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A Justiça - Arcano VIII - Lição de Tarot (Arcanos Maiores): representa a justiça absoluta e a recompensa

 


                                                                                 Cheth (Câncer)

THEMIS

Libratio – Lex – Karma

A oitava lâmina do Tarot define um conceito tão antigo como a própria civilização, encarnado desde o antigo Egito pela deusa Maat num sentido muito mais profundo que o atual.

Maat simbolizava tudo o que é justo, verdadeiro e ordenado de acordo com a criação, o equilíbrio do universo, a harmonia da natureza, a regularidade dos fenômenos celestes, a concórdia entre os seres vivos, a piedade religiosa, o respeito entre os humanos, a justiça na sociedade e a verdade na ordem moral.

Maat é representada por uma mulher com a táu – nome da décima nona letra do alfabeto grego – na sua mão direita e uma pluma de avestruz na cabeça. Segundo a religião egípcia, quando alguém morria, Anubis o apresentava diante de um tribunal de deuses composto por Osíris, Ísis, Neftis e quarenta e duas divindades ao qual se devia realizar sua confissão; em seguida, colocava-se o coração do falecido num dos pratos da balança, Maat depositava sua pluma no outro. Anubis comprovava o resultado do peso, Thot anotava o resultado e anunciava se o morto podia passar para o reino dos deuses ou devia ser devorado por um monstro com cabeça de hipopótamo.

No Egito antigo, não era Maat, a justiça, quem controlava a balança, senão Anubis; ela, com o simbólico peso de sua pluma, decidia sobre o destino do falecido. É na Grécia onde a justiça, agora abaixo o nome de Themis, se apresentava na primeira vez com a balança em sua mão e a espada na outra, e às vezes com os olhos vendados e os ouvidos tapados, desse modo para indicar que não se deve deixar-se influenciar pelas aparências nem as recomendações.

Com o crescente predomínio do Cristianismo no início da Idade Média, é ao Arcanjo Miguel a quem se atribui o simbolismo da justiça emanada do alto, portando a espada e a balança, mas esta não demora em recuperar seu papel e, em meados do século XIII, ganha novamente sua clássica representação greco-romana.

A balança e a espada, o peso e o castigo, e isto não só nesta vida senão também depois da morte; ideia básica de todas as religiões e crenças, já que seja mediante a lei do carma com o prêmio e castigo neste mundo, ou a justiça divina com céu e inferno no outro. Este também é o simbolismo do oitavo arcano, tão evidente que nem precisa de muita elucidação.

Já no Tarot de Waite se troca seu número com o da Força, o qual se constitui num grave erro, pois, desde os antigos gregos até nós o número oito sempre tem sido o número do equilíbrio e da justiça. Assim afirma Santo Agostinho e Molière, por referir-nos somente a autores clássicos não influenciados pelo Tarot, enquanto o número onze implica um confronto e desmesura, é o mesmo que dizer uma energia excessiva que pode mesmo conduzir ao início de uma renovação, equivalendo à ruptura da década e de quanto significa. É por isso que Santo Agostinho afirmava que o número onze se encerram as armaduras do pecado, e segundo Schneider é a representação do número infernal, do conflito e do martírio.


Descrição


Entre todos os arcanos do Tarot, somente duas lâminas apresentam figuras humanas totalmente de frente: A Justiça e O Dependurado, mas este último em posição invertida e instável. Portanto, isso é o que indica com maior força uma ação direta e total, mas num sentido interior e meditativo por tratar-se de uma figura sentada, reafirmando-nos seus pés ocultos debaixo da túnica.


Imagem 01 - Acervo: Biblioteca Mística de Motosofia
Arcano A Justiça no Tarot de White.



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Você deve ter observado que neste curso A Justiça está sendo representada pelo número oito, pois, a lâmina apresentada acima A Justiça é o número onze. No Tarot de White é feita esta alternância na numerologia em relação as demais representações das Lâminas do Tarot. Também no Tarot das Bruxas, A Justiça é representada pelo número onze. As lições de Tarot visa apresentar ao estudante esta divergência de mudanças de numeração, como por exemplo, acontece no Tarot de Mantegna, mas a mudança realizada nas lâminas  não altera a lógica do oráculo.

