Gambás e cuícas

 



Didelphis marsupialis (latim) cheira mal. Além disso, é feio.

E desajeitado. Lerdo e estúpido. Glutão. Assassino

de galinhas. Seu nome comum até virou pejorativo:

gambá. E não há mesmo quem simpatize com o pobre.

Mas o que vem a ser um gambá? O gambá é, antes de

tudo, um fraco. Como de resto todos os marsupiais — grupo de

mamíferos — diferentes dos outros, porque seus

espécimes ao nascer estão muito mal preparados para a

vida. Por isso, as fêmeas possuem no abdômen uma

bolsa de pele o – marsúpio - onde os filhotes se abrigam

até que possam enfrentar o mundo.

 

IMAGEM 01 - Acervo Ludus Schola





A lei do mais forte para os filhotes
 

O gambá é o representante por excelência dos marsupiais

americanos. Do tamanho de um gato, sua cauda é comprida,

preênsil, escamosa e sem pelos: ideal para seu dono subir

em árvores. As fêmeas, após uma gestação breve, dão à luz de

3 a 16 filhotes - pequenas massas gelatinosas sem olhos

nem orelhas e um arremedo de cauda. Dura é a vida do

gambazinho: mal nasce tem que se arrastar até a bolsa

materna e agarrar uma teta, que só largará quando chegar

o tempo de assumir as responsabilidades da independência.

Ora, a mãe-gambá tem no máximo 13 tetas e, às vezes,

mais filhotes. Então, é a lei do mais forte: quem não

conseguir a sua, morrerá de fome.

 

IMAGEM 02 - Acervo Ludus Schola


"O que não mata, engorda"

 

Boêmio e voraz, o gambá adulto circula pela noite

em busca de comida, na crença de que

“o que não mata, engorda" — é um animal omnívoro.

Tudo lhe serve: frutas, legumes, cereais, raízes, ovos,

insetos, aves, peixes e rãs. Sempre que pode, invade

os galinheiros onde mata mais aves do que pode

comer — só para lamber o sangue. Embriagado,

nem consegue fugir quando o dono do galinheiro

chega e encerra sua vida estranha e atribulada.


IMAGEM 03 - Acervo Ludus Schola


Cuíca, catita, guaiquica, chichica, jupati.

Eis como são conhecidas no Brasil algumas

espécies de marsupiais da família Didelfídeos,

pouco ou bem menores que o gambá. Interessante e

bonita é a cuíca-d ‘água (Chironectes minimus), adaptação

anfíbia da ordem marsupial: seus dedos das patas

traseiras são unidos até a ponta por uma membrana,

tal como nos animais nadadores. Ao contrário do gambá,

não se aproxima dos lugares habitados. Até que prefere

os regatos calmos e solitários, em cujas margens cava

um buraco de meio metro onde passa o dia. À noite sai

para caçar peixinhos, insetos aquáticos e caranguejos.

Prudente, corre de volta ao buraco ao menor

sinal de perigo. E assim, pacificamente, vai levando a vida.

 

 

Hábitos noturnos e bons serviços

 

Quase todas as demais cuícas são bem menores — algumas

que no Norte são chamadas catitas — lembram ratinhos,

pelo seu focinho pontudo, orelhas nuas, cauda grande,

geralmente bem maior que o corpo, pelada, escamosa

e preênsil olhos vivos, meigos e algo salientes.

Só na América do Sul há mais de 40 espécies de

cuícas do gênero Marmosa. Quase todas têm hábitos

noturnos, alimentando-se de insetos e frutas moles,

especialmente bananas. Menos daninhas que os

gambás, até que prestam serviços ao homem,

devorando insetos em quantidade.











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