Duas vezes a maçã mudou o curso da história. Graças à primeira “abriram-se os olhos de Adão e Eva, e reconheceram que estavam nus”. Assim diz a Bíblia. Então o homem descobriu o Bem e o Mal. A outra maçã entrou na história muitos milênios depois: no século XVII. Ao cair da árvore, despertou a curiosidade de Isaac Newton: assim começou uma das grandes revoluções da ciência moderna.
“Por que caiu a maçã?”, perguntou-se Isaac Newton. “Ninguém lhe deu impulso para que caísse. Ninguém a jogou ao solo. Estando madura, desprendeu-se da árvore, está certo. Mas isso não significava, em absoluto, que devesse cair, por si só, sobre a Terra. A não ser que algo a impelisse para tanto. Mas o quê?” Partindo desta pergunta, chegou à descoberta de uma das mais importantes leis científicas, chamada “lei da gravitação universal”. Se a maçã e – todos os outros corpos – caem à Terra sem que possuam qualquer velocidade inicial, então a Terra deve ter uma força de atração que os obrigue a cair. Mas esta força de atração não seria idêntica à que mantém a Lua em órbita ao redor da Terra? E o Sol não seria também capaz de exercer a força da atração, para manter a Terra e os demais planetas ao seu redor? E, no fundo, não haveria uma força de atração mútua entre todos os corpos, a qual dependeria de suas massas? Agora sabemos que assim é. Mas, naquele ano de 1666, Newton foi o único homem a perceber a lei que seria fundamental para a compreensão de vários fenômenos antes inexplicáveis que ocorrem no nosso universo. Tinha então 24 anos.
Da cátedra universitária ao
jogo na Bolsa
Três anos depois, Newton
tornava-se catedrático da Universidade de Cambridge. Ser professor
universitário aos 27 anos de idade é fato raro até hoje. No século XVII, sua
nomeação foi considerada até escandalosa. Alheio ao rebuliço causado pela pouca
idade, Newton dedicou-se a pesquisar os raios luminosos. Formulou a teoria corpuscular da luz, segundo a qual a luz é produzida pelo
deslocamento de miríades de partículas emitidas pelos corpos luminosos. Então,
durante muito tempo, houve controvérsia entre os partidários da teoria
corpuscular e os da teoria ondulatória da luz. Com o estabelecimento da
Mecânica Quântica, as dúvidas foram resolvidas: a luz tem propriedades de
partícula e de onda simultaneamente. Mas naquela época poucos conseguiram
entender o alcance das ideias do sábio. Ao mesmo tempo, Newton descobriu que a
luz branca resulta da mistura das sete cores básicas.
O número de pesquisas e
descobertas de Newton é muito grande. Introduziu o “cálculo infinitesimal”;
aperfeiçoou a fabricação de espelhos e lentes; fabricou o primeiro telescópio
refletor, descobriu as leis que regem o fenômeno das marés – e isso foi
extremamente útil à Inglaterra, cujas atividades econômicas dependiam da
navegação marítima. Assim mesmo, ainda dispunha de tempo suficiente para jogar
na Bolsa. Baseando-se no cálculo das probabilidades, conseguiu, em pouco tempo,
acumular a fortuna de 32 mil libras esterlinas. Hoje, esta soma equivale a
quase 271 mil cruzeiros novos. Mas naquela época a libra esterlina valia 10 vezes
mais do que a atual!
O caminho para a imortalidade
Os ingleses acharam que um
talento assim devia ser mais aproveitado: a Rainha Ana nomeou-o diretor da Casada Moeda. Newton então fortaleceu a moeda e reergueu o crédito nacional.
Isto também foi importante para um país cuja economia se baseava no comércio
com o exterior. Em 1705 a rainha outorgou a Newton o título de “Sir”. Foi o
primeiro cientista a receber tal honra. Contudo, esta ascensão à nobreza em
nada modificou a simplicidade de Isaac Newton. Quando louvaram a sua atuação
científica, respondeu: “Não sou mais perspicaz que os outros: sei apenas
raciocinar com paciência.”
Foi eleito duas vezes membro do Parlamento; foi presidente vitalício da Sociedade Real, que congregava os mais célebres pensadores do seu tempo; foi sócio correspondente da Academia Francesa de Ciências.
Atacado em 1725 por pneumonia e a seguir pela gota, ainda por dois anos exerceu atividades intelectuais. Morreu a 20 de março de 1727, aos 85 anos. Seus funerais foram grandiosos: seis nobres membros do Parlamento inglês carregaram o seu ataúde até a Abadia de Westminster, onde repousa até hoje. Personagens ilustres da época vieram do mundo inteiro para chorar a morte do sábio. Logo depois, foi-lhe erigida uma estátua, em Cambridge, com os dizeres: “Ultrapassou os humanos pelo poder de seu pensamento.”



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