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Organismos vivos

 


A biologia é a ciência que estuda os animais e as plantas, isto é, os seres vivos. Este nome, etimologicamente, provém da palavra grega “bios”, que significa “vida”. Devemos portanto, distinguir a matéria viva da inanimada.

Qual é, por exemplo, a diferença existente entre o solo e as rochas, por um lado, e os animais e as plantas, por outro? Neste caso é bem clara. Se, no entanto, nos referirmos aos animais e às plantas mortas? A diferença se encontra no fato de que eles são constituídos pelas mesmas substâncias dos que vivem, só que não têm vida.


Imagem 01 - Acervo: Ludus Schola 
O movimento, seja para alcançar os alimentos ou para fugir dos inimigos, é uma das características dos seres vivos.


Não estamos, todavia, em condições de responder à pergunta: “que é a vida?”. Não obstante, estudando as características comuns a todas as coisas vivas, das quais carecem os inanimados, podemos distinguir entre seres vivos e não vivos. Estas características são os resultados visíveis do que chamamos “vida”. O primeiro, e talvez o mais evidente traço que caracteriza as coisas vivas, é o movimento. Os objetos inanimados não possuem a capacidade de transportar-se de um lugar para outro por seus próprios meios. Não resta dúvida de que os animais são capazes de mover-se. Umas vezes, em busca de alimento, outras, para escapar aos inimigos. As plantas também podem mover-se, como se demonstra, colocando um vaso de planta sobre o parapeito de uma janela. O caule se inclina buscando a luz (heliotropismo positivo). Muitas plantas inferiores que vivem na água são bem parecidas a animaizinhos, mesmo que tenham a substância verde corante (clorofila), e podem transportar-se através de filamentos móveis (flagelos). Relacionado com o movimento, está o fenômeno da irritabilidade


Imagem 03 - Acervo: Ludus Schola 

A planta, ao ar livre, cresce verticalmente, buscando a luz. Colocada num cômodo, inclina-se para a janela por onde penetra a luz.



+ Para calcular, padrões numéricos


Isto significa que o organismo reage de um modo ou de outro, em relação ao meio que o cerca. Por exemplo, a planária fugirá se sentir a presença de ácido na água. As plantas descritas, inclinam-se estimuladas pela luz. Existem outros exemplos menos claros de sensibilidade: a presença de alimentos na boca produz excitação das glândulas salivares, determinando um aumento de secreção da saliva, que servirá para iniciar o mecanismo da digestão. As plantas absorvem bióxido de carbono e água do seu meio ambiente, elaborando açúcares através do processo da fotossíntese. Estes e os sais minerais constituem as proteínas e os novos componentes da planta. Os animais comem diretamente plantas ou de saída que o oxigênio em sua entrada. Em outros animais, a saída se efetua através da pele. Durante a elaboração das novas substâncias corporais, passam-se complicadas reações químicas, nas quais intervêm compostos nitrogenados. Alguns destes últimos são resíduos e devem também ser expulsos. Nos animais esta função é dos rins e de outros órgãos excretores. Chama-se excreção ao conjunto dos processos que consistem na eliminação de matérias residuais (bióxido de carbono e compostos nitrogenados).

Enquanto uma pedra ou um pedaço de ferro podem existir quase que indefinidamente, um organismo vivo tem vida limitada. As células de que são constituídos os seres vivos não podem crescer indefinidamente. A maioria delas se divide, periodicamente, em novas células. Em particular, os organismos unicelulares tais como a ameba ou a euglena, usam este processo de reprodução. Porém, nos animais e plantas mais complexos isto não acontece. O processo da reprodução é mais complicado. Pequenos fragmentos, ou mais comumente células independentes, se separam do corpo principal e começam a crescer como indivíduos completamente novos, cada um dos quais pode desenvolver-se, alcançando um tamanho máximo e então reproduzir-se novamente.


Imagem 02 - Acervo: Ludus Schola 
Os platielmíntios (planárias) são muito sensíveis aos estímulos químicos existentes na água, movendo-se para as fontes de alimento e fugindo dos ácidos, por uma ação quase reflexa. Por isso, tendem a permanecer no lugar mais favorável.


Todos os caracteres anteriormente assinalados são manifestações de vida, mas não respondem à pergunta que nos propusemos a princípio: “que é a vida?”. Não existe ainda uma resposta satisfatória para esta interrogação. Poderia ser que a vida fosse uma propriedade de certas combinações de compostos químicos — neste caso, seria possível reproduzir a vida artificialmente — ou, ainda, que fosse algo estranho às substâncias que constituem o organismo. 

Existe muita discussão e argumentos acerca da origem da vida. Não é provável que esta questão possa ser resolvida completamente um dia. Mas, evidentemente, a vida começou em alguma parte e num certo momento. Uma das primeiras e mais divulgadas teorias foi a de Richter, exposta em 1865. Sugeriu que a vida é eterna e existe ao longo de todo o Universo, em forma de pequenos esporos que chamou “Cosmozoas”. Os esporos que alcançam uma região adequada desenvolvem-se e evoluem dentro do vasto campo das coisas vivas que conhecemos. Esta teoria não pôde sustentar-se por uma série de razões, sendo que a mais importante é o fato de que os raios ultravioletas e outras radiações matariam, rapidamente, no espaço livre, qualquer organismo vivo não protegido de modo especial.


Imagem 04 - Acervo: Ludus Schola

Para demonstrar que os seres vivos respiram, faz se passar através do aparelho, da esquerda para direita. A soda cáustica absorve o bióxido de carbono, mas a água de cal da direita volta a turvar-se, demonstrando que o animal respira. Esta experiência pode ser feita com sementes.


Devemos aceitar que a vida começou na Terra há muito tempo. A Astronomia nos diz que a Terra existe há mais de três bilhões de anos, constituindo-se, no início, de uma esfera muito quente, onde a vida era impossível. Gradualmente, à medida que a Terra foi-se esfriando, surgiram as condições necessárias à vida. Não sabemos quando se produziram estas condições mas, seguramente, foi muito antes do período Cambriano (há 500 milhões de anos), visto que nas rochas cambrianas encontrou-se enorme variedade de fósseis de animais, alguns de certa complexidade.

A atmosfera da Terra recém-formada estaria cheia de vapor e muitos compostos hidrocarbonados (metano), formados a partir da água e outros carburetos. Quando a Terra foi-se esfriando e o vapor se condensou, formaram-se oceanos que conteriam substâncias hidrocarbonadas. Muitas das teorias atuais sobre a origem da vida estão relacionadas com tais compostos carbonados, porque os átomos de carbono podem formar grandes cadeias moleculares. Possivelmente o conjunto de vários hidrocarbonetos com amoníaco e outros compostos análogos, numa dissolução coloidal (como a gelatina), produziu uma combinação capaz de crescer e reproduzir-se. Talvez tenha sido este o início da vida. Se isto aconteceu, é provável que estas formas primitivas foram posteriormente eliminadas, em competição com a já florescente vida da época. Seja qual for a verdadeira natureza da vida, é indiscutível o fato de que ela surgiu na Terra, e que nela se desenvolveu uma grande variedade de formas vivas (organismos). O contínuo processo do qual se originam novas espécies a partir de outras mais antigas, através de lentas transformações, chama-se evolução.

 


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