Um imenso bloco de terras contínuas se estende aproximadamente do Círculo Polar Ártico ao Equador. São 54 933 255 km². Se olharmos apenas o aspecto físico, diremos que estas terras formam um só continente, chamado Continente Eurasiano ou Eurásia.
Entretanto,
esta enorme massa de terras acabou ficando conhecida como dois continentes:
Europa, na parte oeste, e Ásia, na leste.
Mas
por que foi feita esta divisão?
Acontece
que os povos do oeste e do leste são muito diferentes. Sua História e seu modo
de vida são de tal maneira diversos, que o aspecto físico do território ficou
em segundo plano. A separação entre Europa e Ásia é feita para realçar dois
mundos culturais diferentes: o mundo ocidental e o oriental.
Onde termina a Europa e começa a Ásia?
Através
dos tempos, os limites entre os dois continentes foram às vezes marcados num
lugar, às vezes noutro. Quais são os limites admitidos atualmente?
Vamos
ver isso fazendo uma viagem ao redor da Europa. Acompanhe pelo mapa, pois
iremos percorrer os locais habitualmente aceitos como linha divisória entre
Europa e Ásia.
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| Imagem 01 - Acervo: Ludus Schola |
Separando a Europa da Ásia
Estamos
no Oceano Atlântico. À nossa frente, temos aquela pequena abertura entre a
África e a Europa, chamada Estreito de Gibraltar.
Atravessemos
o Estreito. Agora, penetramos no mais famoso dos mares: o Mediterrâneo. Ao
norte do Mediterrâneo fica a Europa e ao sul a África.
Em
seguida, percorremos a costa mediterrânea da Europa. Esta costa é muito
recortada e dá origem a vários outros mares menores. Continuamos sempre em
direção ao oriente, até chegarmos à Ilha de Creta.
Ao
norte de Creta está o Mar Egeu. A nordeste do Egeu atravessamos o Estreito de Dardanelos,
que nos leva ao pequenino Mar de Mármara.
Do
Mar de Mármara passamos ao Mar Negro, através do Estreito de Bósforo. Vamos
atravessar este mar. Navegaremos em suas águas até a margem leste, onde se
encontra a Cordilheira do Cáucaso.
Neste
ponto, nossa viagem continua por terra. Vamos acompanhar a cordilheira até as
margens do Mar Cáspio. Este mar não tem nenhuma ligação com outros mares ou
oceanos, mas ele recebe as águas de vários rios. Um desses é o Rio Ural. É na
sua desembocadura que vamos parar.
Daqui
para diante, uma parte de nossa viagem será por rio. Navegaremos no Rio Ural em
direção à sua cabeceira. Ela fica numa velha cadeia de montanhas que recebe o
nome de Montes Urais. Observe como estas montanhas têm o sentido dos
meridianos. Vamos seguir os seus velhos picos gastos pela erosão e chegaremos
até o Mar Glacial Ártico.
Do mar Egeu até aqui, à nossa esquerda sempre
esteve a Europa e à direita a Ásia.
Uma
vez no Mar Glacial Ártico, voltaremos em direção ao ocidente, passamos pela
grande Península Escandinava e atingimos novamente o Oceano Atlântico. Chegamos
assim ao ponto de partida, o Estreito de Gilbratar.
Agora,
observe a região que ficou dentro dessa volta que nós demos. É o continente
Europeu, extremamente rendilhado.
Na velha Europa
A
Europa pode ser considerada como uma enorme península de 10 519 367 km².
Em
suas costas extremamente recortadas, aparecem todos os tipos de acidentes geográficos:
cabos, promontórios, golfos, ilhas, profundos estuários, penínsulas etc.
Através
desses recortes, o mar entra profundamente em diversas regiões do Continente
Europeu. Podemos dizer que a Europa é o mais marítimo dos continentes. Você vai
ver como este fato tem grande influência na vida de seus habitantes.
Por
enquanto, confirme o que foi dito, observando este gráfico:
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| Imagem 02 - Acervo: Ludus Schola |
Como se formou a Europa?
Há
milhões de anos, a forma da Europa era muito diferente da atual. Não havia
separação entre a América do Norte e a Eurásia. Suas terras estavam emendadas,
formando um só continente.
Mas,
nessa época, a crosta da Terra ainda estava em formação, sofria modificações, e
a América do Norte acabou separando-se da Eurásia. Entre os dois continentes
colocaram-se as águas do Atlântico.
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| Imagem 03 - Acervo: Ludus Schola |
Observe
o caminho que os continentes teriam percorrido, segundo os cientistas R. S.
Dietz e J. C. Holden.
- Há
180 milhões de anos, a Terra apresentava dois conjuntos:
a) Laurásia (América do Norte e Eurásia);
b) Gondwana (América do Sul, África, Arábia, Índia, Austrália e Antártida).
