A mais importante organização militar da Idade Média – a cavalaria – desenvolveu-se a partir do século IX, como expressão da própria maneira pela qual se estruturava a sociedade feudal.
Segundo as leis não escritas daqueles tempos, só os primogênitos dos senhores
de terra tinham direito integral à herança dos bens paternos. Desse modo, os
demais filhos eram nobres sem fortuna sem meios de consegui-la pela atividade
econômica, não só porque negociar era considerado atividade indigna de um
barão, mas também porque a Igreja condenava a obtenção de lucros através do
comércio.
![]() |
| IMAGEM 01 - Acervo Ludus Schola |
Que meios restavam então aos indivíduos que aspirassem a conquistar prestígio, poder e fortuna? Os empreendimentos militares ou a pura e simples aventura. Assim, começaram a aparecer, em diversos países da Europa, grupos de homens armados e turbulentos, que volta e meia espalhavam o terror entre as populações camponesas, saqueavam os viajantes e assolavam aldeias e vilarejos. Em suma, eram bandidos como quaisquer outros. Com uma diferença: tinham ascendência nobre. Pois, o sonho de todo garoto na Idade Média era ser cavaleiro ou monge.
![]() |
| IMAGEM 01 - Acervo Ludus Schola |
Mais tarde, as coisas mudaram
bastante. Em primeiro lugar, a partir do século XI a cavalaria ficou organizada
segundo normas mais precisas e os cavaleiros, hierarquizados, sendo utilizados
brasões como forma para sua classificação e reconhecimento.
A responsável por essa
organização foi a Igreja – a mais poderosa instituição medieval –, que soube
dirigir as atividades dos cavaleiros no rumo dos princípios que defendia. Assim,
distribuídos em mais de 200 ordens militares, os cavaleiros deveriam – ao menos
teoricamente – fazer justiça, defender os fracos e propagar a fé cristã. A
atribuição dessas tarefas e a definição de um código de honra contribuíram para
moralizar os costumes, moderar o despotismo e forjar um novo estilo de vida.
![]() |
| IMAGEM 03 - Acervo Ludus Schola |
Ser cavaleiro era um
privilégio: precisava-se ter cavalos apropriados ao combate – que atingiam
preços absurdos – e armamento, o qual era igualmente caro numa sociedade agrícola
e artesanal. E tempo suficiente para dedicar-se à aprendizagem e às guerras
constantes. De tal modo, só poderiam ter acesso à condição de cavaleiro aqueles
que tivessem outros a sustentá-los. Forma-se então uma casta militar
hereditária, situada na estrutura social acima dos homens comuns. Cada
cavaleiro possuía seu brasão: cruzes de vários formatos, castelos, torres,
árvores e animais.
Leia: O Universo - Noções gerais
O preparo de um cavaleiro começava
aos 7 ou 8 anos, idade em que o pai do aspirante o colocava a serviço de outro
senhor, como pajem ou mancebo, a fim de que pudesse aprender boas maneiras e
adestrar-se no manejo de armas. "Aos 14 anos tornava-se escudeiro numa cerimônia
em que se lhe cingia a espada e na qual recebia as esporas de prata" (HERCULANO, Alexandre). A partir
de então acompanhava seu senhor nas campanhas militares. Finalmente, aos 21 anos,
mediante um ritual de caráter religioso, o jovem ingressava na ordem da
cavalaria.
A cerimônia desenrolava-se
assim: primeiro, o moço passava a noite em vigília junto ao altar. Depois, banhava-se,
recebia uma camisa de linho, símbolo de pureza, e uma túnica vermelha,
representando o sangue que verteria em defesa de Deus. Em seguida, confessava,
comungava e ouvia um sermão, durante a missa em sua honra. Ocorria então o momento
culminante da cerimônia; o jovem aproximava-se do altar, levando a espada presa
ao pescoço para que o sacerdote a abençoasse. Ajoelhava-se ante seu padrinho – o
senhor feudal a quem servira – e prestava o devido juramento. O senhor, por sua
vez, dava-lhe três golpes no ombro com a espada, simbolizando as últimas
ofensas que haveria de admitir, e dizia: “Em nome de Deus, de São Miguel e de
São Jorge, eu vos armo cavaleiro. Sede valente, leal e generoso.” Por fim, no
pátio do castelo, o cavaleiro recém-sagrado saltava sobre seu cavalo sem tocar
os estribos e, sempre galopando, realizava com sua espada e sua lança os passes
de arma que demonstravam sua destreza.