A Justiça está sentada num trono amarelo, grande e sólido, indicando que deve ser imutável e baseado na inteligência, o que corrobora no chão amarelo no que estende uma mata de erva da mesma simbolizando a passividade fecunda da sabedoria que deve constituir a base sobre a qual se apoia.

Sua cabeça está coberta por um cocar estranho dourado que junto ao colar de ouro e o limite dourado de sua túnica, formam como uma proteção total de caráter mental, cabeça e o pescoço, querendo indicar que sua vontade e independência devem ser protegidas de toda influência exterior. Sua coroa, também de ouro, simboliza sua soberania, e o adorno em forma de dois círculos concêntricos sobre sua frente parece simbolizar o “terceiro olho”[1], aquela penetrante visão interior a que nada pode esconder-se.

A túnica vermelha que veste seu corpo representa o enérgico e a paixão de sua inteira personalidade física e anímica, bem controlada pela espiritualidade do manto azul que cobre quando deve desempenhar sua atividade julgadora.

Seu braço esquerdo, de mangas amarelas nos aponta o caráter inteligente e mental que domina seu psiquismo e estados de ânimo, e sua mão apontando para o alto ao segurar a balança, pois, é ali onde recebe sua faculdade de pesar e julgar, e a balança, também amarela, que a inteligência deve presidir entre o peso e juízo.

Com a mão direita sustenta uma espada amarela cujo punho repousa sobre a borda do trono, indicando o implacável cumprimento da sanção merecida, mas também que deve ser com inteligência e sem espírito vingativo.


Simbolismo


Na Numerologia, o oito corresponde ao intermediário entre a ordem natural e o divino, simbolizando assim a equidade e a justiça.

O simbolismo deste arcano no mundo divino representa a justiça absoluta, a recompensa e o castigo merecido; no mundo das forças, a lei da atração e repulsão que se equilibram na mecânica do universo; e no mundo material, a justiça e as injustiças humanas.

Resumindo, pois, pode-se afirmar que A Justiça simboliza a lei universal do equilíbrio que preside a manifestação e cria o ritmo imutável dos acontecimentos; é devido a sua ação, mais corretivo que punitivo, que qualquer erro ou desvio do caminho reto pode ser reconstituído, e tarde ou cedo cada um de nós chegará a alcançar seu verdadeiro destino.


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Significado Adivinhatório Geral


A Justiça se refere a uma pessoa honesta, mas de personalidade severa, que deseja pesar os prós e contras das coisas, mostra-se justa e equilibrada, o que pode constituir uma garantia de êxito e sucesso, de uma decisão acertada, como o lastro de dúvida diante dos acontecimentos e decisões.

Em outros casos, A Justiça não acrescenta nem tira nada, alude a uma situação bloqueada que requer ser analisada e compensada; é a voz da consciência que exige partir de critérios justos, equitativos e imparciais. É por isso que A Justiça só indica litígios e juízos, recompensas e castigos; as consequências inevitáveis de toda ação anterior.

O resultado será positivo ou negativo segundo apareça do lado direito, ou invertida; também pode estar afetada pelas cartas que a acompanham.


Significados Adivinhatórios Concretos


Saúde – Estável e bem equilibrada, pois, este arcano aponta que se há algum problema pode-se estar garantido da cura plena, depois de um período estacionário.

Invertida aponta problemas de saúde, devido ao desequilíbrio das secreções internas, do metabolismo, da função renal, ou no melhor dos casos de uma simples dor lombar.

Mentalidade – Mente metódica, disciplinada, lógica, independente, pecando às vezes pela rigidez e severa, mas sempre com claridade de juízo, capacidade para intuir e avaliar as possibilidades e perigos em todas as circunstâncias da vida para aconselhar e julgar os demais.

Invertida representa que o exagero destas mesmas qualidades se converte em defeitos: o excesso de rigidez e severidade se torna intolerante, intransigente e o excesso de minúcias paralisa a tomada de decisões e assim sucessivamente.

Sentimentos – Ainda quando sejam retos e honestos, sempre são excessivamente frios, secos e legalistas; em resumo, é uma carta bem desfavorável no que se refere a viver e expressar qualquer classe de sentimentos e emoções. Somente em pessoas evoluídas o amor pode fluir e harmonizar-se com a justiça.

Invertida indica falta de sentimentos ou mesmo a ruptura de laços sentimentais já existentes.

