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O segundo Reinado

 


Quando D. Pedro II iniciou seu reinado de quase meio século, ainda não estava dominada, no Maranhão, a Balaiada; e, no Sul, continuava a Guerra dos Farrapos. A energia e a habilidade de Caxias conseguiram a paz no Maranhão.

 

Revoltas em São Paulo e em Minas

 

Em 1842 ocorreram duas revoluções: a primeira em São Paulo e, a outra, em Minas.

Em Sorocaba (província de São Paulo), em maio desse ano, irrompeu a revolução, sob a chefia do brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar. Em pouco tempo outras cidades da mesma província aderiram ao movimento, dirigido contra medidas fortemente centralizadoras que o Parlamento havia aprovado.


IMAGEM 01 - Acervo Ludus Schola


Caxias, que já havia pacificado o Maranhão (o que lhe valera o título de barão, primeiro de uma longa série de merecidos títulos), foi mandado para restabelecer a ordem. Não dispunha de mais de quatrocentos soldados, recrutas sem experiência; em suas mãos de grande chefe, porém, esses homens renderam como um exército numeroso e bem treinado. Parte da tropa de Caxias, comandada pelo coronel Amorim Bezerra, venceu os revoltosos em Venda Grande (perto de Campinas).


Imagem 01 - Acervo Ludus Schola
IMAGEM 02 - Acervo Ludus Schola


Caxias entrou em Sorocaba e prendeu Diogo Antônio Feijó, que era o chefe intelectual da revolta. O brigadeiro Tobias foi preso também, quando buscava refúgio entre os Farrapos, no sul do país.

Pouco depois, Caxias é mandado para Minas, onde também consegue dominar (batalha de Santa Luzia) a revolta, chefiada por Teófilo Otoni e outros.


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IMAGEM 03 - Acervo Ludus Schola



Imagem 02 - Acervo Ludus Schola
IMAGEM 04 - Acervo Ludus Schola

 

Guerra dos Farrapos

 

Provocada, entre outras causas, pela má administração provincial e pelas lutas partidárias, irrompeu em 1835 no Rio Grande do Sul, uma revolução, que logo se estendeu a toda a província. Os revoltosos proclamaram a República de Piratini e elegeram presidente a Bento Gonçalves da Silva.

O Imperador recorre a Caxias para pacificar a província revoltada. O grande militar alcança várias vitórias e exorta, sem êxito, os rebeldes à reconciliação. Em 1845, consegue, afinal, a paz e põe fim a um movimento revolucionário que durara dez anos.

 

A Praieira

 

Em 1848 houve em Pernambuco a revolução Praieira, que teve origem no exaltado nativismo e em ressentimentos dos liberais contra a aristocracia rural. Depois de vários motins, cerca de 4 000 praieiros tentaram um ataque ao Recife; mas, em combate, foi morto seu chefe Nunes Machado. Debandaram logo os revoltosos e terminou o movimento.


Guerra contra Oribe e Rosas


Governava a Argentina o ditador João Manuel Rosas, que ambicionava reconstituir o antigo vice-reino do Prata e dominar o Paraguai e o Uruguai. O Brasil, porém, tinha todo interesse em velar pela paz e liberdade deste último país.

Havia no Uruguai dois partidos, que se digladiavam pela posse do poder: os Colorados, que estavam no governo e os Blancos, de Oribe. Rosas interveio na luta em favor de Oribe; mas o Brasil, que não era atendido nos seus protestos contra as depredações que faziam os Blancos no Rio Grande, foi forçado a intervir na luta. Aliou-se a Urquiza, governador da província argentina de Entre Rios, que se revoltara contra a tirania de Rosas. Oribe teve de render-se. Depois, para pôr fim às ameaças de Rosas, tropas brasileiras e uruguaias invadiram a Argentina; na batalha de Monte Caseros foi derrotado o ditador argentino, que fugiu para a Inglaterra (1852).

 

Campanha contra Aguirre
 

Era presidente do Uruguai Atanásio Aguirre, Blanco, cujo adversário Colorado era Venâncio Flores. Nas fileiras de Flores havia bom número de brasileiros. Aguirre entrou a perseguir e a maltratar os brasileiros. O governo imperial guarneceu nossas fronteiras com um exército de 4000 homens, comandados pelo general Mena Barreto; e mandou para as águas de Montevidéu alguns navios de guerra, sob o comando do almirante Tamandaré. 