Muito pouco se cuidava da cultura
do espírito do cavaleiro. Ela reduzia-se a rudimentos de leitura e escrita e
explicações sobre os fundamentos da religião. Cuidava-se mesmo era da educação
física, do adestramento destinado a fazê-lo um bom guerreiro. Na segunda metade
do século XI, a Igreja acrescentou uma preparação de ordem espiritual. "É por
isso que a cerimônia de sagração do cavaleiro era como que um segundo batismo" (HERCULANO, Alexandre).
![]() |
| IMAGEM 04 - Acervo Ludus Schola |
![]() |
| IMAGEM 05 - Acervo Ludus Schola |
As Cruzadas serviram para
alimentar o prestígio dos cavaleiros e reforçar o sentido religioso de sua
atividade. A pregação das Cruzadas pelo próprio Papa começou no Concílio deClermont, em 1095. Essas expedições, com o fim declarado de libertar o Santo
Sepulcro do domínio muçulmano, traduziram principalmente a profunda unidade
imprimida pelo cristianismo à civilização europeia durante o feudalismo. E, embora
não significassem triunfos militares de envergadura, exerceram grande
influência na Europa Ocidental, cujos horizontes culturais aumentaram em
contato com o mundo islâmico.
![]() |
| IMAGEM 06 - Acervo Ludus Schola |
Os livros de cavalaria
Os livros de cavalaria
constituíram o gênero literário medieval por excelência. Narrativas em prosa de
grandes aventuras de cavaleiros, exaltando a vida das armas e os ideais
correspondentes, derivavam das canções de gesta, segundo um processo de
evolução literária formal. Até os personagens eram os mesmos: Tristão,
Lancelote, os Cavaleiros da Távola Redonda.
![]() |
| IMAGEM 06 - Acervo Ludus Schola |
Vários conjuntos lendários
constituem a temática dessa literatura
surgida principalmente na
França:
1.
ciclo bretão ou do Rei Artur (Tristão, Lancelote).
2.
ciclo carolíngio ou de Carlos Magno (Canção de Rolando).
3.
ciclo clássico (Tróia).
4.
ciclo das Cruzadas.
5.
ciclo espanhol dos amadises (Amadis de Gaula).
6.
ciclo dos palmeirins (Palmeirim da Inglaterra).
Esse material épico punha em relevo
a força dos heróis, mesclada de elementos fantásticos, sobrenaturais e motivos
amorosos.
Decadência da cavalaria
Com a queda do feudalismo – e
também como uma de suas causas – criaram-se os exércitos profissionais,
oferecendo-se aos aldeões em geral a possibilidade de se tornarem soldados
mercenários. Outro motivo da decadência da cavalaria foi a adoção de novos
métodos de guerra, que fizeram os cavaleiros menos necessários como classe
militar. Aparece a pólvora, desalojando a lança e a espada, apesar da
resistência dos senhores feudais, que viam seus peões capazes de lutar contra eles
levar vantagem.
![]() |
| IMAGEM 07 - Acervo Ludus Schola |
Na Idade Moderna, à medida que
se aperfeiçoam as armas de fogo, a cavalaria cede lugar à infantaria como
vanguarda nas formações de combate. Entretanto, Napoleão empregou-a em suas
guerras, utilizando-a em missões de exploração e reconhecimento, com grande
sucesso. Daí, passou a ser usada como arma de surpresa, com poder de choque e
efeito moral. As tropas de cavalaria usavam armas brancas – sabres, espadas,
punhais só excepcionalmente 9fereciam combate a pé, lutando, nesses casos, com
armas de fogo.
![]() |
| IMAGEM 08 - Acervo Ludus Schola |










Nenhum comentário:
Postar um comentário