Em matéria de comida, cada terra tem seu uso. Na África
comem se formigas fritas; na França, caramujos crus;
no Oriente, ninhos de andorinhas; na Suíça, queijos de
aroma duvidoso. E os gostos variam tanto quanto os próprios
alimentos, cuja diversidade é imensa. No entanto, todos acabam
da mesma forma: decompostos em açúcares, gorduras, proteínas,
sais minerais e vitaminas, em consequência do
trabalho do aparelho digestivo.
A primeira etapa do processo digestivo ocorre na boca,
onde o ali mento é triturado pelos dentes e umedecido pela
saliva, solvente muito eficaz, produzido por três pares de glândulas:
as parótidas, as sublinguais e as submandibulares. Aqui, parte do
amido, pela ação da prialina, já é transformada em glicose. Uma vez
assim tratado, o alimento é examinado pelas papilas táteis e
gustativas da língua e, conforme o resultado do exame, fica
livre para seguir caminho. Então, a língua empurra-o para a faringe,
uma cavidade em forma de funil, que liga a boca ao esôfago,
um tubo com cerca de 25 cm de comprimento que desce
verticalmente ao longo e na frente da coluna vertebral, atravessa
o
diafragma e vai desembocar no estômago.
Os músculos da parte superior do esôfago são estriados,
de modo que seus movimentos podem ser controlados. Mas os dois
terços inferiores do seu comprimento são constituídos por musculatura lisa,
cujas contrações (involuntárias) recebem o nome de movimentos
peristálticos e impelem o alimento rumo ao estômago, através de
uma espécie de válvula chamada cárdia.
Situado abaixo do diafragma, à esquerda do abdômen, o
estômago é revestido internamente por uma mucosa e contém
sempre um pouco de suco gástrico e de mucina, uma
substância albuminosa. Externamente, é coberto por uma
membrana de natureza serosa, sob a qual existe uma
camada muscular. Esta faz pressão sobre o alimento,
movimentando-o de cima para baixo. Ajudadas por estes
movimentos musculares, as secreções das diversas glândulas
existentes na mucosa gás trica continuam o processo de
decomposição iniciado pela saliva, de modo que, cerca de
meia hora após a entrada do alimento no organismo, a tarefa
do estômago já se acha em vias de conclusão: através de uma
abertura chamada piloro, ele começa a descarregar o seu conteúdo,
já transformado num líquido espesso o
quimo.
O tubo em forma de C que recebe o quimo chama-se
duodeno e constitui o setor inicial do intestino delgado.
Nele desembocam o canal colédono e o ducto pancreático,
que conduzem respectivamente a bile e o suco pancreático,
duas outras secreções que atuam na digestão. Percorridos
os 25 cm do duodeno, o bolo alimentar passa ao jejuno,
entrando depois no íleo, onde termina o intestino delgado.
Nesta fase da marcha do quimo, vários componentes dos
alimentos vão sendo liberados pela ação dos diversos
sucos e absorvidos pela mucosa intestinal. Esta tem a superfície
pontilhada por minúsculos prolongamentos ou vilosidades
(cerca de 4 a 5 milhões). No espaço entre as vilosidades
distribuem se numerosas glândulas secretoras, assim como gânglios.
Comunicando o intestino delgado com o intestino grosso,
há um orifício guarnecido de músculos a válvula ileocecal.
E é por ela que o bolo alimentar atravessa - já em fase adiantada
de digestão - para cumprir a última etapa do seu
percurso.
Medindo cerca de 1,5 m de comprimento e com diâmetro
bem maior que o delgado, o intestino grosso compreende
quatro partes: ceco, cólon, reto e esfíncter anal. A primeira é
uma bolsa de uns 6 cm, em cujo extremo fica o apêndice,
tubinho de 7,5 cm. Depois, vem o colón, no qual se distinguem
quatro trechos: o
ascendente, o transverso, o descendente e o sigmoide.
Ao chegarem ao início do cólon, os alimentos, já muito
modificados pelos vários sucos digestivos, sofrem as últimas
ações químicas, que liberam as substâncias aproveitáveis
ainda restantes. Absorvidas estas, sobram resíduos,
que constituem a matéria fecal. A digestão está terminada.
Através do esfíncter
anal e do ânus, os resíduos são eliminados.
Embora destacados do tubo digestivo propriamente dito, três
órgãos colaboram ativamente na digestão. O maior deles é o
fígado. Sua parte superior fica junto ao diafragma. A inferior,
côncava, repousa sobre o rim direito, parte do intestino grosso e
parte do estômago. Bem menor que o fígado, o pâncreas
localiza-se atrás do estômago e produz duas secreções diferentes:
a insulina, hormônio que atua diretamente na circulação
sanguínea, com função metabólica, e o suco pancreático,
que vai para o intestino delgado. O terceiro dos órgãos da
digestão é a vesícula biliar. Em forma de pera, fica abaixo do
fígado e concentra a bile e manda-a depois no duodeno,
para agir diretamente sobre os
alimentos.
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