IMAGEM 05 - Acervo Ludus Schola



E enviou a Montevidéu o conselheiro Saraiva, para obter, diplomaticamente, satisfações do governo uruguaio. Saraiva não foi atendido. Ainda fez nova tentativa de acordo entre Aguirre e Flores e, como nada tivesse obtido, de Buenos Aires advertiu Aguirre de que o Brasil iria recorrer às armas. Segue-se a luta, por terra e por mar, pois Tamandaré bloqueou o porto de Montevidéu; e ia começar o bombardeio quando Aguirre passou o governo ao presidente do Senado, Villalba, que se rendeu às forças aliadas. Nessa altura, já estávamos em guerra com o Paraguai.


IMAGEM 06 - Acervo Ludus Schola



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Política interna

 

A vida política, desde certa altura da Regência e por todo o segundo reinado, gira em torno de dois partidos, o Liberal e o Conservador, os quais, com seus programas de trabalho, se revezam no poder; é assim mesmo que acontece (com outros nomes para os partidos, naturalmente, e com problemas diferentes conforme o país) em todos os países que, como o Brasil do tempo do Império, adotam o sistema parlamentar de governo.

Pouco antes da guerra do Paraguai, dominou a política chamada de conciliação. Formou-se o ministério de conciliação, com elementos de ambos os partidos; e, nesse período, muitas manifestações de progresso ocorreram no país.

Teve o segundo reinado estadistas de alto valor, quer liberais, quer conservadores: o marquês de Paraná, o visconde do Rio Branco, Saraiva, Cotegipe, João Alfredo, Zacarias, Sousa Dantas, visconde de Bom Retiro, etc.

 

O progresso do Império

 

O Brasil, no segundo reinado, teve notável progresso. A população crescera e a situação financeira tornara-se próspera. O café era o principal fator econômico; estendeu-se extraordinariamente sua lavoura, principalmente em São Paulo. O Brasil era também um dos maiores produtores de algodão, de cana-de-açúcar, de borracha, de cacau e de fumo.


IMAGEM 07 - Acervo Ludus Schola


Começou a indústria pesada, de que foi vanguardeiro Irineu Evangelista de Sousa, o grande visconde de Mauá. Devem-se à sua iniciativa a primeira grande fundição do Brasil, várias fábricas, as oficinas e estaleiros da Ponta de Areia, no Rio de Janeiro, donde saíram muitos navios para a marinha imperial durante a guerra do Paraguai. A Mauá também se deve a primeira estrada de ferro do país, entre o pequeno porto de Mauá, na baía do Rio de Janeiro, e o Fragoso, na Raiz da Serra, em Petrópolis (1854). 


IMAGEM 08 - Acervo Ludus Schola


Seguiu-se a construção de outras estradas (entre as quais, em São Paulo, a estrada Santos a Jundiaí, também, em parte, obra de Mauá); e, no fim da era imperial, havia mais de 9 000 quilômetros de ferrovias.

O comércio cresceu bastante. Fundaram-se numerosos bancos. Desde 1861 a exportação superava o valor da importação.

 

Cultura

 

O ensino primário era deficiente ao tempo do Império e enorme a porcentagem de analfabetos. O ensino secundário ministrava-se nas capitais de várias províncias; e o ensino superior apresentava numerosas falhas. Além de algumas faculdades, que preparavam para profissões liberais (direito, medicina, engenharia), havia diversas instituições científicas e culturais.

A produção literária no Império foi notável. Destacaram-se, na poesia, Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Castro Alves e Fagundes Varela. Na prosa distinguiram-se Joaquim Manuel de Macedo, José de Alencar, Bernardo Guimarães, o visconde de Taunay e o grande Machado de Assis, cuja obra continuou na República. A cultura se expande quando há liberdade de opinião. E foi o que houve no Império. Nunca foi tão livre a imprensa. "O Império fundou principalmente a liberdade." (JOÃO RIBEIRO.)

 

Artes

 

Houve, no Império, pintores de grande mérito, entre os quais Pedro Américo, de precoce revelação artística, Almeida Júnior e Vítor Meireles.

Na música, além de Francisco Manuel da Silva, autor do Hino Nacional brasileiro, distinguiu-se brilhantemente Antônio Carlos Gomes, o imortal autor das óperas O Guarani, Fosca e Lo Schiavo.

 

DATAS PRINCIPAIS

1842 Revolução liberal em São Paulo e em Minas.

1845 Termina a Guerra dos Farrapos.

1848 A Praieira.

1854 Primeira estrada de ferro no Brasil.

 





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