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A Reforma


A quebra da unidade da Igreja Católica foi, como o Renascimento e a Revolução Comercial, uma manifestação também do espírito humanista que marcou o início dos tempos modernos. O movimento religioso, chamado Reforma, opunha-se à supremacia do Papa e à doutrina católica, e baseava-se na ideia de que o homem deve interpretar livremente a Bíblia.

 

Causas do aparecimento de novas doutrinas cristãs

 

Houve uma expansão rápida das novas ideias e o aparecimento de outras igrejas na Europa Ocidental, todas elas inspiradas nas Escrituras, mas diferindo quanto à maneira de interpretá-las e, consequentemente, quanto à doutrina religiosa estabelecida. As causas principais do estabelecimento dessas novas doutrinas cristãs foram:

- o sistema estabelecido por alguns papas de obter recursos financeiros para construção das Igrejas através de venda de cargos eclesiásticos e indulgências, provocando o protesto de muitos;

- o desprestígio, na época, dos sacerdotes, pois muitos deles, sem a preparação necessária para o exercício de suas funções espirituais, dedicavam-se mais a problemas de ordem econômica do que espiritual;

- o desenvolvimento do nacionalismo, fato que levou muitos príncipes a adotarem as novas ideias religiosas como meio de libertarem-se da interferência papal e conseguir, através do confisco das propriedades da Igreja Católica em seus territórios, maiores recursos financeiros.


Imagem 01 - Acervo: Ludus Schola
Basílica de São Pedro - Vaticano


 O movimento reformista: Lutero, Calvino e Henrique VIII

 

O movimento contra a Igreja Católica foi iniciado por João Wyclif, na Inglaterra, e João Huss, na Boêmia, mas seu verdadeiro líder foi o alemão Martinho Lutero. Lutero, monge agostiniano, começou suas críticas à Igreja recusando-se a aceitar a venda de indulgências e atacando alguns pontos da doutrina católica. O Papa Leão X condenou seus atos e exigiu uma retratação, o que não foi aceito por Lutero. Publicamente, em 1520, Lutero queimou a bula condenatória e afirmou que:

- a Igreja deveria se submeter ao Estado e somente possuir poder espiritual;

- todo homem deveria ler e interpretar, de acordo com o seu próprio entendimento, as palavras da Bíblia;

- os chefes de Estado, nobres e magistrados deveriam se unir contra a preponderância papal.

A partir dessas ideias, Lutero foi, progressivamente, estruturando uma nova doutrina. Traduziu a Bíblia para o alemão tornando sua leitura popular e, através de publicações, divulgou no norte da Europa os fundamentos da doutrina luterana:

- a salvação alcançada exclusivamente pela fé;

- a eliminação dos sacramentos, conservando o Batismo e a Eucaristia;

- a autoridade infalível somente das Escrituras.

A livre interpretação da Bíblia pregada pela doutrina luterana fez surgir diversas correntes reformistas, dando origem a outras igrejas dissidentes. Uma das mais importantes foi a organizada pelo francês João Calvino, na Suíça. Adepto da doutrina luterana, transformou-a, criando uma doutrina bastante radical. Aceitando, como os luteranos, somente a Bíblia como autoridade infalível, estabeleceu a doutrina de que a fé é um dom unicamente concedido por Deus – ou a condenação eterna. Esta é a doutrina da “predestinação absoluta”, característica fundamental do calvinismo. Calvino defendia a ideia de que os sucessos da vida terrena eram o sinal da aprovação de Deus. Condenou qualquer tipo de ociosidade e libertou os burgueses da ideia medieval de reprovação ao lucro, favorecendo o desenvolvimento do capitalismo ao considerar o êxito material como uma prova da benevolência de Deus. O calvinismo encontrou grandes adeptos na burguesia da Holanda, Inglaterra, Escócia e França e influenciou o espírito capitalista nesses países.

Na Inglaterra, a reforma religiosa foi iniciada por Henrique VIII e consolidada por sua filha Isabel. A causa fundamental do estabelecimento de uma igreja nacional na Inglaterra foi a questão entre Henrique VIII e a Igreja Católica referente a seu divórcio de Catarina de Aragão. Não conseguindo obter o divórcio, Henrique VIII proclamou-se chefe da Igreja na Inglaterra, fundando a religião anglicana, independente de Roma, que conservou, porém, os dogmas e o ritual do catolicismo. No reinado de Isabel I, foi imposto, definitivamente, o anglicanismo, já influenciado por algumas ideias calvinistas.


O movimento de reação da Igreja Católica
 

A reação contra certos abusos que vinham ocorrendo entre o clero católico começou dentro da própria Igreja e antes da dissidência dos protestantes. Alguns Cardeais passaram a se preocupar em difundir entre seus subordinados um ideal de vida mais diretamente relacionado com os interesses espirituais e novas ordens religiosas, com altos ideais de piedade e dedicação à humanidade, foram criadas, como as dos capuchinhos e carmelitas. Foi, porém, quando a Reforma Protestante tomou vulto que se iniciou uma ação enérgica dos Papas procurando purificar a Igreja Católica, acabar com os abusos e combater as novas ideias religiosas.


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Imagem 02 - Acervo: Ludus Schola
Benção Jesuítica da esquadra de Estácio de Sá organizada contra os franceses.


A ação da Reforma Católica foi desenvolvida através de meios diferentes, mas sempre com o objetivo firme de combater o Protestantismo, impedir a sua divulgação e trazer de novo os dissidentes para a Religião Católica. Os principais métodos empregados nesse sentido foram:

- a conversão dos protestantes através de um trabalho cuidadoso de doutrinação realizado pelas missões, colégios e universidades, salientando-se nessa obra a Companhia de Jesus, fundada em 1534, pelo espanhol Ignácio de Loyola, que conseguiu reconquistar para a fé católica a Polônia e todo o sul da Alemanha;

- a divulgação da fé católica através de um grande processo missionário em regiões distantes da Europa, exercendo os jesuítas, franciscanos e outras ordens religiosas, um grande papel, como missionários ou educadores, na África, Japão, China, América do Norte e do Sul;

- a reorganização da Igreja Católica com a expulsão dos maus sacerdotes e reafirmação da doutrina católica no Concílio de Trento (1545 – 1563), onde, mais uma vez, os jesuítas exerceram grande influência;

- o apoio dado pelos papas aos soberanos católicos que procuravam impedir o avanço das doutrinas reformistas em seus países e em seus domínios.

 



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