buraco ao menor
sinal de perigo. E assim, pacificamente, vai levando a
vida.
Hábitos noturnos e bons serviços
Quase todas as demais cuícas são bem menores — algumas
que no Norte são chamadas catitas — lembram ratinhos,
pelo seu focinho pontudo, orelhas nuas, cauda grande,
geralmente bem maior que o corpo, pelada, escamosa
e preênsil olhos vivos, meigos e algo salientes.
Só na América do Sul há mais de 40 espécies de
cuícas do gênero Marmosa. Quase todas têm hábitos
noturnos, alimentando-se de insetos e frutas moles,
especialmente bananas. Menos daninhas que os
gambás, até que prestam serviços ao homem,
devorando insetos em quantidade.




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