Desde o século XV
assinala-se a época das grandes navegações; os portugueses abrem o caminho
marítimo para as Índias. Colombo revela ao mundo o Novo Continente. São imensas
as consequências econômicas, sociais e políticas dos grandes descobrimentos.
O descobrimento da América e suas consequências
Os portugueses
Vanguarda dos grandes
navegadores foram, desde o século XIV, os portugueses. Coube-lhes a glória da
iniciativa, da preponderância na ação cientificamente orientada na arte de
navegar.
No começo do século XV o
infante D. Henrique fundara em Sagres, perto do cabo São Vicente, um centro de
estudos náuticos e um observatório.
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| Imagem 01 - Acervo: Ludus Schola O Infante Dom Henrique (1394-1460) |
Em cada ano uma expedição
partia afrontando o desconhecido, devassando o “mar Tenebroso” e nele fazendo
descobrimentos. Foi primeiro, em 1418. Gonçalves Zarco; depois, Gil Eanes,
Diogo Cão, que sucessivamente chegam à Madeira, às Canárias, aos Açores, dobram
os cabos Bojador, Branco e Verde, atingem a Guiné e o Congo. Desenvolvia-se
assim o grande ciclo da navegação chamado oriental ou africano. Mais tarde,
Bartolomeu Dias consegue chegar ao extremo sul da África; uma violenta
tempestade aí quase lhe desarvora as naus, o que lhe faz denominar das
Tormentas o cabo lá descoberto; mas o soberano português, D. João II, mudou tal
nome para o de “Boa Esperança”, pois acreditava que, dobrado o cabo, se
encontraria enfim o tão procurado caminho para as índias.
Alguns anos depois partia
a expedição de Vasco da Gama, que ia continuar a empresa do alcance das Indias.
A viagem do grande marinheiro, cheia de épicos sucessos, foi uma das mais
dramáticas páginas da história dos descobrimentos: só no fim de onze meses de
jornada Vasco da Gama chegava a Calicut (20 de maio de 1498), descobrindo assim
o ambicionado caminho.
Os espanhóis
Ao tempo em que os
portugueses iam metodicamente descobrindo o segredo dos mares, a Espanha lutava
ainda pela reconquista do solo pátrio; pode-se dizer que só após a expulsão dos
mouros de Granada foi que os espanhóis iniciaram suas grandes navegações. A
primeira foi a que fez Colombo descobrindo a América.
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| Imagem 02 - Acervo: Ludus Schola Américo Vespúcio |
Outras expedições
espanholas vieram maistar de, dando-se o descobrimento da Flórida, do México,
do Iucatão, das costas do Pacífico com a rica terra dos Incas e do Rio da Prata
que, por algum tempo, teve o nome de Solís, seu descobridor. Em 1519, o
navegante português Fernão de Magalhães, a serviço da Espanha, empreendeu a
primeira viagem de circum-navegação, concluída por Sebastião de Elcano.
Colombo
Ainda moço, o genovês
Cristóvão Colombo deixara o ofício de tecelão, em que com seu pai trabalhava,
para dedicar-se à vida marítima. Fixando-se em Portugal aí se casou com a filha
dum navegador e veio a estudar a ciência cosmográfica e as navegações dos portugueses;
não era então desconhecida a esfericidade da terra; e Colombo, conhecedor,
também, de antigas tradições sobre misteriosas terras do ocidente, imaginou
chegar à Índia pelo ciclo ocidental, ganhando “el levante por el poniente”.
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| Imagem 03 - Acervo: Ludus Schola Embarque de Colombo no porto de Pálos |
Propôs o plano que
concebera ao governo de sua pátria, mas Gênova não lhe quis dar o auxílio
necessário para o ousado empreendimento; dirigiu-se depois a D. João II, o
“Príncipe Perfeito”, mas o soberano português não o atendeu. A repulsa sofrida
não desanimou o grande genovês que, cheio de fé em seu ideal, procurou obter
dos reis de Espanha, Fernando e Isabel, os meios de que carecia; repelido como
um visionário, conseguiu pôr fim obtê-los. Formou-se uma esquadrilha de três
caravelas, Santa Maria, Pinta e Niña, tripuladas por 120 homens e com os
pilotos João de la Cosa, Vicente e Alonso Pinzon.
