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Os continentes

 



A viagem ao centro da Terra, sugerida por Júlio Verne em um dos seus romances, tem se mostrado proeza mais difícil do que parecia. 

Apesar de todo o progresso tecnológico, o máximo que o homem conseguiu penetrar na crosta terrestre foram 6,5 km e, mesmo assim, através de sondas petrolíferas. Como o raio da Terra mede 6378 km, não se pode dizer que esse avanço tenha sido muito expressivo. Contudo, apesar da dificuldade em progredir rumo ao interior do globo, os geólogos já descobriram bastante a respeito de sua constituição, graças a uma série de artifícios, tais como a medição das vibrações causadas por terremotos e por explosões violentas. E essas conquistas permitiram que a ciência desmentisse uma série de noções falsas, que vigoraram por muito tempo. Hoje se sabe, por exemplo, que a temperatura não aumenta sempre quando se ruma para o centro da Terra. O calor se eleva somente até um certo ponto: depois estaciona. Nos terrenos vulcânicos, o aumento de temperatura é de 1 grau por metro de avanço; em terrenos comuns, a média é outra – 1 grau de aumento para cada 33 metros de descida. E, a partir de certo ponto, a temperatura se torna constante.


Imagem 01 - acervo: Ludus Schola 
A ilustração permite observar que a camada superficial da crosta terrestre, sendo muito delgada e leve, mas ao mesmo tempo rígida, praticamente flutua sobre a camada inferior, mais pesada e semifundida. Por causa do seu relevo irregular, uma parte da crosta exterior permanece submersa nos mares, enquanto as partes mais elevadas erguem-se acima das águas, constituindo as ilhas e os continentes.



Imagem 02 - acervo: Ludus Schola
Os continentes parecem grandes jangadas de rocha sólida que flutuam sobre um vasto mar de rochas semiderretidas em consequência da alta temperatura ali reinante.


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Se o calor não parasse de aumentar, no centro da Terra a temperatura atingiria a exorbitância de 193 060°C, o que provocaria a fusão da camada exterior da crosta terrestre, sobre a qual vivemos. Por sorte, isso não acontece: os cientistas avaliam em 3 500 a 4 000°C a temperatura máxima possível no “miolo” do nosso globo.

A camada de matéria em estado fluido que existe nesse núcleo de alta temperatura acha-se recoberta por outra, em estado pastoso. Sobre esta se assenta uma camada externa, sólida, cuja espessura é suficiente para absorver e neutralizar o calor intenso que vem das zonas mais profundas.

Os continentes que fazem parte desta camada sólida apoiam-se, portanto, sobre um leito de rochas semifundidas que jamais se solidificam, em virtude do calor produzido pelas grandes quantidades de material radioativo existente no núcleo terrestre. Essas rochas quase fluidas formam correntes que se deslocam, num movimento que se transmite à camada superficial.

Embora seja extremamente vagaroso, esse deslocamento ocasiona mudanças na crosta externa, modificando dessa forma a posição dos diversos continentes. São necessários milhares de anos para que se notem as mudanças, mas elas acontecem a cada dia, devagar e sempre. O cientista alemão Alfred Wegener, que foi o primeiro a estudar esse fenômeno, deu-lhe o nome de “deriva dos continentes.”



Imagem 03 - acervo: Ludus Schola



Há 250 milhões de anos, existia apenas um continente, formado por um único e extenso bloco de terras emersas. O Atlântico era um pequeno mar e o Mediterrâneo não passava de um lago. Todo o espaço restante da superfície do globo era ocupado por um só oceano contínuo.



Imagem 04 - acervo: Ludus Schola




Mais tarde, há cerca de 60 milhões de anos, essa massa continental se rompeu originando vários blocos de amplas dimensões, os quais depois tornar-se-iam os atuais continentes. Esses blocos, entretanto, permaneceram agrupados e as áreas de oceano existentes entre eles eram reduzidas.



Imagem 05 - acervo: Ludus Schola



As mesmas forças que provocaram o rompimento da massa daquele continente único original, fizeram com que os seus fragmentos continuassem a se afastar uns dos outros. Há cerca de 2 milhões de anos, já bastante separados entre si, os continentes apresentavam-se com este aspecto.


Imagem 06 - acervo: Ludus Schola 

Mares e solos

A Terra tem cerca de 510 milhões de quilômetros quadrados de superfície, da qual somente uma pequena parcela é ocupada pelas terras emersas. Os oceanos e mares cobrem cerca de 71% da área total, ou seja, 361 milhões de quilômetros quadrados. Os continentes, portanto, representam apenas 29% da superfície total.



Mapa das divisões administrativas da colonização espanhola

A partir do momento em que a primitiva massa continental se rompeu, criando os continentes, estes começaram a deslizar sobre a camada inferior de rocha pastosa. Este movimento afastou-os gradualmente do local onde se assentava ο primeiro bloco das terras emersas e fez com que, pouco a pouco, os blocos continentais se distancias- sem entre si. O atual recorte litorâneo dos continentes ainda mostra claramente os vestígios da separação: o formato saliente da costa sul-americana coincide com a reentrância do litoral africano; a costa sul da Europa tem um desenho muito aproximado ao da costa norte da África e o litoral do nordeste africano é como o do sudoeste da Ásia.


Imagem 07 - acervo: Ludus Schola



Os continentes distribuíram-se principalmente no hemisfério setentrional, ou seja, na metade superior do globo, formando um grupamento em semicírculo que tem como centro ideal o polo norte. Dessa forma, a área ocupada pelos oceanos no hemisfério norte é relativamente pequena.