Família – Aqui também se faz presente a tendência à legalidade e severidade, pelo que apresenta ou propõe aquele tipo de família tradicional onde cada um dos seus membros sabe qual era é seu lugar, seus deveres e direitos e se atém ao cumprimento destas leis, ao qual sempre resulta em detrimento do amor. Quando aparece na tiragem para alguém que mantém uma relação aberta indica o desejo de legalizá-la.

Invertida indica a falta ou a ruptura do amor e dos laços familiares, desde que seja por separação, divórcio ou qualquer outro motivo, mas legalizando sempre a situação final resultante.

Amizades – Existe com as mesmas um maior entendimento mental que afetivo.

Invertida aponta desacordos e inclusive rupturas pela incapacidade de transgredir as possíveis faltas ou defeitos em relação aos demais.

Trabalho – Sempre implica a presença da justiça e da burocracia, desde que seja para exercer alguma profissão relacionada com as mesmas, por apresentar um juízo legal ou por legalização de um contrato, ou simplesmente pode indicar a necessidade de pôr em dia a documentação e a papelada laboral e profissional.

Invertida pode indicar um juízo que se perde, um contrato rescendido, ou qualquer classe de sanção penal, fiscal ou trabalhista.

Dinheiro – É totalmente neutra quanto às questões econômicas, exceto quando chega ou se perde como consequência de questões legais em curso.


Meditação sobre este Arcano


A árvore-da-vida se compõe de três pilares: o da Misericórdia, o do Rigor e do Equilíbrio; enquanto no Zohar se considera dois pilares externos como o bem e o do bem e do mal ‒ metafisicamente falando ‒, devem equilibrar-se no centro para manter a estabilidade da criação.

Daí concluímos que o mundo dos sefirot é como um sistema de balanças que atua nos quatro mundos da criação; em cada um dos tais mundos, exceto no último ‒ que é o resultante, existe um sefirá de misericórdia e outro de rigor, que além de completar-se entre si, desembocam, ao equilibrar-se, em outro sobre o pilar central.

Portanto, no Mundo dos Arquétipos dos dois princípios complementários de Hojmá, a Sabedoria, e Biná, a Inteligência, se equilibram entre si pata como resultado Daat, a consciência superior, em ordem descendente; enquanto na ordem ascendente podemos dizer que a Sabedoria e a Inteligência quando bem equilibradas nos permite chegar a Kéter, o conceito da divindade.

Já no Mundo da Criação, Hessed, a Misericórdia, e Geburá, a Severidade, se equilibram para conduzir-nos a Tiferet, a Beleza ou o Coração de Deus, em seu sentido descendente e a Daat no ascendente. E assim poderíamos seguir pelos demais Mundos.

Aqui devemos ressaltar a necessidade de compensar sempre o positivo e o negativo, a misericórdia e o rigor, o espírito e a matéria, si realmente queremos atingir ao verdadeiro equilíbrio, que no pilar central nos direciona do homem a Deus passando pela consciência, desde a inferior (Yesod) a superior (Daat) e centrada no coração de Deus (Tiferet).


Imagem 02 - Acervo: Biblioteca Mística de Motosofia
A Justiça representada pelo Tarot das Bruxas


Tudo isso podemos aplicar ao Tarot apesar de sua estrutura lineal, muito mais simples, e é por isso que A Justiça nos faz lembrar que atrás do triunfo do Carro, capaz de fazer-nos cair em excesso de rigor, é necessário empregar A Justiça para atingir o necessário equilíbrio só o encontraremos centrando-nos em nossa consciência. Contudo, também nos alega que a justiça segue existindo mais além da vida, e de como nós julgamos os demais dependerá como nós seremos julgados, o que implica, na verdade da lei Cármica.

Do que se desprende claramente que uma coisa é julgar e inquirir onde se encontra a verdade e outra muito diferente é ficarmos presos no rigor, pretender aplicar a justiça e castigar por nossa própria conta, pois, mais à frente da justiça humana existe uma suprema lei equilibradora que tem a última palavra. Também no Pilar do Equilíbrio, por cima da consciência humana de Yesod, existe a consciência superior de Daat; e Kéter por cima de tudo.

Conclui-se que A Justiça equivale ao décimo segundo caminho e com Júpiter no signo de Libra.


[1] Na concepção de Motosofia, o terceiro olho também pode ser aplicado a filosofia de Hipatia de Alexandria, ao afirmar que “a alma é o olho enterrado dentro de nós”.



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