Eletromagnetismo I

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Por muito tempo, o homem não percebeu que era 

cercado por invisíveis fonte de energia. Hoje, a grande 

tarefa da ciência é procurar mais e mais aplicações para 

estas fontes – as ondas eletromagnéticas. De seu 

estudo nasceram o rádio, televisor, o radar, a lâmpada 

de mercúrio, a lâmpada de luz ultravioleta, a válvula 

produtora de raios X. E a tendência prossegue sempre: 

cada vez mais depende-se da conquista do invisível, 

imersos no qual nascemos e vivemos.


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Haverá algo em comum entre as cores do arco-íris 

e os sinais de radar que orientam num avião durante 

o pouco? Os entre os raios X que permitem constatar 

uma fratura e as ondas de rádio que levam ao receptor 

melodias e vozes? Sim. Todos esses tipos de ondas 

pertencem à mesma família. O rádio, o tradar, a 

luz do arco-íris, os raios X são manifestações 

de ondas eletromagnéticas. Todas obedecem às mesmas 

leis físicas, possuem propriedades análogas e são 

sempre geradas por oscilações de cargas elétricas.

Assim como as ondas sonoras nascem da oscilação 

de moléculas de ar, ondas eletromagnéticas são 

causadas por oscilações de partículas eletricamente 

carregadas. Quando um elétron (partícula atômica de 

carga negativa) oscila ou sofre qualquer mudança em 

seu movimento natural – por exemplo, uma aceleração -, 

verifica-se a emissão de ondas elétricas e magnética existente 

no espaço. À medida eu as ondas passam, essa “pressão” 

varia, tal como a pressão do ar quando uma onda sonora o atravessa.

Diferença importante: enquanto as ondas sonoras precisam
 
de matéria – sólida, líquida ou gasosa – para expandir-se, 

porque dependem da vibração de moléculas átomos, as ondas
 
eletromagnéticas podem propagar-se até mesmo no vácuo, 

ou seja, na ausência completa de matéria.

 

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LEIA MAIS: O QUE É IDEIA?


As ondas luminosas foram as primeiras ondas 

eletromagnéticas a serem investigadas. O físico 

inglês Thomas Young (1773-1829) e o francês 

Augustin Jean Fresnel (1788-1827) conseguiram constatar 

a natureza ondulatória da luz visível, mesmo sem 

saber de que tipo exato de onda se tratava. Depois, 

coube ao inglês James Clerk Maxwell (1831-1879) 

desenvolver a teoria das ondas eletromagnéticas. 

Foi um grande passo, pois até então os dados levantados 

pelos cientistas não tinham uma ligação clara entre si.

O dinamarquês Hans Christian Oersted (1777-1851) 

havia demonstrado a relação entre os fenômenos 

elétricos e magnéticos por meio de uma experiência 

que revelou a ação da corrente elétrica sobre a agulha 

imantada, o que foi corroborado por Michael Faraday (1791-1867). 

Maxwell foi além e reuniu numa só teoria todos os fenômenos 

elétricos, magnéticos e luminosos conhecidos na época; 

mais ainda, previu que deveriam existir outras ondas com 

idênticas propriedades e mesma velocidade de propagação, 

aliás já determinada por Armand Fizeau, em 1849. Com a 

descoberta das ondas de rádio, o físico alemão Heinrich Rudolf Hertz 

(1857-1894) confirmou as características previstas por Maxwell, cuja teoria, 

nos anos seguintes, continuou sendo enriquecida por novas e importantes

 descobertas.


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Essas ondas velozes

 

As ondas eletromagnéticas, inclusive a luz visível

movem-se no ar ou no vácuo à velocidade de 300 mil 

quilômetros por segundo. Devido a tal razão, os físicos 

lhe dão geralmente o símbolo de c (constante). Podemos 

distinguir as diferentes ondas por sua frequência, que é 

o número de vibrações por segundo. A frequência se 

mede em ciclos por segundo (c/s), um ciclo por segundo 

significa uma oscilação completa da fonte de ondas em um segundo, ou a 

passagem de uma onda completa por um ponto fixo 

em segundo. A palavra quilo ciclo significa 1000 ciclos 

(quilo = mil), megaciclo, por sua vez, 1 000 000 de ciclos (mega = milhão).