Imagem 08 - acervo: Ludus Schola


No hemisfério sul acontece exatamente o oposto: as águas cobrem a maior parte da superfície. A Antártida, região permanentemente gelada, é a extensão de terra mais considerável da metade inferior do globo. Além dela, encontram-se apenas extremidades de continentes situados ao norte.


Imagem 09 - acervo: Ludus Schola


A região que circunda o polo norte é um oceano sempre coberto por grandes geleiras. Em volta dele, os continentes se agrupam formando um semicírculo claramente definido. Ao contrário do que acontece na Antártida, que é deserta, a região ártica é habitada em alguns pontos.


Imagem 10 - acervo: Ludus Schola


À medida que avançam para oeste, em seu lento mas contínuo movimento sobre a camada pastosa, os continentes americano e asiático se fragmentaram em alguns pontos, deixando para trás um considerável número de ilhas, espalhadas como uma esteira por uma extensa área do Oceano Pacífico.


Europa

 A Europa pode ser considerada um apêndice da Ásia – uma grande península que se convencionou “começar” ao longo dos montes Urais e do Cáucaso. Tendo se formado a partir das civilizações asiáticas, constituiu-se, durante mais de vinte séculos num centro de irradiação de cultura e de costumes. Agora, perde gradativamente sua primazia a favor do Novo Mundo, descoberto e povoado por europeus. A extensão de suas costas é de apenas 38 000 quilômetros, metade das que possui a Ásia, e a sua superfície não chega a um quarto da superfície da Ásia, mas, por outro lado, são os 10 000 000 km² mais densamente povoados do mundo, pois neles vivem mais de 744 a 745 milhões de habitantes, mais de 50 por km².


Ásia

Geograficamente, a Ásia é o maior dos continentes com seus 44 150 000 km². Na realidade, forma um só bloco com a Europa e está separada do continente africano apenas pelo canal de Suez. Ali se acham o maior monte do mundo – o Everest –, a mais alta planície – a tibetana –, a mais alta cadeia de montanhas – do Himalaia –, o maior lago – Cáspio –, a maior depressão – o Mar Morto. Hoje a Ásia é superpovoada e pobre, mas sua importância reside no fato de ter sido o berço das mais antigas civilizações – a chinesa e a indiana –, das primeiras religiões, dos idiomas que dariam origem aos demais. Na Ásia vive atualmente mais da metade da população da Terra: 4,85 bilhões de pessoas.


África

Após ter sido dominada politicamente pelos europeus que haviam destruído, a partir do século XV, todas as formas locais de estruturas administrativas e jurídicas, – só recentemente a África começou a se mostrar no panorama mundial, sob forma de estados autóctones. É massivamente habitada pela população negra, havendo nações de origem racial branca apenas em suas costas setentrionais e alguns grupos na parte meridional. No resto do continente, coberto, muitas vezes por florestas impenetráveis, predominam ainda as formas mais primitivas de vida religiosa, social e cultural, repleta de rituais, crendices e magia negra. Mais de 30 000 000 km² são habitados por 1,57 a 1,58 bilhões pessoas.


Austrália

Terra das grandes distâncias e das radiocomunicações, a Austrália é uma ilha de proporções continentais. Foi descoberta e povoada pelos ingleses, tornando-se desde logo, uma prolongação da cultura europeia anglo-saxónica. As outras ilhas que a cercam formam o conjunto chamado – Oceania – apresentam um aspecto totalmente diverso: populações polinésias e melanésias com sua cultura peculiar e suas tradições totalmente divergentes das mantidas pelos descendentes de europeus na Austrália. Dos continentes, é o mais escassamente povoado. O conjunto todo tem 9 milhões de quilômetros quadrados e menos de dois habitantes por quilômetro quadrado, somando aproximadamente 46 a 47 milhões de habitantes em toda a Oceania.

 

América do Sul

Embora ligada, através do istmo da América Central, à América do Norte, esta parte do Noνο Mundo apresenta uma face completamente diferente. Tendo herdado, toda ela, a cultura latina de seus conquistadores, a América do Sul é muito mais homogênea do que qualquer outro continente. Essa homogeneidade poderá ser útil para o futuro. A América do Sul olha para a frente e, através da consolidação das relações culturais, técnicas e mercantis entre seus países, e do incentivo à industrialização de seus produtos agrícolas, poderá, num futuro não muito distante, vir a ocupar uma posição de destaque entre as grandes potências. Tem quase 18 000 000 km² de superfície e aproximadamente 435 a 440 000 000 habitantes.


Imagem 11 - acervo: Ludus Schola


Em seu livro “Timeu”, o filósofo Platão descreve um arquipélago que teria existido na região do Estreito de Gibraltar e mais tarde, abalado por um grande terremoto, arrastou para o fundo do oceano uma grande civilização.

Essa lenda, enriquecida com diversos detalhes fantásticos, preservou-se através do temро е ainda hoje constitui um enigma que desperta a curiosidade de muita gente. A grande semelhança existente entre civilizações situadas em diferentes pontos do globo – como os Maias e Incas, na América; os Assírios e Hititas na Ásia Menor e os Etruscos, na Itália fez renascer a fábula do “continente perdido”, que se teria chamado Atlântida. Mas as pesquisas geológicas realizadas na região de Gibraltar nada revelaram de novo sobre o assunto. E a Atlântida permanece sendo apenas uma lenda...





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