Som: as ondas que ouvimos

 

IMAGEM 01 - Acervo Ludus Schola


Em se falando de ondas, a primeira ideia que ocorre é o mar, fonte por excelência

 não só de ondas propriamente ditas, mas das sonoras também. Entre estas e

 aquelas, aliás, os pontos em comum são muitos. Por exemplo: se sopra um vento

 fraco sobre o mar, formam-se ondas baixinhas e bem distantes umas das outras;

 aumentando o vento, elas já se erguem mais altas e a intervalos menores, numa

 sequência ligeira. Com as ondas de som acontece o mesmo: se o objeto em

 vibração se move devagar, elas vão surgindo espaçadas umas das outras, o que

 resulta num som baixo ou grave. Acelerado o movimento, produzem-se mais

 ondas em cada unidade de tempo o que equivale a dizer que aumenta a

 sua frequência. O som resultante, de grave que era, torna-se agudo porque, com o

aumento da frequência do movimento vibratório, se eleva também em a altura dos

sons.


IMAGEM 02 - Acervo Ludus Schola


Outro aspecto em que as ondas do som e do mar se parecem muito é a questão de

intensidade. Para que cheguem à praia aqueles imensos vagalhões que

caracterizam os dias de ressaca, é preciso que esteja soprando vento forte

nas regiões próximas do litoral. O mais violento dos tufões, soprando a milhares

de quilômetros de distância, jamais conseguirá o mesmo efeito. Da mesma

forma, as ondas sonoras: para que um som impressione fortemente o ouvido de

quem o recebe, não basta ter sido emitido por uma fonte de grande energia. Esta

deve estar a uma distância relativamente próxima, pois a intensidade do som varia

na razão direta da energia vibratória e na razão inversa da distância entre a fonte

e o ouvinte. Prova disso é que o estrondo de um canhão, ouvido a grande

distância, se reduz a um surdo murmúrio. 

Entretanto, nem tudo são semelhanças entre as ondas do mar e as sonoras. Há

diferenças também. Uma delas é o timbre dos sons que cada qual produz. Duas

ondas do mar de altura idêntica, precipitando-se sobre um mesmo ponto,

produzem um som igual. Duas ondas sonoras, nem sempre: embora tenham a

mesma altura, podem soar de modo inteiramente diverso, conforme se

percebe ouvindo um dó tocado em violino e outro, obtido num piano. 

As ondas são do mesmo tipo. Mas os sons, perfeitamente distintos. As ondas

sonoras podem ser representadas graficamente através de um diagrama. E o

diagrama é a maneira mais fácil de observar as suas diversas características.

Contudo, quem vê pela primeira vez o diagrama de um som comum - como

um acorde de piano - espanta-se com o emaranhado das linhas. Isso acontece

porque a maioria dos sons resulta da soma de diversas vibrações simultâneas,

que, no desenho, se fundem numa figura complexa. Um som resultante de uma

única vibração, entretanto, fornece um diagrama simples como o da ilustração.


IMAGEM 03 - Acervo Ludus Schola



Leia mais: O QUE É A LUZ


Ao contrário das ondas luminosas, que não necessitam de um meio material para

sua propagação, as ondas sonoras só caminham com a vibração de partículas:

por isso, não se propagam no vácuo. No Universo não há som, pois, a maior parte

é construído pelo vácuo. A velocidade das ondas sonoras varia conforme a

elasticidade e a densidade do meio circundante. Ao nível do mar, por exemplo, o

som se propaga à razão de 1220 km por hora. Na água, essa velocidade

quadruplica. E, em certos metais que conduzem particularmente as vibrações, os

sons se difundem quatro vezes mais depressa que na água. E no vácuo,

cuja densidade é zero e onde não há moléculas que criem a condição de

elasticidade, não se formam ondas sonoras. Dessa forma, uma campainha soada

numa campânula, na qual se tenha produzido o vácuo, faz apenas movimento:

nenhum barulho.


IMAGEM 04 - Acervo Ludus Schola



As ondas sonoras propagam-se em todas as direções, de maneira que, diante de

um obstáculo, o som sofre um “dobramento”, faz a volta e segue o seu caminho, 

segundo um processo que é explicado pela difraçãoIsto, porém, só se dá

tratando-se de obstáculos relativamente pequenos: uma esquina, por exemplo.

Tratando-se de barreiras maiores, como uma montanha, o som choca-se contra ela, reflete-se e volta para trás.

A lei que rege a reflexão do som é igual à da reflexão luminosa: o ângulo de

incidência de uma onda é o mesmo que ela observa depois de refletida. E o plano segui do pela onda incidente é idêntico ao que ela adota após a reflexão. 

Um dos casos mais conhecidos de reflexão sonora é o eco. Para que ele ocorra, é preciso que haja à frente da fonte emissora uma superfície sólida e ampla, e que entre as duas exista uma distância mínima de17 metros.


IMAGEM 05 - Acervo Ludus Schola



Quando uma pessoa lança um grito contra uma montanha, primeiro ouve o som de sua própria voz e, decorrida uma pequena pausa, o reflexo que volta. Havendo apenas uma superfície refletora, uma vez registrado o eco o som se dispersa “morre”. Mas, se atrás da pessoa houver outro obstáculo grande, também a mais de 17 metros de distância, o som refletido na primeira superfície ecoará novamente na segunda. E este segundo eco retornará ao primeiro obstáculo, produzindo novos ecos, até que as repetidas viagens enfraqueçam a intensidade do som e ele se desvaneça por completo. 

Essa exigência de que a distância entre a fonte sonora e a superfície de reflexão seja maior do que 17 m para que ocorra o eco não é arbitrária. A uma distância de 17 m, o som cobrirá os 34 m do percurso de ida e volta em um décimo de segundo, pois, em condições normais de temperatura e pressão, a sua velocidade, propagando-se no ar, é de 335 m por segundo.

Logo, a pessoa que deu o grito ouvirá o eco de sua voz imediatamente depois de gritar. Sendo maior a distância, maior será a duração da viagem e mais longo o prazo até o retorno do som refletido. Sendo menor, entretanto, o som refletir-se-á no obstáculo quase ao mesmo tempo em que for emitido, de maneira que não haverá distinção entre a vibração original e a sua reflexão, a qual funcionará apenas como um reforço da primeira.

Esse fenômeno, conhecido em física com o nome de reverberaçãoé muito usado  em filmes e gravações para a obtenção de efeitos especiais, pois prolonga a  duração normal das vibrações, dando aos sons uma característica  sobrenatural (muitas vezes, por sinal, tais efeitos são produzidos eletronicamente,  em estúdios próprios).


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IMAGEM 06 - Acervo Ludus Schola



Além da reflexão e reverberação, as ondas sonoras estão sujeitas a outros fenômenos. A refração é um deles e ocorre quando um som passa de um  meio elástico a outro, de densidade diferente, o que altera a velocidade original de  propagação, mudando também outras características do som.

Por mais harmônicas que sejam, às vezes as ondas sonoras brigam entre si. E, quando isso acontece, dá-se um outro tipo de fenômeno, chamado interferênciacujo resultado pode ser a formação de ondas estacionárias.




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