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A velocidade da onda é igual à frequência multiplicada 

pelo comprimento da onda. Como a velocidade de 

todas as ondas eletromagnéticas no mesmo meio de 

propagação é a mesma, as de baixa frequência 

(poucos ciclos por segundo) são ondas longas, enquanto 

que as de alta frequência (milhões de ciclos por segundo) 

são ondas curtas. Por exemplo, as de rádio são longas: 

têm perto de 300 metros; e as de raio X são curtas: em torno de décimos-

milionésimos de milímetro. A frequência de onda diz respeito 

à sua origem, enquanto o comprimento de onda se relaciona com 

o meio de propagação; assim, para a luz amarela, a frequência 

é sempre 0,54 x 10¹⁵ c/s (540 trilhões de ciclos por segundo), mas a 

velocidade é de 300 mil quilômetros no ar ou no vácuo e 

230 mil quilômetros por segundo na água; E o comprimento 

de onda é de 5 500 Å no ar ou vácuo e de 4200 Å na água 

(A é o símbolo do angstrom, unidade de medida dez milhões 

de vezes menor que o milímetro, ou seja: 107Å = 1 mm). 

Conclusão: quando muda o meio de propagação da onda, a frequência se

 conserva, mas em compensação muda o comprimento.

As ondas eletromagnéticas formam uma grande 

família, cujos membros se distinguem pela frequência. 

Esta varia desde poucos ciclos por segundo até números 

com mais de 30 zeros. As frequências mais baixas 

correspondem a oscilações elétricas produzidas por 

circuitos ressonantes (os constituídos por bobina e 

condensador). As mais altas correspondem à energia 

vinda de estrelas distantes (como o Sol), num processo 

ainda não perfeitamente conhecido. Em ordem crescente 

de frequência, temos: ondas de rádio, infravermelhas, 

luminosas (luz visível), ultravioleta, raios X e raios gama.

O Sol é um emissor de ondas eletromagnéticas. 

Percebemos a luz (ondas luminosas) e o calor (ondas infravermelhas) 

por meio das sensações de claro-escuro ou quente-frio. 

Mas há vários outros tipos de ondas, cuja constatação 

exige meios mais delicados.

É importante notar que o calor é uma forma de energia e, 

como a família das ondas tem as mesmas propriedades, 

todas transportam energia. Einstein provou que matéria 

pode transformar-se em energia e vice-versa. 

Logo, é sempre possível, teoricamente, converter 

ondas eletromagnéticas em matéria.

De fato, isso acontece até com certa facilidade nos laboratórios de 

Física Nuclear, para comprimentos de onda inferiores a um 

nível mínimo situado em torno de 0,01 Å. Sabe-se que 

a possibilidade de transformar uma radiação eletromagnética 

em matéria ocorre quando os comprimentos de onda têm, no 

máximo, perto de mil vezes a dimensão do núcleo. 

Quanto mais compridas as ondas, mais difícil 

a conversão. Quanto menor o comprimento de onda, 

mais fácil sua transformação em matéria.

Uma associação muito simples (pode ser verificada em casa) 

entre calor e onda eletromagnética é a seguinte: a onda 

produzida por uma lâmpada funcionando com voltagem 

normal emite uma luz visível quase branca; quando há 

falhas no fornecimento de energia elétrica e a voltagem cai, 

a luz torna-se avermelhada. A razão disso é que à 

voltagem maior corresponde uma temperatura maior do 

filamento da lâmpada, e à voltagem menor corresponde 

uma temperatura menor do filamento. A luz incandescente 

comum apresenta um espectro de emissão contínuo, cujas 

raias têm frequências tanto mais altas quanto maior a 

temperatura do filamento. A luz aproximadamente branca 

deve-se, portanto, a uma mistura de todas as cores visíveis 

do espectro luminoso (as cores do arco-íris). 

A cor avermelhada resulta da ausência de cores 

correspondentes às frequências mais altas. Se a temperatura 

for suficientemente baixa, pode não aparecer nenhuma 

luz visível. É o caso do ferro elétrico de passar roupa.


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