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Estrutura do ser-no-mundo

 


Para a compreensão cosmológica o ser-no-mundo constitui o fenômeno unitário, dado primordial da consciência. Não é posto mas pressuposto fundamental de toda posição, afirmação, negação, projeto ou ação.

Autores que tratam em especificidade sobre o ser-no-mundo suas fundamentações são Husserl, Heidegger e Merleau-Ponty.

 

A consciência do “eu” no mundo

 

O eu não é o objeto primordial da consciência (Psicologia genética), mas sim as coisas. Com o aparecimento da consciência do eu posso afirmar: “ Estou no mundo ou o mundo é para mim: três termos fundamentais distintos, mas indissociáveis: eu, ser e mundo.”

A centralidade irrenunciável do “eu” no mundo: “sou o centro do meu mundo”. Aspecto este que implica em afirmar:

- o mundo é o ambiente do meu ser.

- o mundo é suporte do meu viver.

- o mundo é a totalidade universal do real.


Imagem 01 - Criação: Ludus Schola


 

Os outros “eus” no meu mundo

 

O eu é percebido e afirmado como um eu entre outros eus: experiência de nós. Atentando para o aspecto sociológico, os eus ou nós é essência da sociedade e viver em sociedade.

Vejo no outro o meu próprio exterior, e em mim o interior do outro. Devemos conceber que o interior do outro se revela através da linguagem e gestos corporais. A linguagem, porém, expressa o que o outro está pensando.

Quanto ao horizonte pluricêntricos, constitui-se, em Cosmologia, nos diversos “eus” como o meu “eu”.

 

O mundo das coisas

 

Atitude natural: certeza fundamental da experiência do real. Das coisas no mundo.

Segundo Piaget, afere-se como gradativa construção do real (mundo de coisas).

Husserl afirma sendo o princípio de todos os princípios: “toda visão originariamente diferente é uma fonte legítima de conhecimento”.

Para Russerl há duas hipóteses extremas: princípios de inferência não dedutiva que justificam a crença no mundo físico.

E por fim, partirmos para a visão do solipsismo do momento, configura sendo a consciência limitada ao presente, com exclusão do passado e do futuro.

 

A experiência do nascimento e da morte

 

Aqui se entende a independência do mundo em relação a nossa percepção. Quanto a existência e a morte, em Cosmologia filosófica, concebe a contingência e temporalidade do ser. O ser existente está fadado a evoluir desde o nascer e seu fim é a morte. Este entendimento é natural à espécie. A contingência denota que o ser é finito, perecível e que é escravo ou submisso à temporalidade, ou seja, é o tempo rege a ação de todas as coisas.

 

Transcendência vertical do “eu” sobre o mundo

 

No plano horizontal (material): o homem é finito (exceto o espírito/alma), contingente e parte do mundo. O homem é o centro do seu universo.

No plano vertical (espiritual): o homem se eleva sobre o mundo e na consciência transcende e ultrapassa os limites da matéria. Foge da Cosmologia uma vez que o universo espiritual corresponde a Metafísica dar conta de explicar. Ainda estamos a tratar do Universo e o homem como seu centro, sob o viés crítico da racionalidade.

A experiência do nascimento e da morte indica a possibilidade de um mundo sem o meu eu. A experiência da transcendência do “eu” em relação ao mundo. O que implica nas questões relativas em estar ou não estar no mundo e a experiência do não-ser. Sêneca já afirmava que quando a morte está, nós não estamos e quando estamos, a morte não está.

 




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