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A estilística

 


É o estudo das várias maneiras especiais de exprimir o pensamento.

Estilo é a maneira particular que alguém tem de exprimir pensamentos, quer falando, quer escrevendo.

Concorrem para a expressividade do estilo a:

1. correção: a aplicação correta da norma linguística no uso da língua.

2. clareza: pela qual quem escreve deve fazer-se entender com relativa facilidade.

3. precisão, propriedade: é o emprego oportuno de palavras e expressões que se ajustem às ideias.

Eis um exemplo de precisão e propriedade no uso de vocábulos:

“Arranca o estatuário uma pedra dessas montanhas tosca, bruta, informe; e, depois que desbastou o mais grosso, toma o maço, e o cinzel na mão, e começa a formar um homem, primeiro membro a membro, e depois feição por feição até à mais miúda: ondeia-lhe os cabelos; alisa-lhe a testa; rasga-lhe os olhos; afila-lhe o nariz; abre-lhe a boca; avulta-lhe as faces; torneia-lhe o pescoço; estende-lhe os braços; espalma-lhe as mãos; divide-lhe os dedos; lança-lhe os vestidos: aqui desprega, ali arruga; acolá recama: e fica um homem perfeito e talvez um santo, que se pode pôr no altar”.

(Vieira, Sermões)

fonte: Jornal de Poesia - Da Costa e Silva

 

4. harmonia: é o emprego das palavras com sons variados, distribuição proporcional dos acentos tônicos, o que produz um ritmo agradável.

Contra tais virtudes estilísticas vão:

1. solecismo: que consiste em erros de norma linguística, como por exemplo o verbo no singular quando o sujeito está no plural, etc.

2. ambiguidade ou anfibologia: pela qual não se entende bem o que o autor quis dizer: Ele prendeu o ladrão em sua casa (na casa de quem?)

3. cacofonia ou cacófato, pela qual unem-se duas palavras, cujo final forma com o início da outra uma palavra de sentido torpe, obsceno ou ridículo: Já que tinha, já que tão; Ela trina; vez passada.


Imagem 01 - Fonte: Desenvolvido em Canva


++ Significação das palavras - Gramática

4. hiato: é a afluência seguida de vogais acentuadas: Lá há almas.

5. eco: repetição desagradável de fonemas iguais: “Clemente sente constantemente dores de dente”.

6. colisão: desagradável repetição de consonâncias iguais ou semelhantes: Só se salva o santo; O sol se sepulta.

Os quatro últimos vícios de estilo vão contra a virtude da harmonia.

Concorrem para a expressividade e beleza do estilo as chamadas figuras de estilo, que são:

1. metáfora: é o emprego de uma palavra em lugar de outra por semelhança real ou imaginária. Exemplo: a embriaguez da glória.

2. metonímia: designação de uma coisa pela outra, pela sua ligação intima, como causa e efeito, por exemplo: Leio Alencar (isto é, os livros-efeito-de Alencar-causa). Outras ligações que uma palavra pode ter com outra: o abstrato pelo concreto; o símbolo pela coisa simbolizada (O altar (os sacerdotes) e a farda (o exército) uniram-se em defesa da pátria); o lugar pelo produto e vice-versa (beber um Porto, isto é, um vinho da cidade do Porto); possuidor pela coisa possuída (Milhares de fuzis invadiram a cidade, ou seja, soldados com fuzis).

Uma espécie de metonímia é a sinédoque, pela qual empregamos o mais pelo menos, o todo pela parte e vice-versa: vela (embarcação a vela); asas (aviões).

3. hipérbole: a expressão exagerada de uma coisa, além do real. Exemplo: Mais escuro que a própria noite.

4. eufemismo: abrandamento de uma ideia, de uma palavra dura, desagradável. Exemplo: Passar desta para melhor (morrer); isto foi uma infelicidade sua, isto é, uma tolice, uma burrice.

5. Prosopopeia ou personificação: é atribuir vida, ação, voz a seres inanimados, mortos ou ausentes. Exemplo: O fogo avançava, devorando tudo. A catarata despenca rochedo abaixo.

6. Onomatopeia: imitação pelo som da palavra daquilo que se quer expressar. Exemplo: tchimbum (algo caindo n’água);

“Ringe, range, rouquenha, a rígida moenda, E ringendo e rangendo, a cana a triturar.”

(Da Costa e Silva)




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