Entre esses conjuntos, estendia-se um mar que Suess chamou de Tétis, para distingui-lo do atual Mediterrâneo. - Há
mais ou menos 150 milhões de anos, grandes blocos dos dois conjuntos
começaram a separar-se.
Veja o Atlântico formando-se e o geossinclinal do Tétis perdendo parte de sua área. Da pressão exercida nos sedimentos, depositados em seu fundo, surgiram as altas cadeias de montanhas (exemplo: Alpes). - Há
65 milhões de anos, o atual Mediterrâneo era ligado ao Oceano Índico.
Repare como os continentes continuam movimentando-se lentamente.
- Em
fins do Terciário, há mais ou menos 11 milhões de anos, as grandes cadeias
de montanhas já estavam formadas.
Ainda
existem, em vários lugares da Europa, áreas que possuem terrenos muito antigos,
anteriores a esta separação. Datam do Paleozoico.
Tais
terrenos aparecem principalmente na Península Escandinava, nas Ilhas
Britânicas, na França, na Península Ibérica, na Europa Central e na União
Soviética.
Veja
isso no mapa:
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| Imagem 05 - Acervo: Ludus Schola |
Precisamos
notar uma coisa importantíssima a respeito desses terrenos velhos. Acontece que
estas regiões, de formação mais antiga, são geralmente ricas em minérios, como
carvão (carbonífero do Paleozoico), estanho, cobre, chumbo e outros.
Como
se observa no mapa do relevo, atualmente o sul da Europa é uma região de altas
montanhas. Mas estas montanhas nem sempre estiveram aí. Em seu lugar havia um
grande mar, conhecido como Tétis, o qual se alongava pela Ásia Ocidental e
meridional.
Leia também: Bandeiras
Para
o fundo do Tétis ia grande quantidade de sedimentos que eram retirados das
montanhas pela erosão.
Depois
de milhões de anos de acumulação, a massa de sedimentos começou a sofrer forte
pressão. Em virtude disso, esses depósitos acumulados no fundo mar começaram a
dobrar-se e a erguer-se, originando montanhas novas. Assim, surgiram os
enrugamentos da chamada “revolução alpina”, como as cordilheiras dos Alpes, dos
Pirineus, dos Apeninos, dos Cárpatos, dos Balcãs, do Cáucaso e outras.
As
falhas e fraturas produzidas nas camadas de rochas rompidas com os dobramentos
deram origem a erupções vulcânicas. Até hoje essas regiões são atingidas por
vulcões.
Estas
montanhas altas, com picos cobertos de neve, não são ricas em jazidas minerais
como as mais antigas. Entretanto, elas favorecem outro tipo de riqueza: a
hidrelétrica. Muitos cursos de água começam nestas altas regiões. Depois,
percorrem terrenos muito irregulares, formando quedas-d'água. Tais quedas são
um grande potencial energético.
Nessa
época, volumosas massas de gelo chegaram até o centro do Continente Eurasiano.
As
glaciações tiveram um papel importante na formação do relevo desta região.
Existem algumas marcas características das geleiras em certos tipos de relevo.
Por exemplo:
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a modelagem de certos vales;
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os recortes do litoral;
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as morenas ou morainas, isto é, depósitos de pedras acumuladas pelas
geleiras;
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as fossas glaciares, ou seja, enormes buracos feitos pela erosão das
geleiras, os quais atualmente formam milhares de lagos.
No
sul desta área, os ventos depositaram uma camada de sedimentos que hoje forma
um rico tipo de solo, chamado “loess”.
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| Imagem 06 - Acervo: Ludus Schola |
Planícies: localizadas no centro e norte
representam quase 2/3 da área da Europa. Seus terrenos são sedimentares e
ondulados. Estas planícies se prolongam desde o Atlântico até os Montes Urais.
Elas formam uma região favorável para comunicações terrestres.
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| Imagem 07 - Acervo: Ludus Schola |
Montanhas
velhas: aparecem
ao norte e a noroeste, mas existem também até no centro da Europa. Estão gastas
pela erosão e não ultrapassam 2 800 m.
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| Imagem 08 - Acervo: Ludus Schola |
Montanhas
novas: profundos e
picos pontiagudos, cobertos com neves eternas. são altas e localizam-se no sul.
Apresentam vales
Este
relevo favoreceu o desenvolvimento de uma rede fluvial que se encaminha para
todas as direções. Os rios europeus não têm o mesmo tamanho dos americanos,
asiáticos ou africanos, por causa das pequenas proporções do continente. No
entanto, eles possuem notável influência, especialmente como vias de
transporte. Assim, pequenos rios ganham grande importância, como é o caso do
Reno, do Danúbio, do Volga e de muitos outros.










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