A 3 de agosto de 1492 a
pequena frota partiu de Palos; a longa viagem pelo “mar Tenebroso” pôs em prova
a energia de Colombo, que dominou as tentativas de revolta da maruja
desanimada. Por fim, na madrugada de 12 de outubro, o grito de “Terral” partiu
da “Pinta”, que ia à frente: era a ilha de Guanaani, uma das Lucaias, que de
Colombo recebeu o nome de São Salvador. O grande genovês descobriu depois as
ilhas de Cuba e Haiti (a que chamou Hispaniola); deixou nesta uma pequena
guarnição no forte construído com os restos da nau Santa Maria, que naufragara,
e regressou à Espanha, onde foi recebido com grandes festas. Levava consigo
diversos produtos da terra descoberta, algum ouro e vários indígenas.
Mais três viagens fez
ainda Colombo: na segunda descobriu algumas Antilhas; na terceira, em que
atingiu a foz do Orenoco, foi vítima de invejosos inimigos: Francisco
Bobadilla, que o governador espanhol enviara para inquirir sobre acusações
feitas ao grande navegador, mandou algemá-lo e assim o remeteu para a Espanha.
Os reis puniram o injusto Bobadilla e Colombo fez depois sua última viagem, em
que reconheceu a costa de Honduras. Ao regressar, tinha morrido a rainha, sua
protetora; e ele pouco tempo depois, em 1506, morreu, no esquecimento, em
Valladolid.
Consequências dos descobrimentos
Os grandes descobrimentos
tiveram importantes consequências, não somente econômicas mas, ainda,
científicas e políticas, modificando profundamente as condições da vida social
no Velho Mundo. Cientificamente, a verificação da esfericidade da terra:
alargamento dos conhecimentos geográficos e astronômicos e das ciências naturais;
politicamente, o aumento de importância dos povos colonizadores, a tendência à
expansão e formação dos impérios coloniais; e, ainda, a transformação social
que se foi operando pelo crescimento do valor da burguesia.
O Mediterrâneo era o
centro para onde convergiam a estrada da seda (o caminho terrestre do mar Negro
ao Oriente pela Asia Central) e a estrada das especiarias (o caminho do Oceano
Índico e do mar Vermelho ao Egito). Deslocou-se o antigo centro comercial, com
prejuízo de Veneza, de Gênova e de Marselha; os portos portugueses e espanhóis
do Atlântico, e depois os franceses, ingleses e holandeses, tornaram-se as
metrópoles comerciais do globo.
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| Imagem 04 - Acervo: Ludus Schola Arte portuguesa |
Cresceu o comércio das
especiarias e drogas que se tornaram mais baratas, e constituiu monopólio dos portugueses
e, mais tarde, dos holandeses; propagou-se o consumo ou emprego de produtos
americanos, a batata, o tabaco, o algodão, as madeiras preciosas e, depois,
outros que na América se introduziram, como a cana de açúcar e o café.
Avultou, porém, na
transformação econômica, o aumento do numerário, antes extremamente escasso; a
prata, de que se fazia a maior parte das moedas, desvalorizou-se até de três
quartos do seu valor antigo pela enorme afluência desse metal, proveniente das
minas do México e do Peru. As mercadorias tiveram então seu valor aumentado,
vindo a custar algumas vezes mais que antes. Os bancos multiplicaram-se com o
aumento do fundo metálico, criaram-se companhias de comércio com privilégios
para o tráfico de artigos coloniais, estabeleceu-se o seguro marítimo contra a
pirataria. Até então “a principal riqueza tinha sido a terra possuída, em toda
a Idade Média, pela nobreza. A partir do século XVI o ouro e a prata tendiam a
fazer os burgueses tão ricos como os nobres; desde aí a importância social e a
influência política da burguesia não cessaram de crescer”.





